Você está aplicando sua reserva de emergência no local correto? Já comentamos que um dos piores locais para deixa-la é na poupança e que o Tesouro Selic (LTF) é um bom lugar. Hoje queremos apresentar uma outra boa alternativa: os fundos de renda fixa!

Neste post você entenderá quais os tipos de fundos de renda fixa e conhecerá as vantagens e desvantagens em se optar por este tipo de investimento. Confira!

Tipos principais de fundos de renda fixa

Os fundos investimento de renda fixa podem investir apenas em títulos pré ou pós fixados. Ou seja, dependendo do tipo de fundo, ele poderá investir em Títulos do Tesouro, Debêntures, Letras de Crédito e/ou Certificados de Depósito Bancário (CDB).

Basicamente, existem 2 tipos de fundos de renda fixa:

1. Fundos Referenciados

Neste caso, o gestor dos investimentos é obrigado a investir, no mínimo, 80% do valor líquido captado em títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, Banco Central ou de outras instituições de baixo risco. Além disso, 95% da carteira de investimento deve ser formada por títulos que acompanham a variação e desempenho do índice.

Ou seja, se você investir em um fundo que use como referência a taxa Selic, seu desempenho será muito próximo ao dessa taxa e o gestor terá apenas 5% do valor do fundo para outras finalidades.

Outra característica desses fundos é a de possuir alta liquidez. Isso quer dizer que se você solicitar um resgate, ele será feito imediatamente ou no máximo em um dia.

Por causa dessa característica, os fundos referenciados são considerados conservadores e excelentes opções para proteger sua carteira de investimento.

2. Fundos de Crédito

A segunda categoria é aquela que assume um pouco mais de riscos em busca de maiores ganhos. Nesse tipo de fundo, os gestores podem comprar títulos do Tesouro e combinar com a compra de Debêntures, CDBs, LCI, LCA ou qualquer outro título de renda fixa.

Ao investir nesses fundos, você estará exposto a maiores riscos, prazos de resgate mais longos e possibilidade de uma rentabilidade mais alta.

Por exemplo, alguns gestores de fundos decidiram comprar Debêntures da empresa Oi. O problema é que a OI solicitou recuperação judicial em 2016 e, quem comprou seus títulos, pode não receber na data ou o valor combinado.

Esse caso ilustra a que tipo de riscos você estará exposto ao investir nesses fundos, logo, eles são recomendados para quem já possui uma reserva de emergência.

É importante perceber que os dois tipos de fundos não podem investir em ações, moedas estrangeiras ou em títulos caracterizados como renda variável.

3 principais vantagens dos fundos

1. Diversificação

O volume financeiro disponível para o gestor de um fundo permite que ele negocie melhores prazos, taxas e rentabilidade para os investimentos que fará. Os valores disponíveis também permitem a compra de papéis que, nem sempre, o investidor individual poderia adquirir.

Por exemplo, se em um mesmo dia aparecer um CDB com uma excelente rentabilidade e valor mínimo de investimento de 1 milhão de reais e surgir uma Debênture Incentivada com menor prazo para resgate e uma rentabilidade um pouquinho superior, qual seria sua escolha? O gestor do fundo poderia escolher os dois papéis para investir, pois o volume de recursos disponíveis é muito maior que de um investidor individual.

Ou seja, os fundos permitem a diversificação ao comprar papéis com diferentes características, como prazo de pagamento, taxas acordadas e emissores. Isso nem sempre é possível ao investidor individual, dados os riscos e necessidades de aporte inicial que cada papel possui.

A diversificação também reduz significativamente o risco. Lembra do caso da Oi que mencionei nesse texto? Agora imagine que num fundo, mesmo dando problema no título, a exposição do patrimônio total estivesse na casa de 0,5% do total: mesmo assim, a carteira toda estaria protegida!

2. Gestão profissional

Calcular os riscos, entender a volatilidade pela qual cada papel pode passar e saber a hora certa de vender um título para obter um retorno até mesmo superior à taxa acordada inicialmente são tarefas que apenas os investidores mais experientes conseguem.

Os gestores de fundos são profissionais do mercado financeiro acostumados com esse tipo de análise e, por isso, conseguem melhorar a performance e rendimento dos investimentos em renda fixa.

