Olá!

Para uma pessoa (ou empresa) que deseja fazer um determinado investimento, três questões são essenciais para orientar sua tomada de decisão:

  1. O investimento vai se pagar?
  2. O investimento vai aumentar o capital aplicado ou vai diminuí-lo?
  3. Esta é a melhor alternativa de investimentos?

Tais respostas são obtidas por meio de um processo chamado Análise de Investimentos. Ele é o estudo que avalia a aplicação de recursos, bem como as condições que o antecederam e seus resultados posteriores, com o objetivo final de proporcionar não só os melhores rendimentos, mas também outros aspectos atraentes, como liquidez e segurança, por exemplo.

As formas de analisar um investimento descritas abaixo referem-se a qualquer tipo de investimento, tais como: compra de empresas, quando uma empresa decide abrir uma nova unidade de negócios, expandir suas atividades e também para investimentos no mercado financeiro.

 

O que é análise de investimentos?

A análise de investimentos se baseia no emprego de técnicas contábeis e financeiras para identificar qual melhor alocação de investimento entre as diversas alternativas existentes. Ao se processar os dados, equações e cálculos relativos ao ativo, é possível enxergar se existe rentabilidade, de quanto ela pode ser e se o investimento está ou não dando certo.

Sendo assim, pode-se afirmar que essa análise é indispensável ao se considerar a realização de um investimento, pois ela demonstra ser claramente uma ótima ferramenta de apoio a decisão do investidor. Tendo em vista que todo investimento possui em si um risco envolvido, a análise de investimento contribuirá para minimizá-los, tornando a ação de investir mais lucrativa no longo prazo.

Os métodos mais comuns para a análise de investimento são:

  • Payback
  • Valor presente líquido – VPL;
  • Taxa interna de retorno – TIR.

1. Payback

O payback é o método mais básico para se avaliar a viabilidade de um investimento. Ele determina qual é o tempo necessário para se recuperar um investimento inicial. O seu cálculo é simples: para encontrar o período de payback de determinado investimento basta somar os valores dos rendimentos auferidos, período após período, até que a soma dos mesmos se iguale ao valor do investimento inicial.

Sua premissa principal é que quanto mais tempo o investidor precisar esperar para recuperar o investimento, menos atrativo ele fica e maior é possibilidade de prejuízo. É um método que fornece a medida de risco do investimento, pois o período de payback será proporcional a liquidez do investimento e, consequentemente, ao seu risco. Logo, se o período de payback for menor que o tempo máximo tolerável de recuperação do capital, o investimento é viável. Se o período de payback for maior que o tempo máximo tolerável de recuperação do capital, o investimento não é recomendável.

O payback não é o “melhor” método para ser usado nas análises, embora ele seja muito popular principalmente entre pessoas com pouca experiência em matemática financeira, devido a sua facilidade de uso. Sua principal desvantagem é não considerar em seu cálculo o valor do dinheiro no tempo, não descontando os valores de fluxo de caixa futuros. Com isso, ele acaba cobrindo apenas o período de tempo máximo aceitável, determinado de forma subjetiva pelo investidor, a partir do momento de entrada de capital até quando os retornos se igualam ao investimento ao ponto de equilíbrio da operação.

Outra desvantagem é que o payback ignora todo o retorno estimado para o projeto, não reconhecendo os fluxos de caixa que acontecem depois do período de recuperação do capital, ficando assim incompleto. Porém, uma forma de aprimorar a análise pelo do payback é tentar levar os saldos futuros do fluxo de caixa a um valor presente, por meio do método conhecido como análise de payback descontado.

 

2. Valor Presente Líquido

O Valor Presente Líquido (VPL) é considerado uma técnica de análise mais sofisticada do que o payback, justamente por considerar em seu cálculo o valor do dinheiro no tempo e poder ser aplicada a qualquer tipo de rendimento (convencional e não-convencional). Por meio dele, tanto as entradas como as saídas de capital são transportadas para valores atuais, podendo assim ser comparadas ao investimento inicial.

Com ele, os fluxos de retorno do investimento são descontados a uma taxa específica. Esta taxa, chamada de taxa de desconto, e se refere ao retorno mínimo que um investimento deve ter para ser considerado atrativo, de forma a cobrir o seu custo de oportunidade. Essa taxa, também conhecida como taxa média de atratividade (TMA) se baseia em fatores como objetivo do investimento, natureza do negócio, custo do capital, entre outros fatores.

