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Olá!

Um dos fatores decisivos na escolha de um fundo de investimento é a forma de gestão prevista em seu regulamento, no que se refere ao objetivo.

Expectativa x realidade:

Ao optar por investir seus recursos em fundos, um investidor possui a expectativa de que um gestor profissional esteja mais qualificado para tomar as decisões de investimentos com seu capital do que ele próprio, o que faz bastante sentido em face das inúmeras variáveis que são necessárias na avaliação dos ativos.

No entanto, a maioria dos investidores não se preocupa em observar a forma como o fundo aplicará seu dinheiro. O investidor deve entender a política de investimentos e os objetivos de gestão de cada fundo para avaliar se estão alinhados com o seu objetivo pessoal.

Fundos com gestão passiva:

No mercado existe uma infinidade de fundos de investimentos de gestão passiva.

Alguns exemplos:

  • Bradesco FIA Petrobras 2010
  • Bradesco FIA Cielo
  • Itaú Ações Vale FI
  • FIA de Ações Grupo ItaúUnibanco
  • BB Ações Construção Civil
  • BB Ações Consumo
  • Caixa FI Ações Ibovespa
  • ETFs: BOVA11, PIBB11, SMAL11

E qual o objetivo de um fundo de gestão passiva?

É o de obter a rentabilidade mais próxima possível do seu “índice de referência”, seja realmente um índice ou mesmo um ativo ou setor específico.

Isso significa que, se o investidor aplicar num Fundo Petrobras e as ações desta empresa se valorizarem em torno de 20% num determinado período, o fundo deverá apresentar rentabilidade similar. Por outro lado, e é aqui que o investidor deve estar muito consciente, se as ações da Petrobras caírem 20% no mesmo período, o fundo certamente terá o mesmo desempenho. Conclui-se, portanto, que o objetivo do fundo é de REPRODUZIR o seu ativo ou índice de referência – e não o de superá-lo.

A partir desse entendimento, o investidor precisa entender que num fundo desses o trabalho de gestão é passivo, ou seja, consiste simplesmente em aplicar, sem qualquer tipo de avaliação de oportunidade, todo o recurso depositado no fundo em ações da Petrobras (no caso desse exemplo).

Fundos setoriais como de construção civil comprarão ações de empresas de construção civil. Fundos de consumo investirão todos os recursos aplicados em ações de empresas ligadas ao setor de consumo. Fundos indexados Ibovespa aplicarão na carteira teórica do Ibovespa. Todos sem nenhuma avaliação de oportunidade. Apenas reproduzindo o ativo ou índice de referência.

Quando um investidor escolhe fundos dessa natureza, ele está usando o gestor como um mero intermediário de algo que, tavelz, ele pudesse fazer por conta própria. Em todos os casos acima, o investidor pagará uma taxa de administração para o gestor comprar investimentos que o próprio investidor já escolheu. Ou seja, não haverá, de fato, um trabalho de gestão em nenhum desses casos.

Portanto, se a intenção do investidor é a de deixar um gestor profissional tomar conta do seu dinheiro, justamente por acreditar que um gestor profissional é mais capacitado para fazer escolhas, será que faz sentido escolher fundos passivos?

Para ilustar, segue abaixo um relatório de rentabilidade de 7 fundos de 7 bancos diferentes, todos indexados às ações da VALE. Repare que TODOS apresentam rentabilidade praticamente igual num período analisado (24 meses).

COMPARATIVO 01

Investir num fundo passivo de VALE representa exatamente o mesmo risco de ir a bolsa sozinho e comprar ações da VALE, sem ter nenhuma outra informação a respeito das perspectivas de valorização.

Vamos observar no quadro abaixo um comparativo entre fundos passivos IBOVESPA de 6 bancos diferentes num intervalo qualquer de 12 meses.

COMPARATIVO 02

 

Neste comparativo, observem que o Ibovespa variou negativamente 1,84% nos últimos 12 meses. A performance da maioria dos fundos foi inferior – inclusive, alguns conseguiram a “proeza” de perder quase 7%. Esse é o efeito da taxa de administração num fundo indexado.

Portanto, por conta do custo da taxa de administração, a tendência natural é a de que em fundos passivos entreguem rentabilidade sempre inferior ao seu índice ou ativo de referência.

