COE: Entenda tudo sobre esse investimento

* Por Thiago Nigro – site: http://oprimorico.com.br/

Caro investidor,

Imagino que você já deva ter ouvido falar muito sobre as aplicações em bolsa de valores. É comum termos um amigo ou outro que gosta de especulação, day trade, ou até de operações com mini índice. Todas essas modalidades estão recheadas de incertezas e riscos, o que é responsável por afastar boa parte dos investidores brasileiros da bolsa. É bem mais comum que nos fixemos em um produto recheado de garantias, como é o Tesouro Direto. Mas você sabia que através de uma operação estruturada (COE) é possível termos um retorno equivalente a um investimento qualquer em bolsa, mas com a segurança de uma renda fixa?

É isso mesmo, utilizando-se da estrutura do COE podemos realizar investimentos em bolsa, mas sem correr os mesmos riscos que um investidor que compra diretamente um ativo e sem precisar fazer uma análise prévia. É obvio que um investidor de gabarito e com bons recursos é capaz de estruturar uma operação sem a utilização de um produto específico ou de uma mesa de operações, mas é extremamente raro encontrarmos pessoas com essas qualificações ou recursos, especialmente no Brasil.

1 – Entendendo o COE

O COE (certificado de operações estruturadas) é uma operação muito complexa que envolve a utilização de derivativos aliados a operações avançadas em bolsa. Meu intuito com este artigo não é te transformar em um operador de mesa de ações especialista em COE, mas que você conheça e entenda as vantagens que esse produto pode conferir à sua vida financeira.

Basicamente o COE é uma maneira de investirmos em qualquer ativo, sem correr o risco de vermos o nosso investimento perder valor. E quando digo qualquer ativo, é qualquer ativo mesmo. Podemos investir na bolsa americana, podemos comprar commodities, podemos investir em moeda estrangeira ou até em ações da bolsa brasileira. Ele pode ter exposição a variação cambial, pode ser seguro, pode ser alavancado… ufa, até fiquei sem fôlego.

Definitivamente o COE é uma das estruturas mais versáteis da bolsa de valores. Sendo assim, é comum realizarmos esse investimento nos baseando em emissores confiáveis. É muito comum vermos as equipes de bancos grandes realizarem esse tipo de serviço. Dito isso, fica a dica do Primo Rico para quando você for procurar por um COE, muito provavelmente você poderá contratar o produto por qualquer banco ou corretora, mas confira antes o emissor da operação. Todo o seu risco está nele. Se ele quebrar, ou se ele for incapaz, você perde a proteção da operação como um todo.

O sentido de se operar com um emissor bom é a análise que ele vai realizar do ativo. Muitas vezes ao investirmos em bolsa, nós acompanhamos o gráfico e ficamos de olho nas altas e baixas do mercado. Mas para realizar uma operação com um prazo maior, temos que ficar focados na análise dos fundamentos daquele ativo. É isso que um time de qualidade pode fazer.

2 – E praticamente, como é?

Para que você possa entender como o COE funciona imagine o seguinte: Ao realizar uma operação em bolsa o ativo que adquirimos pode valorizar ou desvalorizar, baseando-se no mercado. Imagine agora que ao realizar um COE, a mesa de operações que montou a operação, colocou duas barreiras horizontais no gráfico do ativo que estamos trabalhando, impossibilitando que o ativo flutue para além dessas barreiras (Note que esse é apenas um tipo de COE. É um dos mais simples que existem, além de ser o mais comum. Recomendo sempre que as pessoas interessadas no produto busquem investir em um COE com duas barreiras antes de tentar outros produtos.

Essas barreiras são formadas por opções que são um tipo de derivativos. Eles são utilizados como um gatilho para iniciar uma compra, ou venda dado certo valor de um ativo, por isso que podem ser usadas para formar essas barreiras. Elas não deixam os seu investimento ir pelo ralo.

Vamos colocar alguns valores nesse exemplo para ficar mais claro. Digamos que você entrou em um COE de Petrobrás. O COE vai vencer em 6 meses e ele estipulou que Petrobrás vai subir. No dia que você entrou no produto e ele deu o start, Petrobrás estava R$ 10. Como a operação é de capital protegido, já sabemos que você não vai perder nada, então a primeira barreira que os operadores colocaram foram a barreira de R$ 10, ou seja, para você, Petrobrás não vai ficar menor do que esse preço. Para termos um bom espaço de lucro nessa operação, os operadores colocaram uma barreira de alta de R$ 15, ou seja, para você Petrobrás nunca irá passar de R$ 15.

