Em 2017, Richard Thaler, um professor da Universidade de Chicago, recebeu o Prêmio Nobel de Economia.  Ao contrário das premiações de anos anteriores, esse fato foi bastante comentado pelo seguinte motivo: o reconhecimento, pela própria comunidade de economistas de que o ser humano não é tão racional quando toma decisões relacionadas às suas finanças.

Os economistas, de um modo geral, utilizavam determinadas premissas quando precisavam desenvolver modelos econômicos para alcançar o maior nível de bem-estar coletivo possível, dados determinados recursos presentes em uma sociedade.  Em boa parte desses trabalhos, deixavam de fora exatamente o que Thaler sempre defendeu:

“Para fazer boa economia, você precisa ter em mente que as pessoas são humanas.”

Características inerentes ao comportamento do ser humano – como a irracionalidade e a falta de autocontrole, quando incorporadas a esses modelos, trazem resultados completamente distintos.

Ao perceber como os indivíduos tendem a reproduzir um mesmo tipo de comportamento, mas que ao mesmo tempo é influenciado pelo seu contexto social, Thaler observou que os resultados da interação de cada um dentro de um determinado mercado nem sempre seguem a lógica esperada.

O seu best-seller, “Nudge: o Empurrão para a Escolha Certa”, foi lançado no mais propício dos anos: 2008, ano da grande crise financeira internacional.  Ao destacar porque as crises sempre ocorrem, trouxe também uma luz para o que poderia ser feito de concreto.

Comprovando que as suas descobertas se aplicavam para uma infinidade de casos, ele foi uma das pessoas que mais contribuiu para o desenvolvimento de políticas públicas, tendo trabalhado com Barack Obama, além dos governos do Reino Unido e da Suécia.

Para Thaler, dado que o ser humano pode exercer o livre-arbítrio, é dever das instituições participantes da sociedade direcionar as suas ações para o que lhe trará melhores resultados, visto que as suas limitações dificultam que o alcance por conta própria.

Um ou dois marshmallows?

Durante a década de 60, o conceito de homo economicus, representado pela pessoa que sempre decide visando maximizar o seu benefício econômico, era irrefutável.  Entretanto, alguns estudos bastante curiosos começaram a surgir.

O mais famoso deles foi conduzido pelo psicólogo e também professor da Universidade de Stanford, Walter Mischel.  O objetivo era avaliar o autocontrole de crianças em idade pré-escolar.

O teste funcionava da seguinte forma:

Uma criança era levada para uma sala e um marshmallow era colocado na sua frente. À ela, eram dadas 2 opções:

  • Devorar o doce ou;
  • Permanecer sentado e aguardar o pesquisador, que se ausentava por aproximadamente 20 minutos, para ganhar o segundo doce.

Essas crianças foram acompanhadas ao longo dos anos:

“Entre os 27 anos e os 32 anos, aquelas crianças que haviam conseguido resistir ao teste do marshmallow na pré-escola apresentaram índice de massa corporal mais baixo e autoestima mais elevada, perseguiam os objetivos com mais eficácia e enfrentavam a frustração e o estresse com mais resiliência.”

Walter Mischel

Conclusão: as crianças que não comeram o doce imediatamente se saíram melhor na vida.  Como esses tipos de experimento passaram a trazer dados bastante consistentes, tornou-se imprescindível identificar quais eram as outras “falhas de concepção” do ser humano.

Desde então, o foco dos modelos econômicos mudou: governos passaram a cobrar de seus departamentos de economia aprimoramentos, para não só contemplar o crescimento econômico, mas também a minimizar os custos associados às crises que eventualmente viriam.

Como decidimos?

Ao contrário do que muita gente pensa, gastar ou investir é uma decisão emocional.  Ela só se torna racional quando existe um objetivo claro.  Isso se explica pelo fato de, além de termos pouco autocontrole, tendermos a procrastinar o que não nos traz prazer imediato. Enfim, nosso mindset (psicológico ou forma de pensar) ainda não está preparado para assumir o controle.

Outras de nossas peculiaridades foram estudadas e comprovadas ao longo das décadas.  Certamente, não é difícil se identificar com uma ou mais delas:

  • “Efeito Manada”: nos sentimos mais confortáveis quando seguimos o que os outros estão fazendo. Isso é o que alimenta as famosas “bolhas”;
  • Uma questão de hábitos: mudar é penoso. Por mais estimulante que seja fazer um plano, colocá-lo em prática exige bastante esforço e foco;
  • Excesso de confiança: tudo vai sair exatamente como o planejado. Apesar do ser humano saber que o futuro é incerto, ele age como se imprevistos não existissem;
  • Confirmação: diretamente ligado ao item anterior, o indivíduo se apega às informações que confirmam a sua estratégia de investimentos. Ele só vê as vantagens, se esquecendo de avaliar adequadamente os riscos;
  • A experiência da perda:também consequência do item anterior, quando perde, tem dificuldade de reconhecer os erros;
  • “Efeito dotação”: O investidor deixa passar várias oportunidades de negócio porque tem apego. Em sua visão, aquilo que ele possui vale mais do que alguém está disposto a pagar (semelhante à dificuldade de se tirar um osso de um cachorro);
  • Ancoragem: funciona como uma referência. Não é o preço justo de um ativo, mas o preço que vale para aquele indivíduo. Abaixo dele está barato e, acima dele, caro.  Não reflete as condições econômicas ou os fundamentos doativo avaliado;
  • Contabilidade mental: o dinheiro é guardado em “caixinhas” quando deveria ser administrado como um todo. As dívidas estão na mesma conta de alguém que possui investimentos, por mais financeiramente irracional que isso possa parecer.

Por que investimos pouco?

Anos de hiperinflação e planos econômicos de toda ordem fizeram com que o brasileiro otimizasse algo que já faz parte do ser humano: pensar no agora.

Como evidência de que o contexto social exerce grande poder sobre as decisões individuais, o Hofstede Insights oferece uma ferramenta que identifica os principais fatores culturais de um país.

Uma característica que nos identifica de forma bastante marcante é o reconhecimento, por parte da sociedade, de quem ostenta objetos de status social. Não é difícil entender a influência que isso exerce em nossas decisões de consumo.

Além disso, nosso otimismo e nosso senso de comunidade limita o trabalho de investir pensando no longo prazo.  Se sabemos que podemos contar com uma rede de apoio e que tudo terminará bem, por que se precaver?

Na dúvida, deixo uma frase de um dos Presidentes dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt:

“Em qualquer momento de decisão, a melhor coisa que você pode fazer é a coisa certa.  A segunda melhor, é a coisa errada.  E a pior coisa que pode fazer, é não fazer nada.”

 

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Adriano Freitas

Investidor e trader, Adriano Freitas atua no mercado financeiro há mais de seis anos. Formado em Ciência da Computação e Pós graduado em Arquitetura e Engenharia de Software, apaixonou-se pelo mercado financeiro quando viu o que a Inteligência Artificial poderia fazer neste ramo.

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Este artigo foi produzido por um autor parceiro e/ou convidado do Blog e Valor, com a finalidade de compartilhar suas opiniões sobre temas diversos e contribuir com o site.

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