Tônica da Semana: Fundos sem fundo?

Estava dando uma revisada nas coisas que escrevo e olha que pérola que achei na Tônica da Semana do dia 23/04/2018 quando a bolsa estava nos 85.600 pontos e o dólar a R$3,45:

Among the group’s recommended trades and “conviction views” is going long Brazilian equities, and buying the currencies of Brazil, Chile and Peru against the dollar. Perhaps the most eye-catching is a forecast for the Brazilian real to reach 3 per dollar in three months, from 3.4078 late Tuesday — a surge of almost 14 percent.

On Brazil, Goldman’s not alone in its optimism. A survey at a conference of money managers and analysts in Miami last month showed the country to be the investor darling, in the run-up to presidential elections in October.

Basicamente eles estavam mega otimistas com Brazil recomendando comprar ações brasileiras e o Real. De lá pra cá quem comprou Real amarga perda de 8%, mas cehgou a estar perdend 14%, não fosse a intervenção do Bacen para acalmar o mercado…e quem investiu no Ibov -14,8% … isso em menos de 2 meses! A reportagem esta aqui nesse link

Estou trazendo isso a memória apenas para relembrar o óbvio ou algo que não podemos nos esquecer:não nos determos ou guiar nossas atitudes por notícias que lemos por aí! Sejam elas uma recomendação do poderoso Goldman Sachs, ou alguma manchete no Infomoney, ou etc.

Fundos sem fundo?

Uma coisa que me preocupa é que o movimento de migração e alocação de recursos em ativos de maior risco com a redução da taxa de juros foi forte … a captação de fundos de investimento nos últimos 12 meses saltou … foram direcionados R$ 90 bilhões para fundos Multimercados, sendo R$ 65 bilhões para alocação ex-exterior; também veio mais dinheiro para bolsa, no mesmo período foram R$ 61 bi, sendo ~R$ 30 bilhões para alocação aqui dentro (ex-exterior).

Por que isso é importante?

Porque muitas vezes  o investidor, no “afã” de manter aquele retorno de “pelo menos 1% ao mês” migra para essa classe de ativos sem ter a exata noção ou o estômago necessário para investimentos de maior risco… abaixo uma tabela com a performance no mês de alguns fundos disponíveis na XP todos com rentabilidade negativa de pelo menos 1%:

E abaixo os 10 fundos que investem em ações e que mais sofreram no mês:

Mesmo bons nomes da indústria tiveram uma performance que pode assustar a muitos. E se muitos sacarem, os fundos precisam fazer caixa, logo vendendo posições.

Não estou dizendo que isso já esta acontecendo…mas é algo que me preocupa pois poderia gerar um fluxo de vendas adicional. 

Isso responde a pergunta de muitos que olham sua ação cair e ficam procurando alguma notícia ou justificativa….muitas vezes não é o fundamento que se alterou significativamente é fluxo mesmo.

E o mercado…

Olhando para o mercado, sim foi um movimento global e especialmente forte para emergentes. Veja que as moedas de Turquia, Rússia e Africa do Sul todas se desvalorizaram bem ante o Dólar…não dá nem pra colocar a Argentina no gráfico!

O que chama atenção e merece ser pontuado é que diferentemente de diversos outros países a dívida brasileira é essencialmente em moeda local, o que é MTO, mas MTO diferente da realidade de Argentina e Turquia por exemplo!

Olhando para frente já citei aqui no início de maio que as coisas “enfeiaram”…e naquela época ainda o IBOV vinha sustentado por altas em Petro e Vale basicamente (Samba de uma Nota Só). De lá pra cá seguimos vendo dados macro fracos, perda de confiança e as incertezas com a eleição pousando na sala!

Só pra ilustrar ou botar em contexto….vejamos 2 gráficos bem aleatórios… 1º) o fluxo de veículos…[…]

 

Leia o texto na íntegra no blog BUGG – Análises Econômicas e de Investimentos, de William Castro Alves.

Autor

William Castro Alves

Economista pela UFRGS, iniciou sua carreira em 2004 na Solidus Corretora, tendo passado pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Atuou como analista de Investimento na XP e responsável pelas gestão das Carteiras Recomendadas.

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