E o que acontece no fim de 6 meses? Vamos supor 4 situações diferentes aonde o preço de Petrobrás vai ser um ou outro:

  1. Petrobrás a R$ 8. Nessa situação a barreira de baixa serviu bem a você. Ao invés de perder R$ 2, você não vai perder nada, por causa dessa barreira.
  2. Petrobrás a R$ 12. Agora não importou muito não é mesmo? Você ganhou R$ 2 com essa operação, mas o ponto positivo é que nesses 6 meses de operação as suas noites foram mais tranquilas do que as dos operadores de Petrobrás, afinal seu capital estava protegido pela barreira de baixa. Ainda bem que você não precisou utilizá-la.
  3. Petrobrás a R$ 15. Novamente você não precisou utilizar-se da barreira de baixa. Além disso você bateu na de alta, o que significou que você não perdeu ganho nenhum.
  4. Petrobrás a R$ 17. Nesse momento você chegou a ter alguma perda. Infelizmente a sua barreira de alta impediu que você ganhasse R$ 2. Mas tudo bem, esse foi o custo de assegurar o seu dinheiro em um investimento em Petrobrás, que poderia ter dado muito errado, como qualquer outra aplicação em bolsa.

Acho que esse exemplo deixa claro o motivo de utilizarmos um COE. Através da barreira de baixa, podemos nos proteger de eventuais quedas infortunas. Mas agora você deve estar se perguntando:

E para quê a barreira de alta, afinal de contas?

Realmente parece não fazer sentido limitar os nossos ganhos. A barreira de baixa é bem óbvia, nós nunca queremos lidar com uma perda, mas se ganharmos cada vez mais, aí tudo bem. Na verdade o motivo é bem simples. Lembra-se que comentei que a operação estruturada é realizada com derivativos e outras operações? Pois bem, essas operações tem um custo à estrutura do COE. Essa barreira de baixa não é de graça. Se tivéssemos que pagar diretamente por colocarmos ela lá, teríamos que ter um ganho bem alto para compensar o custo dessa segurança toda. Sendo assim, nós colocamos a barreira de alta no nosso gráfico. Essa barreira é colocada através da venda de um derivativo, mas não vou entrar em detalhes.

Tudo o que precisamos saber é que essa venda, resultante na barreira de alta, é o que irá financiar a nossa barreira de baixa.

Se tivermos em mente que a operação pode resultar entre a barreira de alta e de baixa, então saímos com um lucro exponencial. Se ela extrapola a barreira de alta, nós deixamos de ganhar um pouco.

Ele não é de graça. Pense no custo de oportunidade.

Tudo parece muito simples até aqui. Temos barreiras que nos protegem de quedas e a operação tem custo zero! Basta investir que eu ganho, certo? Errado! Temos sempre que levar em conta um custo empírico de qualquer investimento e dessa vez não é diferente. Este custo é o chamado de custo de oportunidade.

Vou ilustrar para você possa entender com clareza: imagine que você tem um objetivo de viajar do ponto A até o ponto B. Existem 3 maneiras de realizar essa viagem, por barco, por avião ou por ônibus. Caso você escolha uma modalidade de viagem, as outras duas não estarão mais disponíveis para você. É como se elas fossem parte do custo da sua viagem. Em troca de escolher um modal de transporte, você “pagou” a oportunidade de viajar de qualquer outra maneira. E isso é valido para os pontos positivos e negativos desse custo. Por exemplo, digamos que você tenha escolhido ir de avião. Definitivamente é o meio mais rápido, mas também é o mais caro, além de não ser tão confortável. Nesse caso, o seu custo de oportunidade envolve uma viagem de ônibus, uma de navio e tudo o que se encontra envolvido nessas viagens, como o conforto do navio, o clima agradável de estrada do ônibus e assim por diante.

