Equilibrar risco e retorno não é uma tarefa fácil. Para quem procura otimizar os lucros dos investimentos sem se expor tanto ao sobe-e-desce do mercado financeiro, os fundos multimercados podem ser uma opção bastante interessante, pois têm a liberdade de investir em renda fixa, ações e moedas, sem precisar se concentrar em um só tipo de ativo.

Quer saber mais sobre esta forma de investimento? Continue a leitura e fique por dentro do assunto!

O que são fundos multimercados?

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entidade responsável por regulamentar e fiscalizar o mercado financeiro, divide os fundos de investimento em quatro classes. Três delas têm regras bem definidas:

  • os fundos de renda fixa, que precisam ter pelo menos 80% de seus investimentos em títulos desse tipo;
  • os fundos de ações, que têm 67% dos seus investimentos no mercado de renda variável, como ações e outros ativos ligados a elas;
  • os fundos cambiais, que são obrigados a ter 80% de sua carteira ligados a moedas.

A quarta categoria é a dos fundos multimercados. Eles não precisam seguir nenhuma dessas exigências, podendo investir de maneira livre, usando todas essas classes de ativos em qualquer proporção. Tudo depende da estratégia definida pelo regulamento do fundo.

Para que servem?

Fundos multimercados podem ser tão conservadores quanto os de renda fixa ou até mais arriscados do que fundos de ações. Cada um tem seus próprios objetivos e estratégias.

Simplificando, podemos dizer que os fundos multimercados de baixa volatilidade podem servir melhor para objetivos de curto e médio prazo, como compras de bens de alto valor ou pagamento da faculdade de um filho, e para investidores mais conservadores.

Já os fundos multimercados de alta volatilidade são mais indicados para objetivos de longo prazo, como a aposentadoria, e para investidores de perfil mais arrojado. Entretanto, vale a pena conhecer mais detalhes sobre a estratégia empregada pelo fundo. Falaremos mais sobre isso em um próximo tópico.

Quais são suas vantagens?

A liberdade dada aos fundos multimercados confere a eles grandes vantagens sobre as outras classes de fundos. Em primeiro lugar, é um investimento muito fácil — basta aplicar seu dinheiro no fundo e um gestor especializado se encarrega de comprar os ativos financeiros. Esse gestor pode usar uma estratégia bastante complexa e elaborada, pois terá ao seu dispor toda a soma de recursos do fundo.

Essa estratégia, muitas vezes, é inacessível para quem tem pouco dinheiro, não conhece os detalhes do mercado financeiro e não tem tempo disponível para acompanhá-lo — como é o caso da grande maioria dos investidores pessoa física.

Além disso, como os fundos desse tipo não precisam cumprir exigências mínimas em tipos específicos de ativos, eles podem se adaptar melhor às diferentes situações da economia. Alguns deles conseguem até mesmo atravessar períodos de crise sem grandes perdas.

Quais são seus riscos?

Os riscos dos fundos multimercados variam bastante de um para outro. Um fundo pode ter uma exposição praticamente idêntica à de um fundo de renda fixa, enquanto outro pode ser até mais arriscado que um fundo de ações.

Além disso, da mesma forma que esses fundos podem atravessar períodos de crise com relativa tranquilidade, eventos inesperados podem surpreender a estratégia traçada pelo gestor e causar grandes perdas.

No entanto, como são mais indicados para prazos médios e longos, quedas e oscilações momentâneas podem ser recuperadas — basta esperar o momento certo para resgatar.

Também é preciso ficar atento ao uso da alavancagem. Explicando de uma forma simples, essa técnica consiste em aplicar um valor maior do que o patrimônio do fundo.

Isso pode resultar em ganhos expressivos, mas também expõe o investidor ao risco de perdas consideráveis, o que pode, em casos extremos, obrigar os cotistas do fundo a colocar dinheiro para ressarcir os prejuízos. É um evento raro, mas que pode acontecer.

Por fim, vale lembrar que fundos de investimento não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada responsável por cobrir calotes em investimentos de renda fixa — mas isso, na verdade, não representa um risco de crédito maior.

