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O desenho de uma estratégia de investimentos não se limita à definição de uma lógica de alocação. Também é essencial acompanhar a evolução dos seus resultados e, para isso, elementos como a taxa de juros real são relevantes.

Ela ajuda a colocar os seus rendimentos, especialmente na renda fixa, sob outra perspectiva. Desse modo, você poderá ter uma visão mais clara da performance em determinado período e saberá quais foram os impactos da inflação sobre o seu patrimônio.

Neste artigo, você entenderá mais sobre o conceito de taxa de juros real, quais são suas diferenças para a taxa nominal e qual a importância dela para seus investimentos. Prossiga a leitura!

O que é a taxa de juros real?

Quando se fala em taxa de juros no mundo dos investimentos, a referência é ao potencial de retorno que eles podem gerar. Por exemplo, um título de renda fixa prefixado é aquele em que a taxa é definida de antemão e imutável.

Nesse caso, se um investidor aplica em um título com vencimento em 2 anos e juros de 10% ao ano, ele consegue projetar quanto receberá no vencimento. Já no caso de títulos pós-fixados, o potencial depende das variações do indexador ligado a ele.

Entretanto, é fundamental saber que os retornos são referentes à rentabilidade bruta. Em diversos casos, haverá o recolhimento direto na fonte de alíquotas do Imposto de Renda (IR) — que variam conforme o tempo que o dinheiro ficou aplicado.

Mas junto de tributos, você pode analisar os retornos sob outras óticas, como ao considerar o seu poder de compra. Assim, a taxa de juros real representa o rendimento do investimento corrigido pela inflação no período.

Qual a diferença entre taxa de juros real e nominal?

Compreendido o conceito de taxa de juros real, a diferença central entre ela e a nominal está na consideração da inflação. No caso de investimentos, a taxa nominal é aquela que apresenta o potencial de retorno — conforme suas regras de rentabilidade — ou o resultado obtido considerando apenas os ganhos.

A taxa de juros real, como você viu, é ajustada pela inflação para incorporar as mudanças no poder de compra na hora de analisar os resultados. Logo, ela tende a fornecer uma imagem completa do retorno do investimento.

Qual a diferença entre taxa de juros real e Selic?

É importante destacar que a taxa de juros real também é distinta da Selic. Essa segunda é a taxa básica de juros no Brasil e um dos principais instrumentos da política monetária definida pelo Banco Central (Bacen).

A taxa Selic serve, por exemplo, para controlar a inflação. Se o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial dela no Brasil, sobe, a taxa básica de juros tende a ser elevada para conter o avanço dos preços.

Além disso, a Selic é um dos indexadores de rentabilidade de investimentos pós-fixados. Outro indicador comum, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), tem percentual próximo a ela — normalmente variando sob as mesmas condições.

Portanto, no que tange aos investimentos, a Selic é uma taxa nominal. Afinal, ela apresenta o quanto um título poderá gerar em rendimentos ao longo daquele período. A taxa real colocará esses retornos em perspectiva, considerando a inflação e seus efeitos no poder de compra.

Como calcular a taxa de juros real?

Após entender mais detalhes sobre a taxa de juros real, é preciso saber como se dá seu cálculo. Isso acontece porque muitos investidores podem acreditar que basta subtrair da taxa nominal a inflação acumulada no período.

Contudo, essa é uma abordagem equivocada. Na verdade, a fórmula para encontrar a taxa de juros real é a seguinte:

(1 + R) = (1 + in) / (1 + j)

Veja o que cada item significa:

  • in: taxa nominal;
  • r: taxa real;
  • j: inflação.

Para entender melhor, considere que você fez um investimento prefixado com taxa nominal líquida de 10% — ou seja, descontando impostos e taxas. No período, imagine que a inflação foi de 4%. Nesse caso, a equação será:

(1 + 0,10) = (1 + r) x (1 + 0,04)

O resultado do cálculo será 0,05769. Logo, em vez dos 10% iniciais, o seu retorno corrigido pela inflação foi de 5,77% — não os 6% que resultariam da subtração simples. Então seu poder de compra foi mantido e você teve um ganho real acima disso.

Vale destacar que o resultado do cálculo pode ser negativo. Nessa situação, ele mostrará que seus retornos foram insuficientes para bater a inflação e sua rentabilidade real foi negativa. Ainda, é relevante lembrar que você precisará descontar impostos e taxas para saber seu retorno líquido.

Qual a importância dessa taxa nos investimentos?

Agora que você sabe como calcular a taxa de juros real, verá que ela é um elemento valioso para analisar seus resultados no mercado. Confira a importância de incluir esse cálculo na sua estratégia de investimentos!

Avaliação do desempenho real

A taxa de juros real fornece uma medida mais precisa do desempenho real das suas aplicações. Isso significa que você pode identificar se os retornos estão crescendo em termos de poder de compra ou não.

Quando a taxa é positiva, seu investimento está superando a inflação e protegendo seu poder aquisitivo ao longo do tempo. Caso você veja que a performance foi negativa, pode ser interessante analisar novas alternativas para compor a carteira visando retornos reais, combinado?

Tomada de decisão estratégica

Conhecer a taxa de juros real também ajuda na tomada de decisões para suas aplicações, principalmente em renda fixa. Inclusive, isso pode ser útil antes mesmo de avançar com o investimento.

Por exemplo, você pode analisar qual o retorno esperado de um título e compará-lo com as projeções para a inflação — como aquela informada no Boletim Focus do Bacen. Assim, será possível fazer movimentações mais estratégicas pensando nos seus objetivos.

Diversificação da carteira

Ainda, o cálculo da taxa de juros real contribui com a diversificação da sua carteira. Afinal, você pode buscar diferentes alternativas do mercado para conseguir obter retornos com aumento do poder de compra.

Uma forma é por meio de investimentos com diferentes regras de retorno — como pós-fixados e prefixados. Títulos híbridos, que costumam seguir índices de inflação, também podem ser alternativas estratégicas, já que eles também trazem uma taxa prefixada, que promove o ganho real.

Por fim, se houver alinhamento com seu perfil de risco, é possível fazer movimentações na renda variável, como com ações e certos fundos de investimento. Apesar de mais arriscados, eles tendem a ter um potencial de ganhos mais altos.

Neste artigo, você entendeu mais sobre o conceito de taxa de juros real e a importância dele para seus investimentos. Sabendo que não é estratégico avaliar apenas os juros nominais, é possível montar uma carteira mais sólida.

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