Fundos com Gestão Ativa:

Nos fundos com gestão ativa, ao contrário dos de gestão passiva, o objetivo é sempre SUPERAR (e não apenas igualar) algum indicador.

Essa diferença é decisiva para que o investidor compreenda o trabalho de gestão de fundos. Se na gestão passiva o gestor não precisa sequer conhecer as empresas onde investirá, na gestão ativa o gestor estuda criteriosamente as empresas que serão selecionadas para compor a carteira do fundo e adicionalmente fará a troca de posições sempre que o mercado apresentar sinais de mudanças.

Na gestão ativa, o gestor realmente fará o papel que se espera dele: encontrar oportunidades de rentabilidade superior aos parâmetros de mercado. Nesse cenário, o investidor torna-se um avaliador de performance e de desempenho de gestores.

Os fundos de gestão ativa possuem, portanto, o objetivo superar os índices de referência.

Segue abaixo um comparativo de 24 meses num intervalo aleatório, contendo:

Dois fundos de melhor desempenho do COMPARATIVO 02 – Gestão Passiva

  • Itaú Index Ações Ibovespa FI
  • Santander FI Ibovespa Passivo Ações

Quatro fundos de gestoras indepentendes – Gestão Ativa

  • Capitania Equities FIC FI de Ações
  • Gap Fi de Ações
  • Opus Ações FI de Ações
  • XP Investor FIA

COMPARATIVO 03

 

Observando o comparativo 03, é perceptível que os fundos de gestão ativa do quadro apresentaram rentabilidade muito superior, porém nem sempre isso ocorre.

Qual é o melhor tipo de fundo? O de gestão ativa ou o de gestão passiva?

Essa é uma longa discussão. Há grupos inteiros de investidores que defendem a gestão ativa grupos inteiros que defendem a gestão passiva, especialmente quando falamos dos ETFs.

Trata-se na verdade de uma decisão de risco.

Se você quer o índice, você já tem em suas mãos. Basta comprar um fundo de índice e participar do mercado de renda variável. Nesse caso, a taxa de administração é o ponto mais importante da escolha, pois ela terá um impacto direto na rentabilidade do fundo. Se o fundo é passivo, então quanto melhor a taxa, melhor para o investidor.

Se você quer superar o índice, saiba que precisará de um fundo de gestão ativa. E para superar, terá que correr também o risco de muitas vezes não superar. A taxa de administração é também algo a ser observado, no entanto, em fundos de gestão ativa há muitas diferenças entre desempenhos e gestores. Por isso a taxa é importante de ser avaliada, mas não só ela.

A sua carteira pode também conter fundos passivos e ativos, não há problema. O importante é que você tenha noção exata do que esperar de cada  investimento.

Grande abraço!

André Bona

Autor

André Bona

André Bona possui mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, tendo auxiliado milhares de investidores a investir melhor seus recursos e é o criador do Blog de Valor - site de educação financeira independente.

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Comentários

  1. Cesar    

    Prezado,
    No trecho: “Se você quer superar o índice, saiba que precisará de um fundo de gestão passiva.”, acho que você queria dizer fundo de gestão ativa, não?
    Abraço.

    1. André Bona    

      Perfeito Cesar!
      Obrigado pelo aviso! Corrigido!
      Abs,
      A.B.

  2. Gilberto    

    Excelente artigo.
    Minha pergunta: qual seria a diferença principal entre comprar, p. ex. um ETF como o Bova11 e um fundo passivo Ibovespa?
    Valeu!

    1. André Bona    

      Em tese não há diferença. Mas o etf tem uma taxa de administração normalmente menor que o fundo aberto, o que faz diferença em longo prazo. Abs,

  3. gabriel    

    Boa noite,
    Gostaria de saber como sei se um fundo é ativo, ou passivo. Analiso pela carteira do fundo ou já vem específicado ?
    desde já agradeço.

  4. Guilherme    

    Boa tarde, André.

    Gostaria de saber, na sua opinião, quanto seria uma taxa de administração justa para um fundo de gestão passiva? No Banco do Brasil, por exemplo, o “BB Ações Ibovespa Indexado Estilo” está cobrando 2% a.a. É o que se espera deste tipo de fundo, ou seria muito alto?

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