Com investimentos isso não é diferente. Se você opta por colocar R$ 15.000 em um COE ao invés de colocar o seu capital em um CDB que pague 100% do CDI, seu custo de oportunidade é o investimento no CDB. Digamos que isso aconteça e seu COE não renda nada. Podemos traduzir o seu custo de oportunidade para 100% do CDI, que é o rendimento do CDB.

No exemplo da viagem, o custo de oportunidade se mostrou através de algo físico. Quando falamos de investimentos, esse efeito se traduz como rentabilidade diretamente. Ao invés de ganhar X, você ganhou Y.

3 – Não se esqueça do Leão

Todo investimento em bolsa tem uma cobrança de imposto diferente do modelo de renda fixa, ou de investimentos convencionais. No mercado a vista, como chamamos a compra e venda de ações, o IR é de 15%, o que seria similar ao mínimo da tabela regressiva de impostos. No caso de realizarmos um Day Trade (uma operação aonde você compra e vende um mesmo ativo em um único dia), o custo é maior, pois foram realizadas duas operações quase que simultâneas, resultando em uma tarifa de 20% sobre o rendimento.

No caso das operações estruturadas elas obedecem à cobrança da renda fixa, uma vez que o modelo é de longo prazo. A tabela que se aplica é a regressiva, tendo seu início em 22,5% para até 6 meses, reduzindo para 20% 1 ano, 17,5% em 1 ano e meio e finalizando no mínimo de 15%.

4 – Pense em deixar o capital paradinho

Mais um ponto a se levar em conta e que devemos nos ater tanto para COE quanto para qualquer outro tipo de investimento é a sua liquidez. É obvio que diversificamos nossa carteira pensando sempre nas inconsistências da vida, aonde precisamos de capital no dia seguinte, ou apenas no ano seguinte. O COE deve entrar na parcela destinadas a investimentos sem liquidez, com finalidade para 6 meses a 3 anos. O produto pode variar dependendo da sua estrutura, mas é raro vermos um produto durar mais do que isso, tendo em vista que para realizar uma operação nós fazemos uma previsão mercadológica e quanto mais longo esse prazo, maior é a incerteza da operação.

5 – Por Que Investir em COE Pode as vezes não valer a pena?

Por ser um produto estruturado, as instituições que vendem COE podem obtém ganhos acima das demais modalidades de investimentos. Por isso o COE é muito interessante em termos de retorno para a instituição financeira. Isso ocorre porque os derivativos utilizados para a criação de um COE normalmente são ilíquidos e o custo da estrutura pode conter “gorduras” que inflam custos sem que o investidor perceba – tome cuidado!

Normalmente produtos estruturados como o COE geram também elevadas comissões aos distribuidores, assessores, Gerentes de Banco e Corretoras. Dessa forma, fique atento a esse detalhe, pois a oferta pode ser feita a você de maneira massificada, em busca de comissões. Cabe a você avaliar a pertinência ou não do produto na sua estratégia global.

O COE, embora normalmente contenha o componente de renda variável, tem um prazo determinado. Isso não condiz com um ponto específico e presente no investimento em bolsa, cuja natureza de oscilações é mais adequada para posicionamentos de longo. Por isso, o COE muitas vezes pode ter um mau resultado, sendo que as ações individualmente, podem se recuperar e performar melhor no longo prazo.

Pare e Reflita

Chegamos ao fim de mais um artigo elucidativo do mercado de renda variável brasileiro.

Nesse artigo que escrevi hoje, exclusivamente para o Blog de Valor, vimos que é possível realizar investimentos em bolsa com risco controlado. Vimos que é possível comprar um produto um pouco mais sofisticado que colocará um limite em nosso potencial de ganho, mas que também limitará nosso risco de perda nos nosso investimentos.

Grande abraço,

Thiago Nigro

 

Autor

Thiago Nigro

Empreendedor no Mercado Financeiro, Thiago Nigro é Sócio de um Escritório de Investimentos e Responsável pelo blog O Primo Rico, além de ser Educador financeiro e Assessor de Investimentos com o foco em ajudar seus leitores a Investirem Melhor.

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Comentários

  1. Solange    

    Adquiri um empréstimo.o no Bradesco totalizando 110.000;00 em 4 anos p pagar pessoa jurídica mas com a crise não estou conseguindo.queris uma ajuda e saber quanto tenho que guardar por mes e investir em q para quitar a dívida?

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