Como escolher?

Para escolher um bom fundo multimercado para seus objetivos financeiros e adequado ao seu perfil de investidor, é preciso estar atento a alguns pontos:

Taxas de administração e performance

Assim como acontece em qualquer fundo de investimento, as taxas cobradas para remunerar o trabalho da equipe gestora têm um impacto considerável sobre a rentabilidade. É sempre bom lembrar que os resultados divulgados já são líquidos dessas despesas. Portanto, se o fundo vem entregando bons resultados, sua preocupação com este custo não precisa ser tão grande.

A taxa de administração é expressa na forma de uma porcentagem anual. Ela é provisionada diariamente, sendo descontada do valor das cotas. Em fundos multimercados, ela fica geralmente entre 1,5% e 2% ao ano. Valores muito maiores do que esses só se justificam se o gestor usar estratégias elaboradas e entregar resultados consistentes.

Também pode haver cobrança de taxa de performance, um pagamento feito quando a rentabilidade do fundo supera um indicador de referência, normalmente o CDI. É uma forma de incentivar os gestores a conseguirem um bom desempenho. Geralmente, o fundo fica com 20% dos rendimentos acima do índice usado como parâmetro.

Histórico do fundo

Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, como você deve saber. O fato de um fundo ter apresentado ótimos resultados não assegura que o comportamento vai se repetir nos próximos meses ou anos.

Analisar o histórico do fundo, entretanto, é uma maneira de avaliar se ele vem entregando resultados consistentes ao longo dos anos ou se apenas teve um bom momento recentemente. Também é um jeito de saber mais sobre a competência da equipe gestora e ver como a estratégia tem se saído.

Estratégia

Existem diversos tipos de estratégia possíveis para um fundo multimercado, algumas mais arriscadas que as outras. Fundos multimercados balanceados, por exemplo, usam uma estratégia de alocação de ativos bem definida, com rebalanceamentos constantes, e proíbem o uso de alavancagem. Por isso, costumam ser menos arriscados.

Já fundos multimercados dos tipos trading e long & short tentam explorar oscilações de curto prazo no preço de ativos, o que pode representar um risco maior.

Por isso, é importante ler os documentos do fundo, como o prospecto e o regulamento, e entender qual a estratégia empregada, bem como saber se ela está adequada ou não à finalidade que aquele investimento terá para você.

Liquidez

A liquidez de um fundo é o prazo que ele demora para devolver seu dinheiro. Esse tempo é expresso em D+X, sendo X o número de dias úteis.

O resgate ocorre em duas etapas:

  1. um primeiro prazo para a conversão da quantia de dinheiro solicitada em número de cotas;
  2. um segundo prazo para disponibilizar o dinheiro para você.

A liquidez dos fundos multimercados também varia muito. Há fundos que liberam o dinheiro em D+1, enquanto outros em D+30 ou D+45. Avalie este fator na hora de investir para não ser surpreendido no momento do resgate.

Alavancagem

Como dissemos, a alavancagem é um fator de risco nos fundos multimercados. A proibição ou permissão desse recurso vem descrita nos documentos do fundo de forma bastante explícita. Procure essa informação e veja se você está disposto a correr esses riscos.

Volatilidade

Expressa em um percentual, a volatilidade diz o quanto o retorno de um fundo pode desviar, para cima ou para baixo, da média de rentabilidade. Quanto maior for a volatilidade, mais os retornos “balançam” no curto prazo. Fundos com volatilidades maiores são mais recomendados para investimentos planejados para o longo prazo, pois, neste caso, há tempo para recuperar as quedas.

Os fundos multimercados não devem ser responsáveis por toda a sua carteira, que deve ser pautada na diversificação. O ideal é investir também um pouco em renda fixa, como forma de ter uma margem de segurança para imprevistos, e evitar uma exposição grande de todo seu patrimônio.

Quer saber mais sobre outros cuidados que você deve tomar ao investir? Leia este post sobre o assunto!

Autor

Redação Blog de Valor

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