3. Praticidade

Não é uma tarefa simples acompanhar uma carteira de investimentos bem diversificada. Ao aplicar em fundos de renda fixa você irá simplificar esse acompanhamento e, em apenas um extrato, terá todas as informações sobre seus rendimentos.

Além disso, você investirá em títulos de diversas instituições, sem precisar abrir contas em diversas corretoras ou bancos, afinal, o gestor do fundo é que terá o papel de comprar e vender os títulos.

3 principais desvantagens

1. Taxas

Além dos impostos de renda (IR – tabela regressiva) e sobre Operações Financeiras (IOF – apenas se houver resgate em um período inferior a 30 dias), os fundos de renda fixa possuem a desvantagem de cobrarem algumas taxas:

Taxa de Administração:

É um percentual descontado do patrimônio total para a remuneração dos profissionais que administram o fundo, bem como para suas despesas operacionais. Ela pode variar entre um percentual mínimo e um máximo. O importante é que ela seja semelhante à complexidade do investimento. Ou seja, quanto mais trabalho o gestor tiver, maior pode ser a taxa cobrada e vice-versa.

Taxa de Performance:

Ela é cobrada quando o resultado é superior a um determinado índice. Por exemplo, se o rendimento do fundo for 20% superior ao CDI, será cobrada uma taxa adicional sobre o valor que ultrapassar o índice.

Taxa de entrada e de saída:

Há ainda os fundos que cobram uma taxa de entrada. Quase sempre esta taxa possui um valor expresso em reais, independentemente do valor do aporte.

Já a taxa de saída é um percentual pago quando o investidor quer antecipar o prazo de resgate ou não cumprir uma carência acordada no momento do primeiro aporte ao fundo.

Não são taxas muito comuns, mas em alguns casos, você pode se deparar com elas.

2. Come-cotas

Todos os anos, nos meses de maio e novembro, o fundo é obrigado a pagar 15% de IR sobre os rendimentos que sua cota obteve naquele período. No entanto a cobrança é em quantidade de cotas. A cota continua valendo a mesma coisa, porém o investidor passa a ter menos cotas a partir da cobrança.

Como os fundos também são tributados pela tabela regressiva do IR, caso você retire o investimento antes de 180 dias o Governo irá abater o valor do IR já descontado e cobrará o valor que complete os 22,5% do IR devido. Caso tenha ficado mais de 720 dias, o governo irá cobrar apenas o IR do valor que ainda não tenha sido tributado.

O principal problema do come-cotas é que ele diminui o percentual de rendimentos que seus investimentos poderiam ter caso os impostos fossem cobrados apenas no momento do saque, como ocorre nos ativos de renda fixa. Por outro lado, devemos considerar que os fundos permitem que você fique investido indefinidamente e que os ativos de renda fixa vencem de tempos em tempos e a tributação também acontece.

3. Autonomia

A última desvantagem é que você não poderá opinar na compra ou venda dos títulos. Esse papel caberá exclusivamente ao administrador do fundo. Mas você pode decidir que fundos possuir na sua carteira e assim fazer a gestão global dos seus investimentos.

Portanto, para aplicar em fundos de renda fixa é importante que você avalie se as taxas estão justas com a complexidade de administração da carteira, quais os tipos de títulos que o administrador poderá comprar e qual a experiência de sua equipe de administração.

Lembrando que a liquidez, o baixo risco, a gestão profissional e o poder de diversificação são bons diferenciais que, normalmente, fazem esses fundos ganharem da poupança e de outros investimentos conservadores.

Conhece outras vantagens e desvantagens dos fundos de renda fixa? Então deixe um comentário e vamos continuar debatendo sobre esse tipo de fundo de investimento.

Um grande abraço!

André Bona

Autor

André Bona

André Bona possui mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, tendo auxiliado milhares de investidores a investir melhor seus recursos e é o criador do Blog de Valor - site de educação financeira independente.

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Comentários

  1. Maicol    

    Só não entendi muito bem a questão sobre o “come-cotas”, quando ocorrem as cobranças de IR passamos a ter menos cotas, não entendi muito bem o significado das cotas, seria a quantidade de aplicações que realizamos? cada uma seria uma cota?

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