Você ainda guarda dinheiro no colchão e na poupança?

No amanhecer da humanidade, as pessoas se apegavam ao “hábito de troca” para adquirir bens. Quando o ser humano começou a criar gado, uma das primeiras formas de troca incluía gado, ovelhas, bem como legumes e grãos. O dinheiro só viria a surgir muito tempo depois disso!

A primeira moeda conhecida foi criada pelo Rei Aliattes na região de Lídia, agora parte da Turquia, por volta do ano de 600 AC. A primeira moeda já cunhada de que há registro apresenta um leão rugindo.

As moedas evoluíram então para notas distribuídas por bancos somente por volta de 1661 DC. O primeiro cartão de crédito começou a ser usado em 1946.

Onde devo guardar meu dinheiro?

De lá para cá, o desenvolvimento do dinheiro foi totalmente avassalador. Mudando constantemente por causa de fatores econômicos de diversas culturas, o dinheiro passou a colocar a humanidade numa corrida frenética em busca da chamada estabilidade financeira. Você se sente estressado na busca por esse equilíbrio monetário em suas finanças? Console-se em saber que muitos se sentem da mesma forma.

Passando da simples troca ao advento da moeda, o dinheiro atravessou processos evolutivos interessantes. Entender como utilizá-lo com bom senso e sabedoria prática o ajudará a não ter tanto estresse, e usar seus recursos de forma segura e confiável.

Uma das questões levantadas pelos mais conservadores envolve a pergunta:

  • Onde devo guardar meu dinheiro?

Colchão – proteção garantida para os mais antigos

Se tirar tempo para conversar com os mais velhos, perceberá que muitos deles usavam o bom e velho colchão para guardar o suado investimento de anos de trabalho. Muitos até hoje seguem essa prática e a defendem com unhas e dentes!

Pode parecer irônica essa atitude, mas o fato de que muitos usavam o lugar onde dormiam para manter seguro o resultado de seus esforços profissionais nos ensina uma grande lição: o que ganhamos financeiramente com tanta dedicação e determinação deve ser muito bem cuidado!

A desconfiança dos mais velhos, que muitas vezes foram lesados por pessoas de má fé, os fez agira para proteger seus recursos dessa forma. Mas não podemos discordar que uma postura protetiva face à atitude prejudicial de alguns é de altíssimo bom senso.

Poupança – um desenvolvimento de conceito

Com o passar dos anos, foram fundadas diversas instituições que tinham como objetivo gerenciar recursos financeiros estatais. Você sabe qual foi o primeiro banco da história da humanidade?

O primeiro banco do mundo de que se há registro foi o Taula de la Ciutat, aberto na cidade espanhola de Barcelona no ano de 1401. Seu objetivo inicial era administrar a tesouraria do governo catalão. O Taula de la Ciutat está registrado como o primeiro banco oficial do mundo, embora a prática bancária tenha sido rastreada em diferentes séculos bem antes disso.

O banco mais antigo em operação contínua do mundo é o Monte dei Paschi di Siena, que opera como um banco na Itália desde 27 de fevereiro de 1472. Inicialmente chamava-se Monte di Pieta. O objetivo original desse banco era oferecer empréstimos de caridade aos pobres. O banco continua a operar até hoje e tem filiais em toda a Itália.

A partir daí mesmo os trabalhadores mais conservadores começaram a ver nessas instituições uma maneira mais prática e arrojada de gerenciar recursos financeiros. A ideia de guardar dinheiro no colchão começou a perder sua “força totalitária” e alguns começaram a legar a administração de seus recursos a terceiros.

Hoje em dia, a poupança se tornou a boca do funil para muitas pessoas. Alguns pensam que esse é o meio mais seguro de guardar o que suaram para ganhar. Outros chegam a imaginar que essa é a maneira mais lucrativa de se investir dinheiro. Por isso, guardam cada centavo do que ganham em poupanças pessoais, se sentindo satisfeitos quando percebem os ganhos paulatinos em extratos anuais ou semestrais.

Colchão, poupança ou algo diferente?

Percebe como o passar das décadas produziu evolução constante na maneira de administrar o dinheiro? Os milênios de contato da humanidade com a prática financeira de gerir finanças trouxeram enormes aprendizados do que fazer e do que não fazer na hora de escolher o destino de receitas pessoais ou empresariais.

A questão a que se chega nesse ponto é: vou permanecer seguindo técnicas antigas que, apesar de cumprirem um bom objetivo na época, não atendem mais as necessidades de rendimento atuais? Entendo que essas maneiras de gerir recursos tiveram seus tempos de glória, mas que outros bons tempos chegaram? Vou me apegar à métodos mais conservadores e perder a oportunidade de investir no que está dando certo hoje em dia?

É importante destacar novamente que muito se aprender sobre colchão e poupança. As lições sobre dinheiro são claras:

  • É preciso ser criterioso ao administrá-lo
  • Confiança e desconfiança precisam ser calibradas
  • Gastar e investir muitas vezes são conceitos opostos
  • Inovar nos investimentos precisa ser feito debaixo de estratégia
  • Precisamos aprender com antigas técnicas antes de mergulhar com os olhos tapados no mercado de finanças
  • Podemos investir mais para aumentar nossa base de recursos futuros

O que você fará com seu dinheiro?

A resposta dessa pergunta é puramente uma decisão pessoal. Só nós sabemos quanto esforço dedicamos para ganhar o que temos. Horas de trabalho, estratégias de investimento que deram certo, economia em áreas da vida em que abrimos mão de certos prazeres, tudo isso e muito mais pode ter sido feito para que nossa conta bancária estivesse como está hoje.

Daqui para frente, estudar a evolução do dinheiro e de práticas econômicas, estudar o mercado e aplicar alguns elementos de gerenciamento de finanças são posturas inteligentes. Agir dessa forma mostra um conceito mais amplo a respeito do seu dinheiro.

Nunca esqueça de que sua atitude em relação ao dinheiro revela muito sobre o tipo de pessoa que você é, o que você realmente pensa sobre o futuro e quanta responsabilidade tem em relação à suas finanças!

Não deixe que práticas antigas definam o que você fará. Por outro lado, aprenda delas, aprimore-se e siga em frente! O que fizer de hoje em diante mostrará porque você decidiu não mais guardar dinheiro no colchão e na poupança!

Espero que sua jornada aqui conosco no Blog de Valor te ajude a encontrar novos caminhos e saúde financeira!

Um grande abraço,

André Bona

Autor

André Bona

André Bona possui mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, tendo auxiliado milhares de investidores a investir melhor seus recursos e é o criador do Blog de Valor - site de educação financeira independente.

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Comentários

  1. Alberto    

    Muito boas ponderações, Bona. Em tempos de tantos “falsos profetas” que prometem adivinhar o futuro, suas colocações criteriosas e ponderadas, ,buscando ensinar a pescar e não prometendo o peixe, fazem um ótimo contraponto.
    Continue com o excelente trabalho.

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