O boom de popularidade do Tesouro Direto nos últimos anos não é à toa: milhares de brasileiros estão descobrindo o quanto esse investimento simples e acessível pode ser lucrativo. Porém, nem todos sabem como escolher o título do Tesouro Direto.

Muitos olham a tabela do site do Tesouro e acabam escolhendo aleatoriamente seus títulos, motivados pelo ano de resgate ou pelas alíquotas de rentabilidade sem nem entender como funcionam na prática.

Neste texto explicaremos tudo que você precisa saber sobre este tipo de investimento e daremos 4 dicas sobre como escolher os títulos.

O que você precisa saber sobre o Tesouro Direto

Primeiramente, é preciso entender o que é a compra de títulos no Tesouro Direto. Imagine que funciona como um empréstimo que você faz para o Governo Federal e, em troca, ele lhe oferece uma rentabilidade.

Esse empréstimo é feito por meio do Tesouro Nacional, uma secretaria integrante do Ministério da Fazenda que cuida da contabilidade pública federal. Ela negocia títulos públicos, que são ativos financeiros de renda fixa emitidos por ela para financiar o Governo Federal. O Tesouro Direto é o nome do programa usado para realizar essas negociações.

Para comprar um título é utilizada a plataforma do Tesouro Direto, mantida pela Secretaria do Tesouro Nacional.

Se você já sabe o que é o tripé dos investimentos, saiba que o Tesouro Direto pode ser um investimento interessante em todos os três aspectos, especialmente quanto à segurança. Afinal, o emissor dos títulos é um órgão do Governo Federal, que tem arrecadação garantida pelo recolhimento de impostos e outras operações financeiras da Administração Pública.

O risco de calote é baixíssimo, pois o Governo também tem maneiras de ressarcir os investidores em caso de quebra, imprimindo mais papel-moeda.

Tipos de título

Quanto à liquidez e rentabilidade, cada título tem características peculiares. Existem dois grandes grupos de títulos: prefixados e pós-fixados.

Para entender a diferença entre eles, você deve saber que cada título possui seu próprio vencimento. Caso queira resgatá-lo antes do vencimento, a rentabilidade pode não ser aquela prevista. Além disso, a alíquota de imposto de renda incidente é maior, conforme explicaremos depois.

Entenda agora a diferença na previsão de rentabilidade de cada título:

Prefixados

São títulos cuja taxa de rentabilidade é previsível desde o momento da compra. No fim do prazo, você receberá o mesmo valor que investiu, acrescido da taxa de rentabilidade fixada previamente.

A promessa do Tesouro Nacional é de que a rentabilidade contratada será entregue no fim do prazo de vencimento. Antes desse prazo, o valor do título passará por flutuações. Logo, se você resgatá-lo antes, existe a possibilidade de a rentabilidade estar abaixo da prevista.

O lado positivo é que, ao escolher seu título, você já tem ideia de quanto ele renderá.

O lado negativo é que durante todo o tempo em que o seu dinheiro estará aplicado neste título, não estará protegido das variações da inflação. Ao resgatar seu título, este valor pode estar defasado.

Os títulos prefixados disponíveis para compra no Tesouro Direto são:

  • Tesouro Prefixado (LTN): o título mais previsível, que paga nada mais e nada menos do que o dinheiro que você aplica somado à taxa de rentabilidade e diminuído da alíquota do IR;
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F): paga a rentabilidade predeterminada mais um cupom extra de juros a cada seis meses, sendo que o IR incide também sobre esses rendimentos semestrais.

Pós-fixados

São títulos cuja taxa de rentabilidade não é completamente previsível desde o momento da compra. No fim do prazo, você receberá o valor que investiu acrescido da rentabilidade contratada e do percentual de algum índice financeiro, que pode ser a taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) ou IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Como esses índices variam diariamente (e até o vencimento a economia brasileira poderá passar por vários altos e baixos), sua única certeza é de que receberá o valor que aplicou corrigido pela taxa básica de juros (SELIC) ou pela inflação (IPCA), sem poder prever exatamente o quanto isso significa em termos de rentabilidade.

