Na contramão das demais agências de classificação de risco, a Moody’s reafirmou, na última segunda-feira (9), a nota do Brasil em Ba2 e mudou a perspectiva do rating brasileiro de negativa para estável. A decisão da agência de apostar em um cenário melhor para o Brasil no curto e médio prazo surpreendeu os economistas e analistas do mercado.

Em comunicado, a agência Moody’s informou que a decisão de melhorar a perspectiva da nota de crédito do Brasil foi pautada nas expectativas de aprovação das reformas fiscais pelo próximo governo a partir de 2019 e no crescimento econômico do país mais forte que o esperado no curto e médio prazo.

“A Moody’s acredita, em resumo, que os riscos negativos para o crescimento e as incertezas relacionadas ao ímpeto para reformas, que levaram à atribuição da perspectiva negativa para o rating Ba2 em maio do ano passado, diminuíram”, disse a agência.

A agência projeta um crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2,8% em 2018 e 2019. Para os anos seguintes, as projeções apontam um avanço de 2,5%. Para a Moody’s, a queda dos juros, o aumento da demanda por crédito e melhores perspectivas no mercado de trabalho deverão sustentar um ambiente econômico mais favorável para o Brasil.

A disposição da Moody’s – uma das três maiores agências de classificação de riscos do mundo –em manter o rating brasileiro e elevar a perspectiva da nota do crédito do Brasil surpreendeu os economistas e analistas do mercado, que esperavam um corte do rating do país – assim como fizeram outras agências de risco.

Nota de crédito do Brasil

As notas de crédito são atribuídas pelas agências de classificação de risco a países e empresas em todo o mundo. Quanto melhor a nota, menor as chances de calote – apontando, consequentemente, para investimentos mais seguros e juros menores para o investidor.

Nos primeiros meses do ano, duas agências de classificação de risco já haviam rebaixado a nota de crédito brasileira: S&P e Fitch. Enquanto a S&P rebaixou a nota do Brasil logo no mês de janeiro por conta das dificuldades na aprovação de reformas, a Fitch informou o rebaixamento do país em fevereiro, após confirmação do adiamento da votação da Reforma da Previdência.

A manutenção do rating do Brasil pela Moody’s e a mudança da perspectiva da nota de crédito de negativa para estável – na contramão das demais decisões das agências de risco quanto à economia brasileira – dá um “voto de confiança” ao país e faz com que um possível rebaixamento da nota brasileira saia, ao menos por enquanto, do radar da agência.

Nota da Petrobras avança

A Moody’s também decidiu elevar nota de crédito da Petrobras em um nível, que passou de Ba3 para Ba2, com perspectiva estável.  Segundo a agência de classificação de risco, a decisão sobre a nota da estatal reflete as “contínuas melhoras na posição de liquidez e redução de sua alavancagem”.

Para a Moody’s, a Petrobras “mostrou ter disciplina em competir por lucratividade no mercado de combustíveis local e em melhorar suas políticas financeiras”. A agência destacou, ainda, o refinanciamento das dívidas da estatal brasileira e o fortalecimento da liquidez da companhia.

Com a mudança, a Petrobras deixa de ocupar um degrau abaixo da nota de crédito brasileira e passa a ter o mesmo rating que o Brasil na Moody’s, em Ba2.

 

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Autor

Luana Neves

Jornalista e redatora. Atuou como editora de Economia no Jornal DG e Revista Quem é Quem - Economia, assinou por três anos coluna diária de Economia e já produziu conteúdo para diversos portais de notícias do Brasil.

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