29/08/2017

A Netflix – um dos serviços de streaming mais conhecidos de todo o mundo – conquistou milhões de clientes mundo afora desde seu surgimento, no ano de 2007, e ganhou reconhecimento mundial ao oferecer produções exclusivas de excelente qualidade aos seus clientes. O que poucos sabem é que uma dívida bilionária da companhia tem gerado preocupação no mercado quanto ao futuro da empresa.

De acordo com uma reportagem do jornal Los Angeles Times, divulgada neste mês, a Netflix atingiu a impressionante soma de US$ 20,5 bilhões em dívidas – a serem pagas no longo prazo. Segundo a empresa de streaming, no entanto, esta dívida seria bem menor: cerca de US$ 4,8 bilhões. Apesar da quantia mais baixa, os números ainda representam um enorme desafio a ser superado pela companhia.

As informações da publicação mostram que a Netflix têm aumentado exponencialmente seus gastos com produções originais, e que projeta gastar – até o final de 2017 – mais US$ 2,5 bilhões para produzir séries e filmes próprios. Os valores dos gastos da gigante de streaming são bem maiores que o montante gasto no mesmo período no ano passado: US$ 1,7 bilhão.

Entre as produções originais mais caras para a companhia estão as séries “Orange is The New Black”, “House of Cards”, “The Crown”, entre outras. Além disso, de acordo com o jornal norte-americano, uma grande quantidade de dinheiro está sendo usada pela Netfliz para produzir filmes de grandes nomes de Hollywood e do cinema mundial, como Martin Scorsese, Adam Sandler, entre outros – que costumam garantir excelentes audiências.

Mercado em alerta

O maior receio do mercado é a criação de uma bolha envolvendo a Netflix. De acordo com fontes da indústria cinematográfica entrevistadas pela publicação de Los Angeles, a possibilidade de audiências mais fracas em relação às produções mais caras do serviço de streaming pode resultar em perda de novos clientes e impactar as finanças da companhia.

Além disso, existem diversas outras situações que podem resultar na perda de receitas. Na primeira quinzena de agosto, por exemplo, o anúncio do fim da parceria da Disney com a Netflix – que resultará na saída de produções da Marvel, Disney e LucasFim (Star Wars) do catálogo da Netflix em algum momento – fez com que as ações da gigante de streaming caíssem mais de 2,5% em um único dia.

O outro lado

Em nota após a divulgação da dívida bilionária que a empresa possui no longo prazo, a Netflix esclareceu que o valor de US$ 20 bilhões calculado pelo Los Angeles Times considera as obrigações de transmissão (e contratos de conteúdo com estúdios, por exemplo)  – e que chegam a US$ 15,7 bilhões – como parte da dívida. Segundo o serviço de streaming, esta informação não procede, já que este montante se refere a gastos futuros com conteúdos, que deverão também gerar resultados.

De acordo com a Netflix, a dívida total bruta da empresa chega a US$ 4,8 bilhões, ante o valor de mercado de cerca de US$ 75 bilhões – registrado em julho deste ano. O CEO da companhia, Reed Hasting, disse que a imensa quantidade de capital investido nas séries da empresa terá retorno por muitos anos seguidos. Segundo ele, um rápido crescimento da companhia resultará em novas produções originais e em uma receita maior.

Apostas para o futuro

A fim de superar a perda de parceiros importantes –  como a Disney e a FOX – em seu catálogo de filmes e séries, a Netflix confirmou, há duas semanas, a contratação de Shonda Rhimes –responsável por produções de sucesso da televisão mundial, como as séries Scandal, How to Get Away with Murder e Grey’s Anatomy. A empresa de Rhimes – ShondaLand – passa agora a produzir atrações exclusivas para a plataforma, em mais uma aposta do serviço de streaming para manter e captar novos assinantes.

Atualmente, a Netflix possui cerca de 104 milhões de usuários em todo o mundo, e acumula 91 indicações ao prêmio Emmy – apenas 19 indicações a menos que a líder de indicações, HBO – com 110 indicações.

Autor

Luana Neves

Jornalista e redatora. Atuou como editora de Economia no Jornal DG e Revista Quem é Quem - Economia, assinou por três anos coluna diária de Economia e já produziu conteúdo para diversos portais de notícias do Brasil.

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