Ao escolher a alocação de sua carteira, muitos investidores procuram investimentos com garantias para se sentirem mais seguros. É o caso dos investimentos em títulos que tem a cobertura do FGC, o Fundo Garantidor de Crédito.

Você pode saber que o FGC protege alguns papéis do mercado. E as aplicações mais comuns contempladas são:

  • LCI – Letra de Crédito Imobiliário;
  • LCA – Letra de Crédito do Agronegócio;
  • CDB’s;
  • Saldos de contas.

É possível, entretanto, que existam alguns pontos que você ainda não conhece sobre o Fundo Garantidor de Crédito. É sobre eles que falaremos no artigo de hoje.

A proteção do FGC

A proteção do FGC significa que depositantes e investidores têm um valor limite de recursos garantidos em caso de insolvência de instituições financeiras. Hoje, o valor de garantia vigente é de 250 mil por conglomerado financeiro, por CPF. Sendo possível a consulta detalhada dessa garantia no site do FGC.

A partir de dez de 2017, foi implementado o teto de R$ 1 milhão, a cada período de 4 anos, para garantias pagas para cada CPF ou CNPJ.

Porém, além dessa regra básica que a maioria dos investidores já conhece, existem alguns aspectos do Fundo que devem ser analisados para que você decida se a garantia do FGC é crucial para a escolha de um investimento.

4 Coisas que você não sabe sobre o Fundo Garantidor de Crédito

Confira agora 4 coisas que você talvez ainda não saiba sobre o FGC e aprenda a analisar de forma mais sólida se um investimento com proteção do fundo, de fato, vale a pena.

1)      Qual o tamanho do FGC?

Primeiro, vamos pensar no tamanho do FGC. Você já parou para pensar em quantos reais estamos falando?

Hoje, estima-se que o FGC tenha o valor de 60 bilhões de reais em ativos para proteger e ressarcir investidores em caso de necessidade.

Em 2018, foi publicada a nova resolução Bacen 4.653, que altera a vigente ajustando a contribuição ordinária, estabelecendo uma contribuição adicional que iniciará em janeiro de 2020, e que altera o estatuto e o regulamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Está previsto um ajuste na meta de porte do patrimônio do fundo, criação de reserva contábil destinada a custear as operações com as instituições financeiras que designa e a alteração de regras relativas à sua governança.

Ou seja, podemos perceber que as contribuições dos associados, os saldos e a governança do fundo estão sendo constantemente acompanhados e revisados. Sem esquecermos, claro, que os principais (em volume) contribuintes do fundo são as grandes instituições financeiras do país, já que as contribuições ordinárias são % de saldos.

Hoje, de acordo com o Art. 3º da resolução supracitada, “O FGC terá como meta a manutenção de sua liquidez em montante equivalente a 2,5% do total dos saldos das contas cobertas pela garantia, no conjunto das instituições associadas”. O excedente a este valor comporá reserva contábil, denominada Fundo de Resolução (FR).

A resolução determina, ainda, que a meta de liquidez do FGC e do FR deverá ser revisada a cada 4 (quatro) anos.

2)      Como é feito o recebimento da garantia?

Assim que o Banco Central decreta uma intervenção de uma instituição é designado um interventor, para administrar a liquidação. É feito um inventário e é disponibilizado ao FGC a relação dos investidores e o valor que cada um deve receber.

De posse dessa informação, o FGC elege um banco pelo qual processará os pagamentos. As informações de pagamento serão disponibilização tanto pelo fundo quanto pela instituição sob intervenção.

De acordo com o calendário previsto, os investidores contemplados deverão comparecer à instituição pagadora para receber.

Importante observar que não existe um prazo previsto do pagamento da garantia, nem nenhuma lei ou resolução que o defina. Esse prazo será de acordo com o desenrolar do inventário e envio desta informação ao fundo, sendo esse provavelmente o processo mais demorado.

Os últimos casos de pagamento de garantias englobam bancos como BVA S.A.; Banco Prosper; Banco Cruzeiro do Sul; Banco Neon; Banco BBC (Brasileiro Comercial), e tiveram um tempo médio de 3 meses para pagamento.

3)      O FGC garante mesmo?

Ultimamente tem se espalhado algumas análises dos valores do FGC e se ele realmente seria suficiente para cobrir eventuais quebras.

No cenário de investimentos atuais, a afobação por parte de alguns atores do mercado para mostrar que uma carteira de investimentos deve ir além de títulos com essa garantia, a fim de se conseguir melhores rentabilidades ( já que investimentos atrelados a CDI não estão performando bem) faz com que esse questionamento, um tanto quanto raso, seja jogado ao público.

Os mesmos que lançam luz sobre esse tema hoje, eram os mesmos que defendiam que seus títulos de renda fixa deviam ser distribuídos em bancos pequenos, até R$ 250 mil, a fim de ganhar alguns pontos percentuais a mais de rentabilidade, dentro do limite de garantia.

É importante saber que o trabalho de monitoramento feito pelo Banco Central é muito forte. Em caso de indício de uma insolvência existe uma atuação preventiva.

Foi possível notar ainda, na resolução vigente 4653, que os parâmetros do fundo são constantemente avaliados, de forma a serem efetivos. E que as próprias instituições são as associadas e contribuintes, portanto, as maiores interessadas em manter a segurança.

4)      Você deve procurar aplicações com garantia do FGC?

O ponto principal de uma carteira de investimentos não deve ser o enquadramento no FGC.

De acordo com toda a orientação que procuramos fornecer por aqui, uma carteira saudável deve buscar um mix de produtos que atenda seus objetivos com o seu dinheiro, de prazos e de acordo com seu perfil e tolerância ao risco. Não se deve buscar pelo produto.

As principais garantias de seus investimentos serão o conhecimento dos ativos que escolheu, a clareza de suas entregas e possibilidades para atender seus objetivos.

Além disso, a principal garantia de um título, (e até de um saldo em conta) sempre será a solidez da instituição financeira. Lembre-se que o FGC atua como fortalecedor dessa rede de garantia.

Conclusão

O Fundo Garantidor de Crédito é uma importante engrenagem do sistema financeiro brasileiro, contribuindo para sua solidez e bom andamento e desempenho.

Por seu aspecto ‘securitário’, nunca terá realmente em caixa valor igual ou bastante próximo ao de todas as instituições e papéis os quais ele protege. Porém, que seguradora trabalha dessa forma? Não haveria sentido no negócio.

Portanto, é importante sabermos que o FGC é sólido, tem suas reservas de acordo com estudos e análises matemáticas do que seja suficiente para cumprir seu papel. Contudo, como sempre colocamos por aqui, sua carteira de investimento dele levar em conta prioritariamente outros pontos, como seus objetivos.

Para saber sobre os principais fatores a se considerar ao montar sua carteira, leia sobre o método que irá consolidar suas decisões de investimento.

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Autor

Daniela Viola Bona

Especialista em Finanças e Economista pela UFES (ES). Especialista em Comportamento Organizacional. Atua no mercado financeiro há 10 anos. Realiza atividades de educação e treinamento como professora/instrutora na área de banking/economia.

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