06/09/2017

O mercado financeiro operou em alta na sessão de ontem (5) e fechou com ganhos de 0,29%, em dia agitado no cenário político nacional com a possibilidade de anulação da delação da JBS. Novas denúncias envolvendo os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, divulgadas após o fechamento do mercado podem refletir na sessão de hoje.

A Bolsa de Valores B3 (antiga BM&FBovespa) abriu em máxima histórica na sessão de ontem (5), ultrapassando os 73.170 pontos, mas perdeu fôlego durante a tarde, puxada por perdas na bolsa dos Estados Unidos diante do aumento da tensão geopolítica mundial envolvendo a Coreia do Norte. Foi a primeira vez em quase 10 anos que o Ibovespa chegou a negociar acima dos 73 mil pontos.

O otimismo no mercado brasileiro ganhou novo ânimo depois que o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, informou, no final da tarde de segunda-feira (4), que a delação premiada dos executivos da JBS – que causou fortes perdas no mercado em maio – poderia ser suspensa. A possibilidade foi levantada após investigadores do Ministério Público Federal suspeitarem que o empresário Joesley Batista e outros executivos da JBS esconderam, propositalmente, informações da PGR.

Gravação de “interesse público”

No final da tarde, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou pública a gravação do diálogo entre Joesley Batista – dono da JBS –  e Ricardo Saud, executivo do grupo, no qual são citados ministros do Supremo. De acordo com Fachin, o áudio é de interesse público e, por isso, deveria ser liberado.

No áudio, Joesley Batista e Ricardo Saud citam o ex-procurador da República e ex-braço direito de Rodrigo Janot, Marcelo Miller – que trabalhou para a JBS enquanto procurador da PGR, e ao menos 3 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowksi e Gilmar Mendes, além do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso.

A investigação do áudio deve ser concluída pela Procuradoria-Geral da República até o final da próxima semana, e tem poder de anular ou rever os benefícios concedidos aos executivos da JBS por meio da delação premiada.

Bunker de Geddel

Ainda durante a tarde de ontem, a Polícia Federal encontrou, em um apartamento em Salvador (Bahia) –  que seria utilizado pelo ex-ministro do governo Temer, Geddel Vieira Lima –  mais de R$ 51 milhões em espécie, alocados em caixas e malas. Foi a maior apreensão de dinheiro em espécie da história da Polícia Federal.

A ação – batizada de Tesouro Perdido, é um desdobramento de investigações sobre fraudes na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal, onde Geddel ocupou a vice-presidência de Pessoa Jurídica entre 2011 e 2013, durante o governo de Dilma Rousseff.

Lula e Dilma denunciados

Após o fechamento do mercado, já no início da noite, a Procuradoria-Geral da República (PFR) denunciou políticos ligados ao PT por participação em uma organização criminosa cujo objetivo era desviar dinheiro da Petrobras. Entre os denunciados estão os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Além de Lula e Dilma, foram denunciados pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, os ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega, a presidente do PT e senadora Gleisi Hoffmann e o marido de Gleisi, Paulo Bernardo, ex-ministro das Comunicações, além de outros políticos ligados ao PT.

De acordo com a PGR, o “Quadrilhão do PT” teria recebido cerca de R$ 1,5 bilhão em propina nos últimos anos. O esquema teria, ainda, permitido que membros do PMDB e do PP recebessem mais R$ 1,6 bilhão em propina.

A nova denúncia contra os ex-presidentes pode refletir no desempenho do mercado financeiro nesta quarta-feira, e alavancar ainda mais o otimismo dos investidores brasileiros.

Autor

Luana Neves

Jornalista e redatora. Atuou como editora de Economia no Jornal DG e Revista Quem é Quem - Economia, assinou por três anos coluna diária de Economia e já produziu conteúdo para diversos portais de notícias do Brasil.

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