A caderneta de poupança teve, entre os meses de janeiro e novembro, o melhor rendimento desde 2006, de acordo com um levantamento realizado pela empresa de análise financeira Economatica. Segundo a pesquisa, o rendimento do investimento mais popular entre os brasileiros no período foi de 3,82% – já descontada a inflação.

A oferta dos melhores rendimentos aos investidores em mais de uma década, no entanto, não é motivo para grandes comemorações. Isso porque, na comparação com outras aplicações em renda fixa com baixo risco, os ganhos com a caderneta de poupança ainda são muito baixos.

Ainda de acordo com a Economatica, o Certificado de Depósito Bancário (CDB), com rendimento de 100% do CDI, por exemplo, teve rendimento de 6,67% entre os meses de janeiro a novembro deste ano, também já descontada a inflação do período. Um ganho quase 80% superior ao rendimento da caderneta de poupança.

Caderneta de poupança x CDB

Em uma situação hipotética, na qual o investidor realizasse um aporte de R$ 50 mil na poupança no início do ano para resgate em novembro, a poupança entregaria um rendimento de cerca de R$ 1,9 mil ao final do prazo.

Já uma aplicação financeira de mesmo valor em um CDB que pague 100% do CDI com resgate no mesmo período, por exemplo, ofereceria ao investidor, no vencimento, cerca de R$ 2,6 mil – já descontando a alíquota de 20,5% de Imposto de Renda – para resgates entre 6 e 12 meses.

É importante ressaltar que, quanto maior o prazo de resgate do CDB, menor é a alíquota de Imposto de Renda aplicada sobre os lucros da aplicação. Clique aqui e conheça as principais características do Certificado de Depósito Bancário.

Por que não vale a pena investir na poupança?

A baixa rentabilidade da caderneta de poupança é o principal motivo pelo qual este investimento não é a melhor opção para quem deseja aplicar seu dinheiro. Existem, no entanto, muitos outros motivos que fazem da poupança uma opção ruim para qualquer investidor. Conheça alguns destes motivos:

Perda da rentabilidade devido à inflação

Em períodos de inflação mais elevada, o consumidor que deixa seu dinheiro aplicado na poupança está, na verdade, perdendo capital.

A rentabilidade real corresponde ao valor do rendimento mensal do investimento descontada a taxa de inflação. Em tempos de inflação alta, esse percentual pode facilmente superar os rendimentos da poupança, resultando em uma situação na qual os preços aumentaram mais do que o seu patrimônio acumulado.

A conclusão é que, se a inflação aumenta, o consumidor tem que pagar mais pelos mesmos produtos e serviços que satisfazem as suas necessidades do mês, ou seja, seu poder de compra diminui e a poupança não consegue suprir essa diferença.

Não há investimento sem risco

Há um mito muito grande entre os investidores de que a poupança está imune a qualquer tipo de risco. Entretanto, apesar de o risco ser baixo, há sim a possibilidade de perda do dinheiro caso o branco quebre.

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) garante aos investidores valores de até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira. Isso quer dizer que, se o investidor aplicou valores superiores a esse limite de garantia em uma única instituições, poderá ter sim um grande prejuízo se a instituição financeira vier a falir.

O risco, portanto, sempre existirá, seja na caderneta de poupança ou em qualquer outra aplicação financeira.

Alternativas à Poupança

Muitos investidores aplicam dinheiro na caderneta poupança por não terem grandes quantias de capital quando estão começando seus investimentos. Por isso, o senso comum acredita que a poupança é a única opção para quem tem pouco dinheiro.

Esta crença, no entanto, não está em linha com a realidade. Há outras alternativas para pequenos investidores, como o Tesouro Direto, que são títulos da dívida pública com valores mínimos para aplicação a partir de R$30. O investimento pode ser feito por qualquer pessoa física pela internet com baixíssimo risco e rentabilidade melhor do que a poupança.

Os CDBs também são opções interessantes para quem não tem muito dinheiro para investir, mas que busca investimentos que ofereçam uma rentabilidade superior à poupança. No Brasil, bancos menores costumam pagar uma porcentagem superior a 100% do CDI para determinadas aplicações em CDBs, o que pode ser bastante vantajoso para o investidor.

E você, ainda investe na caderneta de poupança? Deixe seu comentário aqui no post!

Autor

Luana Neves

Jornalista e redatora. Atuou como editora de Economia no Jornal DG e Revista Quem é Quem - Economia, assinou por três anos coluna diária de Economia e já produziu conteúdo para diversos portais de notícias do Brasil.

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