Logo, quando o VPL for maior do que zero, atesta-se que o investimento é viável, pois ele é capaz de remunerar e garantir o capital investido de forma satisfatória. Se ele for igual a zero, o resultado é indiferente, pois prova que o investimento não representará nem lucro e nem prejuízo de capital. Ele não paga um “prêmio de risco” frente ao custo de oportunidade. Porém, quando o VPL for menor que zero, conclui-se que o investimento é inviável, porque os seus rendimentos futuros não serão suficientes para entregar uma rentabilidade acima do custo de oportunidade.

Entretanto, o método VPL também possui algumas desvantagens. A principal é por ele trabalhar com termos absolutos (unidades), ao invés de termos relativos (taxas), impossibilitando que ele seja usado para comparar situações em escalas diferentes. Da mesma forma investimentos que envolvam grandes quantias podem apresentar um VPL superior a investimentos menores, mesmo que eles não sejam melhores em termos relativos.

 

3. Taxa Interna de Retorno

A TIR, ou Taxa Interna de Retorno, é outra forma utilizada para a análise de investimentos. Ela é a taxa de desconto que iguala o VPL a zero, fazendo com que todas as entradas de capital igualem todas as aplicações. Sendo assim, ela complementa a análise de valor presente líquido e reflete os rendimentos reais proporcionados por um investimento em um determinado período.

Com isso o critério utilizado para a aceitação ou não de um investimento passa a ser o seguinte: se a TIR for maior que o taxa de retorno desejada, o investimento é lucrativo. Caso contrário, o investimento é considerado inviável.

A TIR possui como maior vantagem possibilitar a comparação de investimentos de diferentes tipos e de levar em conta prazo total e a escala dos mesmos, pois ela tem o caráter relativo, expressando seus resultados percentualmente, e não em valores absolutos, como o VPL. Normalmente a TIR não é calculada de forma manual, pois sua resolução envolve equações polinomiais. Ela não possui uma fórmula exata para ser encontrada de forma direta, mas permite que seu valor seja encontrado pelo método de tentativa e erro, ou pelo uso de softwares e algoritmos computacionais. Até mesmo numa calculadora financeira, como a HP12C, o cálculo é feito por tentativa e erro!

Esses são os três métodos de análise de investimentos mais comuns de serem utilizados. Porém, é importante ressaltar que tais análises muitas vezes serão apenas uma parte (geralmente pequena) do processo de tomada de decisões de investimento. Muitas vezes olhar apenas a rentabilidade não é o suficiente. As demandas individuais de cada investidor são amplas e complexas, envolvendo inúmeros outros critérios de análise que podem vir a ser relevantes, que não sejam relativos a própria rentabilidade. O importante é saber adequar a avaliação certa para cada situação, já que nenhum investimento será igual a outro, cada um irá demandar um tipo de análise diferente.

 

4. Os métodos de análise de investimentos e sua utilização no mercado financeiro

Quando falamos do mercado financeiro, normalmente utilizamos a TIR como referência, para saber qual é a rentabilidade de um investimento. Por exemplo: se um investimento rende 14,25% ao ano, então essa é sua TIR.

Já o VPL é muito utilizado por analistas de ações que utilizam a análise fundamentalista para tentar encontrar o chamado “preço justo” de uma ação.

Quando um investidor pretende realizar um determinado investimento para tentar obter um ganho maior, ele usa como custo de oportunidade, o CDI ou a Selic.

Mesmo que o investidor do mercado financeiro não conheça esses métodos de análise, intuitivamente, de alguma forma ele utiliza ao menos alguma dessas premissas acima.

Clareando esses conceitos, entendo que você poderá refinar sua forma de compreensão desse assunto.

Aprendeu como usar os métodos de análise para avaliar seus investimentos? Ficou alguma dúvida ou quer compartilhar alguma informação? Deixe seu comentário!

Grande abraço,

André Bona

Autor

André Bona

André Bona possui mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, tendo auxiliado milhares de investidores a investir melhor seus recursos e é o criador do Blog de Valor - site de educação financeira independente.

shadow

Posts relacionados

Comentários

  1. Rafael    

    Olá André, e qual melhor tipo de análise fundamentalista de empresas para investir em ações para longo prazo? Buy and Hold. Quais indicadores principais que devemos estudar de cada empresa? Obrigado desde já. Abraços.

  2. Rafael    

    Poderia dar um exemplo de VPL de alguma ação?

  3. Dérick    

    Parabéns pelas dicas, o blog é incrível.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *