*Este artigo foi produzido pelo Gorila com exclusividade para o Blog de Valor.

 

Você já deve estar acostumado a utilizar os serviços digitais que os bancos oferecem tanto com o Internet Banking como por aplicativos para celular, não é mesmo?. Ficou muito mais prático, por exemplo, pagar uma conta, fazer uma transferência via TED ou DOC e consultar o saldo da conta corrente sem precisar enfrentar filas nas agências bancárias.

Pois bem, a tecnologia vem sempre para revolucionar a maneira de como os produtos e serviços são oferecidos aos consumidores e podemos ver isso quantitativamente. Segundo dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), de 2016 para 2017 o volume de transações feitas pelos aplicativos das instituições financeiras cresceu 70%.

Um novo conceito que vem ganhando espaço no mercado financeiro é o Open Banking. Basicamente ele promete trazer mais facilidade aos usuários. Mas de que forma? A partir da possibilidade de compartilhamento de informações bancária dos correntistas com outras instituições.

O usuário é que decide se ele quer ou não compartilhar seus dados com uma fintech, por exemplo. Ao invés da pessoa ter o trabalho de preencher cada informação sobre sua conta, o sistema integrado por API faria essa ponte com o novo produto financeiro.

Hoje em dia ainda são os bancos que têm a posse dos dados bancários dos clientes. Mas com esse processo de transferência da posse aumentaria as possibilidades de geração de negócios. Seria possível a criação de serviços alternativos e ainda agregaria valor ao cliente.

Como começou o Open Banking?

O conceito de Open Banking está fortemente presente na Europa. No início de 2018 foi regulamentada a diretiva PSD2, ou Nova Diretiva de Serviços de Pagamento, que visa criar um mercado único de serviços de pagamento mais integrado, seguro e eficiente.

A diretriz também exige que a portabilidade entre contas seja rápida. Assim, se um cliente quiser trocar de instituição bancária, a transferência dos dados deve ser mais simples e com menos burocracia. Caso haja vazamento de dados dos clientes, os bancos é que são responsabilizados.

Na Europa, o banco Santander já disponibiliza suas primeiras APIs. Através da plataforma SIBS API Market, há informação de conta e de iniciação de pagamentos.

O modelo do Open Banking também já foi regulamentado em países asiáticos como Singapura, Hong Kong e Malásia. No entanto, cada país possui suas próprias diretrizes.

No Brasil, a regulamentação sobre o Open Banking ainda está em debate. O Banco Central (BC) espera estabelecer uma regulação para esse modelo ainda em 2019.

Vantagens do Open Banking

Os bancos devem prestar atenção em atender as necessidades do cliente de maneira rápida e flexível. Hoje em dia, as agências bancaram não são mais as exclusivas fabricantes e distribuidoras de produtos. Olhe ao redor e veja quantidade de empresas oferecendo serviços financeiros diferenciados que atendem exatamente o que o consumidor precisa. Até mesmo os bancos se tornaram 100% digitais, a exemplo do Nubank, banco Neon e Inter.

Mas, com certeza, uma das maiores vantagens do Open Banking é facilitar a vida do usuário. Quando a marca do banco está presente em vários momentos da rotina das pessoas, ela pode até mesmo aumentar o número de clientes por trazer tantas facilidades.

Por meio de parcerias com outras empresas, fica mais fácil trazer valor e serviços úteis para os clientes. Além disso, há a vantagem de custo reduzido, uma vez que a tecnologia a startup já possui. Isso resulta numa maior rapidez na criação de outros produtos.

API e segurança

A sigla API vendo do inglês “Application Programming Interface” que significa “Interface de Programação de Aplicativos”. Essa tecnologia é responsável pela possibilidade de compartilhar e integrar dados e serviços de forma segura.

Ela cria uma facilidade no intercâmbio entre informações com diferentes linguagens de programação. Podemos imaginar que ela faz o papel de um tipo de “ponte” que conecta aplicações, podendo ser utilizadas para os mais variados tipos de negócios.

Além disso, a troca de informações ocorre de uma maneira segura porque as APIs criam uma espécie de portão, onde apenas um conjunto específico de informações estará disponível. É a própria empresa proprietária da aplicação que faz essa seleção.

Para ficar mais claro o que acontece na prática, imagine que um banco tem várias informações como o número de contas abertas por mês e quantos clientes recebem valores maiores do que a renda média dos brasileiros. Com a SPI, terceiros poderiam criar uma aplicação para consultar especificamente os dados de clientes com quantias elevadas em suas contas. Essa informação seria interessante para empresas de crédito na hora que fazem avaliações de risco.

Na prática, várias empresas já fazem esse compartilhamento de informação e você já deve ter experimentado. O Facebook tem uma das APIs mais utilizadas por vários serviços que precisam fazer login de novos usuários em suas plataformas. Com o Uber, por exemplo, há essa integração na hora em que a pessoa vai fazer o cadastro e pode escolher se registrar com o telefone celular ou clicar no botão referente ao login com o Facebook.

Exemplos de Open Banking

Banco Next: além de oferecer os serviços com maior demanda, como cartão de crédito e pagamentos, um dos APIs do banco permite a oferta de um serviço de cashback feito pela fintech Get More. Assim, a devolução de parte do dinheiro gasto em uma das lojas parceiras vai direto para a conta do correntista.

Banco do Brasil: utilizando OAuth (padrão internacional de segurança), o banco fornece os dados necessários e autorizados para o aplicativo parceiro. O BB tem parceria com as seguintes plataformas: bxblue, que ajuda aposentados, pensionistas e funcionários públicos federais a compararem taxas do consignado entre bancos; Ciclic – Fintech de Planos de Previdência Privada; Conta Azul – Gerenciador Financeiro Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas e seus Contadores; e Dotz – Plataforma de Programas de Relacionamento e Operadora das Campanhas Ourocard BB.

Gorila: plataforma de controle de investimentos com as informações financeiras  consolidadas em um único lugar. Criada com a mentalidade no Open Banking, ela está pronta para integrar com todos os bancos e corretoras que queriam levar mais transparência e comodidade aos investidores.

E isso é só o começo. Há uma gama de possibilidades para serem criadas e integradas. As startups estão aí para trazerem inovação e praticidade para os serviços.

E você, já utiliza algum serviço com conceito Open Banking no seu dia a dia? Deixe seu comentário!

Autor

Robinson Dantas

Robinson Dantas é CEO do Gorila Invest e possui mais de 18 anos de experiência no mercado financeiro. Além disso, é fundador da Iporanga Investimentos, onde era responsável pela gestão de risco e membro do conselho da holding FS2. Antes, passou pelo Morgan Stanley na área de Equity Derivatives Trading em Nova Iorque.

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