Investir por meio de fundos é uma excelente alternativa. Mas sem informação, os fundos podem causar muitas dores de cabeça. Afirmo que o que separa um investidor de uma boa carteira de fundos de investimentos é tão somente a informação. Vamos entender o que é são fundos de investimentos, as vantagens e os cuidados que devem ser tomados ao optar por investir através deles.
O que são fundos de investimentos?
Um fundo de investimento é uma forma de investimento financeiro, formada pela união de vários investidores, organizados sob a forma de pessoa jurídica, tal qual um condomínio, visando a um determinado objetivo ou retorno esperado.
Esse grupo de investidores confia a um gestor profissional a responsabilidade de decidir onde investir os recursos do fundo, de acordo com uma estratégia de investimentos pré-definida.
Qual o custo dos fundos de investimentos para o investidor?
Os fundos de investimentos precisam remunerar os seus gestores e as estruturas de custos que envolvem a sua constituição. Esses custos variam de fundo para fundo, podendo cada um ter um valor diferente. Existem três custos básicos que compõem os fundos de investimentos:
> Taxa de administração – é uma taxa anual que é cobrada do investidor (cotista), com a finalidade de remunerar o gestor e os demais agentes envolvidos na estrutura do fundo.
> Taxa de performance – muitos fundos cobram a chamada taxa de performance, que é uma remuneração adicional ao gestor em caso de rentabilidade acima de um determinado indicador. O interessante dessa cobrança adicional é que o gestor só fará jus a ela se tiver a capacidade de entregar ao cotista uma rentabilidade superior ao indicador pré-definido, o que é muito positivo.
> Imposto de renda – é o imposto cobrado pelo governo em cima dos ganhos que o cotista vier a auferir através dos fundos de investimentos.
Em que ativos o gestor investe o dinheiro dos cotistas?
Cada fundo é classificado de acordo com a política de investimentos prevista no seu regulamento. As principais classificações são:
> Fundos de investimentos referenciados DI (DI) – os fundos referenciados DI preveem em seus regulamentos a compra de ativos vinculados ao CDI. Portanto, o objetivo de um fundo DI é acompanhar o CDI.
> Fundos de investimentos em renda fixa (FIRF) – os fundos de renda fixa preveem em seus regulamentos apenas investimentos em títulos de renda fixa, tais como títulos públicos federais, CDBs de bancos e debêntures, por exemplo. Num FIRF, o gestor não pode comprar ações, imóveis ou qualquer outro tipo de aplicação.
> Fundos de investimentos em ações (FIA) – os fundos de ações preveem em seus regulamentos apenas investimentos em ações. Num FIA o gestor não fará aplicações em títulos públicos ou CDBs de bancos, mas sim no mercado acionário.
> Fundos de investimentos multimercados (FIM) – os FIMs preveem em seus regulamentos aplicações tanto em títulos de renda fixa quanto em ações, nas proporções máximas previstas em regulamento. Dessa forma, o gestor possui maior autonomia na alocação dos recursos dos investidores. Existem diversas outras formas de investimento contempladas nos fundos multimercados e essa categoria é a que confere maior liberdade ao gestor do fundo para a montagem de suas posições. Dentro do “universo multimercado” existe estratégias diferentes, como Long and Short, Macro, Institucional, Equity Hedge, Arbitragem, Juros e Moedas e etc. Algumas com menor grau de risco e outras com maior grau de risco. É importante entender que tipo de estratégia um fundo multimercado utiliza.
> Fundos de investimentos em cotas (FIC) – Os FICs são fundos que não investem diretamente nos títulos de renda fixa ou nas ações. São fundos que investem em cotas de outros fundos de investimentos. Podem ser subdivididos conforme os exemplos abaixo:
– FIC de FIA – Fundo de investimento em cotas de fundos de ações – neste caso, o trabalho do gestor é analisar os melhores fundos de ações do mercado e colocá-los na carteira de investimentos do FIC.Ou outras situações especiais, onde uma instituição cria um fundo master sem taxa de administração que não é comercializado. E “pluga” os FICs para a venda ao investidor.
– FIC de FIM – Fundo de investimento em cotas de fundos multimercados – neste caso, o trabalho do gestor é analisar os melhores fundos multimercados do mercado e colocá-los na carteira de investimentos do FIC.Ou outras situações especiais, onde uma instituição cria um fundo master sem taxa de administração que não é comercializado. E “pluga” os FICs para a venda ao investidor.
– FIC de FIRF – Fundo de investimento em cotas de fundos de renda fixa – neste caso, o trabalho do gestor é analisar os melhores fundos multimercados do mercado e colocá-los na carteira de investimentos do FIC. Ou outras situações especiais, onde uma instituição cria um fundo master sem taxa de administração que não é comercializado. E “pluga” os FICs para a venda ao investidor.
Dessa forma, o gestor só pode investir de acordo com o que está previsto na política de cada fundo de investimento, garantindo transparência ao cotista.
Quais os riscos de um fundo de investimentos?
O risco de um fundo de investimento não está associado à instituição financeira que faz sua gestão, mas sim à sua estratégia de investimentos. Esse entendimento é OBRIGATÓRIO para que um investidor possa iniciar sua experiência de investimentos através de fundos.
Nesse momento, muitas pessoas são induzidas a pensar que se investirem em fundos de bancos públicos, como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica, por exemplo, estarão menos expostas ao risco. Essa percepção é COMPLETAMENTE equivocada.
Um fundo de ações do Banco do Brasil, por exemplo, é muito mais arriscado que um fundo de Renda Fixa de um banco como o BTG Pactual. Simplesmetne porque o que define o risco são os ativos que compôem a carteira.
