As fintechs têm avançado ano após ano no Brasil. No início de 2017 havia mais de 240 destas empresas no mercado brasileiro. Muita gente, no entanto, ainda não conhece estas startups inovadoras, que chegam ao mercado para solucionar problemas e oferecer serviços de alta tecnologia comuns ao setor bancário de maneira eficientes e menos burocrática.

E foi pensando nisso que o Blog de Valor decidiu produzir uma série inédita sobre fintechs. Hoje você vai conhecer o perfil de mais uma destas startups, que têm facilitado a vida do consumidor e resolvido suas dores no segmento dos serviços que, até pouco tempo atrás, eram oferecidos exclusivamente por grandes instituições bancárias.

Saiba um pouco mais sobre a fintech Navarra Technologies, que aproveitou-se de uma lacuna no mercado de negociações de alta freqüência no Brasil para construir seu negócio e gerar lucros.

Raio-X: Navarra Technologies

A ideia de criar uma startup surgiu em um bar onde, após muitos encontros e cervejas, os amigos economistas Daniel Barra e Eduardo Fonteles perceberam a necessidade – e a oportunidade – de criar uma empresa com foco no mercado financeiro  – área de atuação de ambos – que pudesse ter, como carro-chefe, a tecnologia.

Alinhados quanto à sinergia de metas, objetivos e visão de negócios, Barra e Fonteles começaram a estudar algoritmos de negociação que, na época, estavam em alta nos Estados Unidos. “Buscamos informações e identificamos um gap gigante entre o que havia no Brasil e o que havia lá fora, apesar da demanda ser, em suas devidas proporções, bastante semelhantes – explica Daniel Barra, sócio-fundador e diretor executivo da Navarra.

O segundo passo foi, de acordo com Barra, escolher a dedo os melhores profissionais em suas áreas e fechar o time de sócios, que hoje é composto pelos amigos Daniel Barra – especialista em investimentos certificado pela ANBIMA – e Eduardo Fonteles – economista e sócio da Clamber Investimentos, por Márcio Weck – desenvolvedor e especialista em sistemas de previsão baseado em inteligência artificial e Rodrigo Gruber – especialista em microestruturas de mercado.

A fintech deu seus primeiros passos na sala do apartamento de Barra, a partir de alguns computadores e uma mesa de reunião construída pelos próprios sócios.

A solução do problema

Por meio de modelagem matemática avançada, inteligência computacional e análise de microestruturas de mercado, a Navarra Technologies desenvolveu métodos de trading avançados, com objetivo de preencher uma grande lacuna do mercado nacional no campo de negociações de alta freqüência.

“O mercado de negociações de alta freqüência no Brasil é dominado por players estrangeiros, que adaptam modelos que funcional lá fora para o mercado brasileiro”, explica Barra. De acordo com o diretor executivo da empresa, a Navarra Technologies é a única empresa que desenvolve modelos algorítmicos de alta complexidade de ponta a ponta, baseado no mercado local.

“Até onde conhecemos, somos a única empresa que desenvolve estes modelos de alta complexidade, que atuam desde a captação do dado, interpretação, tomada de decisão até a execução da operação na bolsa, baseando-se sempre no mercado local, que possui diversas particularidades em relação ao mercado do exterior”, disse.

Segundo Barra, o modelo de negócios da Navarra Technologies é pautado no desenvolvimento de sistemas para operação de capital da própria empresa. “Não vendemos, licenciamos ou gerimos recursos de terceiros. Nosso faturamento é oriundo do lucro que as operações extraem do mercado, e a dor que resolvemos é a assimetria de informações que existe entre nós e os grandes players do mercado”.

O cenário atual

De acordo com o diretor executivo da empresa, a Navarra Technologies recebeu sua primeira rodada de investimentos, da Darwin Starter – uma das maiores aceleradoras de fintechs do Brasil – e o negócio já está em operação. Atualmente, a equipe da empresa trabalha dentro do espaço da aceleradora na Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE)  – polo tecnológico de Florianópolis.

A maior dificuldade da empresa é, segundo Barra, “encontrar pessoas que entendam profundamente do mercado no qual atuam, fazer benchmark (processo de busca de melhores performances e desempenho) em outras empresas e buscar insights sobre o que funciona ou não”. Isso acontece porque, de acordo com o diretor executivo da companhia, o mercado no qual atuam é bastante restrito e proprietário, por se tratar de uma tecnologia de ponta.

“Sempre faço comparações ao mercado de procura de petróleo: pode ser difícil mensurar quando se encontrará um poço, qual será seu custo e quais caminhos aumentam essa probabilidade. Mas, devido a esta dificuldade, quando se encontra, é muito rentável”, pondera.

Projeções para o futuro

Apesar de não abrir os resultados da empresa até aqui, os planos da Navarra Technologies são ambiciosos. Segundo Daniel Barra, a meta é conseguir extrair cerca de R$ 100 mil mensais no mercado até o final de 2017, e movimentar cerca de R$ 100 milhões por dia em negociações.

Para o futuro, a fintech projeta alcançar uma conectividade igualmente veloz ou mais rápida que grandes players do mercado, alcançando maior capacidade de inteligência para retirar um volume de lucro cada vez maior no mercado financeiro. “Também planejamos diversificar nossos mercados, incluindo também outros países emergentes e criptomoedas”, finaliza Barra.

Serviço:

Navarra Technologies

Site: www.navarratech.com

Autor

Luana Neves

Jornalista e redatora. Atuou como editora de Economia no Jornal DG e Revista Quem é Quem - Economia, assinou por três anos coluna diária de Economia e já produziu conteúdo para diversos portais de notícias do Brasil.

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