Regularmente lemos notícias sobre mudanças na carteira recomendada de uma instituição financeira ou empresa de análise. A modificação mais regular encontrada, nestes casos, é a mudança de preço justo de uma ação.

O analista, via de regra, altera o status do acompanhamento entre as opções: comprar, manter ou vender. Mas, como são realizadas estas alterações? E como é feito o cálculo do preço justo de uma ação? É sobre isso que falarei no artigo de hoje.

Calculando o preço justo de uma ação

O preço justo de uma ação reflete a opinião do respectivo analista, materializando um preço para a ação com base em uma estrutura de conjunturas e premissas. Esse processo chama-se avaliação de empresas ou valuation.

Vamos entender um pouco mais os ingredientes de uma boa avaliação:

Para começar, o analista possui uma planilha de Excel, onde ele imputa suas premissas: variáveis, como crescimento das vendas, margens operacionais, investimentos, entre outras. Com base nessa cesta de ingredientes, a planilha calcula uma estimativa de um fluxo de caixa futuro para a empresa.

Além da projeção, a planilha também traz os fluxos financeiros, estimados no passo anterior, a valor presente com base em uma taxa de desconto. No processo de valuation, esse é um ingrediente fundamental, porque materializa o risco percebido pelo analista naquele respectivo negócio. Quanto mais incerto ele considera o futuro da empresa, mais alta ele fixa essa variável.

Financeiramente, pode-se dizer que a taxa de desconto materializa o custo de oportunidade daquele negócio, ou seja, quanto eu quero receber ao menos para ficar investido naquela companhia.

Então temos já aqui alguns ingredientes de uma avaliação: as projeções e taxa de desconto. Para concluir temos que considerar também o crescimento estável e o risco aceitável para essa empresa quando ela estiver completamente “madura”. Esse ingrediente exclusivamente seria mais do que o suficiente para um artigo inteiro.

Avaliando o preço justo de uma ação

A combinação dos ingredientes é feita na horada leitura da avaliação. O responsável deve se indagar se as projeções e estimativas realizadas são:  possíveis, plausíveis e prováveis. Nesse ponto também é revista toda a narrativa (história) da companhia e previsões de crescimento para a economia e o setor.

Concluída a receita, pode-se então usufruir do resultado: o preço justo serve de termômetro para avaliar, por exemplo, a compra de uma ação. Quando o preço desse ativo está, por exemplo, 10% mais barato do que o preço na bolsa de valores, pode-se acreditar que a ação está em uma faixa de COMPRA. A partir de 10% para cima pode-se considerar como zona de VENDA.

Essa é apenas uma das aplicações para as técnicas de Valuation. Separação de bens, IPO, fusões e Aquisições são outras áreas que precisam de usar essas técnicas financeiras.

Se você já é investidor ou pensa em investir em breve em ações, conhecer as técnicas de valuation e o processo de cálculo do preço justo de uma ação são passos importantes a serem dados, uma vez que poderão ajudar você a fundamentar suas decisões na hora de formar uma carteira de ações mais sólida, composta por boas empresas e bons fundamentos.

Autor

Giacomo Diniz

Economista pela USP e professor de finanças por vocação. Hoje é CEO da plataforma de Análise Fundamentalista PROFundamentos. Também atua como professor de investimentos na B3 Educação e de finanças no IBMEC-SP.

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