Dessa forma, o que define o risco de um fundo é tão somente a sua política de investimentos, prevista em seu regulamento.
No que se refere aos profissionais envolvidos em sua administração, quais são os mecanismos legais relativos aos fundos de investimento?
Um ponto muito positivo na estrutura dos fundos de investimentos no Brasil é a forma como é são estruturados. Todo fundo deve possuir empresas responsáveis por cada uma das atividades. Isso garante muita transparência e segurança para o investidor. Cada fundo é composto basicamente por:
> Gestor – é a empresa gestora do fundo, que toma as decisões de onde os recursos serão aplicados.
> Administrador – é a empresa responsável pelo funcionamento do fundo. Controla todos os prestadores de serviços e defende os interesses dos cotistas com relação aos demais.
> Custodiante – é a instituição financeira responsável pela “guarda” dos ativos do fundo de investimento.
> Auditor – é a empresa responsável por fiscalizar se o fundo está de acordo com as normas legais de operação.
> Distribuidor – é a empresa que vende as cotas dos fundos, ou seja, que faz a ponte entre o investidor interessado em investir e o fundo onde será feito o investimento.
Dessa forma, o gestor decide, mas não ENCOSTA no dinheiro dos cotistas, que fica depositado no Banco Custodiante. Esse é apenas um exemplo da importância dessa estrutura. O administrador, por exemplo, gera os relatórios, o informe de rendimentos e as demais atividades administrativas. Por isso, as informações do administrador e do gestor devem sempre ser as mesmas.
Segue abaixo um exemplo dessa estrutura de fundos de investimentos:
TABELA 01
Na tabela 01, é apresentada a estrutura de alguns gestores. Se olharmos, por exemplo, os fundos cujo gestor é o Banco BTG PACTUAL, veremos que o Custodiante e o Administrador também são o BTG PACTUAL. Na verdade são empresas diferentes, com finalidades diferentes, mas que integram o mesmo grupo econômico. Isso é permitido – e é normal – quando o gestor é um banco. De qualquer forma, o auditor não pode compor o mesmo grupo econômico. Repare que o mesmo ocorre no caso do BNP Paribas e do Credit Suisse.
Se pegarmos o exemplo da gestora Capitânia, veremos que ela é a responsável pelas decisões de investimentos, mas os títulos ficam guardados no Banco Bradesco. A empresa administradora é a BNY Mellon e o auditor é a KPMG. O mesmo ocorre com a gestora Quest Investimentos.
> E se o gestor falir? Cada fundo possui um CNPJ próprio e o seu patrimônio não se mistura com o das empresas envolvidas na sua estrutura. Dessa forma, se o gestor falir, a administradora comunicará aos cotistas e será escolhida uma nova gestora para dar sequência ao fundo.
> E se o banco custodiante falir? O patrimônio do fundo não se mistura com o patrimônio do banco. O balanço do banco não inclui os fundos como seus ativos. Dessa forma, os títulos investidos pelo fundo continuarão sendo do fundo, não havendo possibilidade do banco utilizá-los para pagar suas dívidas. Neste caso, o custodiante será substituído por um outro.
> E se o administrador falir? Será substituído por outro.
> E se o auditor falir? Igualmente será substituído sem prejuízo ao cotista.
Para onde se deve enviar o dinheiro de uma aplicação em fundo de investimento?
Cada fundo tem um CNPJ e uma conta bancária no banco custodiante. Quando um investidor deseja investir em um fundo de investimento, ele envia o dinheiro eletronicamente de sua conta pessoal, no seu CPF, para a conta do fundo, no CNPJ do fundo. Outra forma de envio pode ser utilizando uma corretora de valores ou uma distribuidora de valores, caso essas instituições estiverem aptas a realizar operações POR CONTA E ORDEM. Assim o recurso é enviado para a conta da corretora ou distribuidora e em sequência a instituição faz o envio para o respectivo fundo.
O investidor NUNCA deverá enviar dinheiro para contas pessoais do gestor, pessoais do distribuidor ou para quem quer que seja. Ele só deverá enviar o recurso direto de sua conta para a conta do FUNDO escolhido, corretoras ou distribuidoras conforme explicado acima.
Como escolher os fundos de investimentos para sua carteira?
A escolha dos fundos de investimentos que vão compor uma carteira baseia-se justamente no planejamento de investimentos individual de cada investidor, assim como a sua propensão a risco. Ou seja: a escolha dos fundos devem estar subordinadas a um processo de planejamento financeiro.
As taxas de administração também devem ser avaliadas, pois elas podem criar impactos na rentabilidade. Existem taxas “justas” para os fundos, mas existem taxas um pouco abusivas.
Eu entendo que taxas adequadas para fundos são aproximadamente as seguintes:
> Fundo DI: até 0,5% a.a.
> Fundo de Renda fixa: até 0,8% a.a.
> Fundo multimercado: até 2% a.a. dependendo da estratégia
> Fundo de ações: até 3% a.a. no máximo se fundo de gestão ativa
Impacto das taxas de administração na rentabilidade dos fundos de investimentos
É importante saber que as rentabilidades dos fundos já são divulgadas abatendo-se as taxas de administração e performance. Por isso, líquida, já descontada a taxa de administração. Assim, mesmo que um determinado gestor cobre uma taxa mais alta do que outro, se demonstrar a capacidade de entregar melhores resultados finais aos cotistas, aplicar nos fundos sob sua gestão poderá ser um bom negócio.
Grande abraço!
André Bona