Apesar de muito popular entre os brasileiros, a caderneta de poupança é um investimento muito pouco rentável e, por vezes, não cobre nem a variação da inflação. Por isso, é preciso buscar alternativas melhores para aplicar dinheiro. Os investimentos em renda fixa pós-fixada estão entre os mais indicados para isso. Se você já buscou informações sobre o assunto, provavelmente já ouviu falar que determinado investimento rende “80% do Cdi”, certo? Você sabe o que isso quer dizer e o que é a taxa do CDI?

No artigo de hoje vamos explicar o que significa a taxa do CDI e como ela impacta os seus investimentos. Confira!

O que é a taxa do CDI

Uma norma do Banco Central determina que os bancos não podem encerrar o dia com caixa negativo. Por isso, todos os dias os bancos emprestam dinheiro entre si. Assim, quem tem recursos sobrando empresta para quem precisa fechar o caixa.

Esses empréstimos são de curtíssimo prazo, duram apenas um dia. A média da taxa de juros praticada nesses empréstimos é o CDI, sigla para Certificado de Depósitos Interbancários.

Essa taxa costuma acompanhar de perto o movimento da Selic, a taxa básica de juros do país. A Selic é determinada pelo Banco Central e representa a taxa de juros paga pelo Tesouro Nacional para quem empresta dinheiro ao governo federal por meio da compra de títulos públicos.

Como o CDI afeta os investimentos

O CDI, ou simplesmente DI, é muito usado como um índice de referência para investimentos em renda fixa pós-fixada. Assim, diversas aplicações têm seus rendimentos atrelados a ele.

É o caso, por exemplo, de fundos DI, CDBs pós-fixados e LCIs e LCAs pós-fixados. Assim, se o seu gerente afirmar que determinada aplicação paga “80% do CDI”, você já sabe que isso significa que o retorno daquele investimento será o equivalente a 80% do valor do CDI.

Para saber qual é a taxa DI praticada no momento você pode consultar o site da Cetip. No dia 24 de abril de 2017, por exemplo, a taxa do CDI estava em 11,13% ao ano. Aqui vale a pena destacar que, embora ocorra diariamente, a taxa é expressa ao ano.

Para entender melhor como isso funciona, vejamos um exemplo. Se você investiu R$ 5.000 em uma aplicação que rendia 100% do CDI em 24 de abril de 2012, cinco anos depois você teria R$ 8.428,82. Se tivesse escolhido uma aplicação que rendia 80% do CDI, chegaria ao fim desses cinco anos com R$ 7.593,08. Uma boa diferença, não?

Vale destacar apenas que, nesse exemplo, nós não consideramos impostos nem taxas cobradas pelas instituições financeiras. É importante dizer isso porque você deve pensar bem antes de escolher entre um CDB que rende 90% do CDI e uma LCI que rende 80%, por exemplo.

Como a LCI é isenta de imposto de renda, é possível que seu rendimento líquido seja maior do que o da aplicação que tem incidência de IR.

Quais são as perspectivas para o CDI

Com as recentes quedas da taxa Selic e a perspectiva de que o Banco Central continue a reduzi-la até o fim do ano de 2017, ficou ainda mais importante estar atento ao rendimento oferecido pelas aplicações financeiras e às taxas cobradas.

Normalmente, os bancos médios tendem a pagar um percentual mais alto do CDI em suas aplicações do que os bancos grandes. Isso se deve ao fato de que risco e retorno costumam andar juntos.

Explica-se: a chance de um banco grande quebrar é bem pequena. Por isso, ele não precisa pagar um rendimento tão alto para atrair investidores, que aplicam em seus CDBs em busca de segurança. Os bancos médios, por outro lado, apresentam um risco maior e, por isso, também pagam um rendimento maior.

Ainda assim, vale lembrar que uma parte dos investimentos em renda fixa — entre eles o CDB — conta com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), um mecanismo de proteção ao investidor que garante o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.

Isso minimiza consideravelmente o risco de aplicar em um CDB de banco médio.

Quais investimentos acompanham a taxa do CDI

Boa parte dos investimentos em renda fixa pós-fixada pode estar atrelada ao CDI. Entre os principais estão:

  • Fundos DI:  fundos de investimento que aplicam, no mínimo, 95% do seu patrimônio em títulos públicos federais ou em títulos privados de baixo risco;
  • CDBs: CDB significa Certificado de Depósito Bancário. Apesar de o nome ser semelhante, não o confunda com o CDI. O CDB é um título emitido por um banco com a finalidade de captar recursos. Em troca, o banco oferece uma remuneração — ou seja, uma taxa de juros — para o investidor;
  • LCIs: as Letras de Crédito Imobiliário são títulos emitidos por bancos com o objetivo de obter recursos para financiar o setor imobiliário. São lastreados (ou seja, garantidos) por créditos imobiliários que a instituição tenha a receber. Para o investidor, a instituição financeira oferece uma remuneração determinada;
  • LCAs: as Letras de Crédito do Agronegócio funcionam como as LCIs, com a diferença de que seus recursos são destinados ao financiamento do agronegócio.

Com exceção dos fundos de investimento, todas as aplicações citadas acima contam com a proteção do FGC. Além disso, as LCIs e LCAs são isentas de imposto de renda. Assim, elas podem ser uma boa opção de investimento. Diversas instituições financeiras oferecem LCIs e LCAs.

Para escolher em qual investir, analise os ganhos oferecidos e confira a aplicação mínima. Na Caixa Econômica Federal, por exemplo, que é uma das principais emissoras de LCI, a aplicação mínima inicial atualmente é R$ 30.000. Esse valor já foi maior e, por isso, é importante conferir a informação e checar se você possui os recursos necessários.

Por fim, vale destacar que, embora o FGC seja uma garantia, o investidor pode demorar um tempo — até meses — para receber o valor investido de volta caso ocorra algum problema com a instituição financeira.

Por isso, é sempre bom colocar seu dinheiro em uma instituição sólida e com um bom histórico. Pesquise bastante antes de tomar essa decisão!

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Autor

André Bona

André Bona possui mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, tendo auxiliado milhares de investidores a investir melhor seus recursos e é o criador do Blog de Valor - site de educação financeira independente.

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