O lado positivo é que o dinheiro aplicado não estará defasado no momento do resgate do título.

Os títulos pós-fixados disponíveis para compra no Tesouro Direto são:

  • Tesouro Selic (LFT): indexa a rentabilidade do seu investimento à taxa SELIC, que é sempre positiva;
  • Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal): indexa a rentabilidade do seu investimento ao índice que mede a inflação, preservando o poder de compra do dinheiro;
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B): também soma a variação da inflação ao valor investido, mas paga um cupom semestral de juros, com o IR incidindo também sobre eles.

4 dicas sobre como escolher o título no Tesouro Direto

1. Entenda cada título

Alguns títulos se destacam pela liquidez, como o Tesouro SELIC, que não trará perdas caso você o resgate antes do vencimento.

Alguns se destacam pela rentabilidade nominal (como os títulos prefixados, que têm taxas de rentabilidade maiores que 10% ao ano, quase o dobro da poupança), outros pela rentabilidade real (como o Tesouro IPCA, que entrega um valor já atualizado conforme a inflação do momento) etc.

Busque conhecer cada um para saber qual é mais adequado para você. Se quiser saber mais, confira este bate-papo com o Professor Elisson de Andrade.

2. Identifique seu perfil de investidor

Você conhece o seu perfil de investidor?

O Tesouro Direto, em geral, é mais afeito aos investidores conservadores, devido a sua segurança. Porém, esses perfis têm graus de variação. Ninguém é tão conservador que não possa se arriscar um pouco, nem tão ousado que não possa se interessar pelo Tesouro Direto.

Identificar seu perfil vai ajudar a escolher o título mais adequado para o seu caso.

Investidores conservadores costumam se sentir mais seguros com os títulos prefixados, pois não se sentem confortáveis com a ideia de não saber quanto vão receber ao fim do prazo.

Investidores que são conservadores, mas topam certa imprevisibilidade a fim de evitar perdas, costumam optar pelo Tesouro Selic, já que a taxa SELIC é sempre positiva e este é considerado o investimento mais seguro dentre os títulos públicos pós-fixados.

Já os investidores moderados ou mais ousados podem gostar do Tesouro IPCA, que é mais volátil, mas pode render mais.

3. Defina seu propósito

Qual é seu objetivo ao investir? O objetivo que você quer conquistar com o retorno do seu investimento é determinante para escolher o título, principalmente devido ao resgate.

Se a intenção é complementar sua renda atual, um título com juros semestrais pode ser interessante. Dependendo de quanto vai investir, se a rentabilidade se mostrar interessante após descontar o IR de cada cupom, essa pode ser uma boa forma de ter rendimentos complementares para ajudar com suas despesas semestrais, ou até mensais, se você comprar 12 títulos como esse.

Se sua intenção é financiar a festa de formatura do seu filho daqui 10 anos, não é interessante comprar um título do Tesouro IPCA 2035, por exemplo, pois ao resgatá-lo em 2027 você corre risco de ter perdas.

Se, mesmo assim, você ainda não conseguir se definir com clareza, um investimento como o Tesouro SELIC pode ser uma alternativa melhor, já que não traz perdas em caso de resgate antecipado.

4. Faça as contas!

A principal matemática para prestar atenção é a da rentabilidade após a incidência do imposto de renda. A alíquota de IR obedece a uma tabela progressiva que acompanha o prazo de resgate do título.

Para valores resgatados em aplicações de até 180 dias, a alíquota é de 22,5%. De 180 até 360 dias, 20%. De 361 a 720 dias, 17,5%. Acima de 720 dias, 15%.

Alinhe o seu objetivo ao cálculo da rentabilidade após o desconto do IR e verifique se o investimento compensa.

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Autor

Redação Blog de Valor

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