O Banco Central (BC) está avaliando a implementação de mudanças no parcelamento de compras no cartão de crédito que poderia afetar diretamente o consumidor e o comércio em geral. A ideia é oferecer uma espécie de crediário para compras a prazo no cartão de crédito e cobrar juros mensais pelo parcelamento – onerando ainda mais o consumidor.

A proposta em pauta no BC – apresentada pela Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) – prevê a cobrança de uma taxa de 3% ao mês para compras parceladas, que, atualmente, são oferecidas pelo comércio sem a incidência de juros.

O projeto, na prática, poderia impossibilitar o comércio de oferecer a opção de parcelamento sem juros ao consumidor – que representa mais de 50% das compras realizadas com cartão de crédito no país atualmente, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Internet (Abranet), Eduardo Parajo. A porcentagem equivale a R$ 400 bilhões – ou 7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Proposta da Abecs

A proposta apresentada ao Banco Central pela associação que representa as empresas de cartões de crédito e serviços brasileiras sugere uma espécie de volta do crediário para compras no país, que seria oferecido por meio do cartão de crédito em um sistema aliado ao cadastro positivo. O parcelamento, portanto, poderia ser condicionado ao perfil do consumidor.

Nesta semana, a Abecs – que é composta, majoritariamente, por grandes bancos – disse que a implementação de cobrança de juros para compras parceladas no cartão seria uma alternativa ao parcelamento sem juros, que ainda poderia existir.

Vale lembrar que as principais instituições financeiras do país possuem cerca de 78% de participação do mercado de máquinas de cartão de crédito e 93% do mercado de emissão de cartões, de acordo com informações do CardMonitor e de balanços dos próprios bancos.

Prejuízos ao comércio e ao consumidor

Entidades como a Associação Brasileira de Internet (Abranet), a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), a União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) condenaram a iniciativa. Segundo as associações, a cobrança de 3% de juros sobre o parcelamento traria prejuízos ao comércio e ao consumidor, que está acostumado a realizar compras em parcelas.

De acordo com Eduardo Parajo, presidente da Abranet, o parcelamento sem juros no cartão poderá resultar, além de um desaquecimento da economia e a volta do cheque pré-datado – que onera o lojista, em um maior endividamento do consumidor. “Um parcelado com cobrança de juros ao consumidor encarece o uso do cartão e, por isso, há retrocesso e risco de maior endividamento do consumidor”, disse.

Para ele, a proposta também dificultaria a operação de muitas fintechs que oferecem serviços de cartão de crédito e outras soluções inovadoras para o consumidor e aumentam a competição nos setor de serviços financeiros.

Rotativo e juros de parcelamento

É importante ressaltar que, caso a cobrança de juros sobre o parcelamento no cartão de crédito seja implementada pelo Banco Central,  o consumidor continuará exposto aos juros já cobrados pelo parcelamento da fatura do cartão de crédito e pelo uso do rotativo do cartão. Em janeiro de 2018, os juros do rotativo do cartão de crédito ficaram em uma média de 334,6% ao ano no país.

Por isso, é importante que o consumidor utilize o crédito com consciência – seja para compras parceladas no cartão ou à vista – e evite utilizar o rotativo do cartão ou o parcelamento de faturas.Quer saber como usar o cartão de crédito com responsabilidade? Clique aqui e descubra!

 

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Autor

Luana Neves

Jornalista e redatora. Atuou como editora de Economia no Jornal DG e Revista Quem é Quem - Economia, assinou por três anos coluna diária de Economia e já produziu conteúdo para diversos portais de notícias do Brasil.

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