23/08/2017

O anúncio da privatização da Eletrobras,que foi feito oficialmente pelo governo na manhã de ontem (22), agitou o mercado financeiro. Após a confirmação dos planos do governo, o Índice Bovespa atingiu o maior nível dos últimos seis anos, enquanto o valor de mercado da empresa avançou R$ 9,13 bilhões em um único dia.

A possibilidade de uma privatização da estatal foi divulgada pelo Ministério de Minas e Energia na segunda-feira (21), mas foi confirmada pelo governo somente na manhã do dia seguinte. De acordo com o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, a privatização da Eletrobras poderia resultar em uma queda nos valores das contas de luz no Brasil.

O objetivo da privatização da Eletrobras – que ainda não foi detalhada pelo governo, no entanto, é reforçar o caixa e melhorar as contas da companhia, que vem dando prejuízo. Apesar de não ter informado qual fatia da Eletrobras será vendida, o Ministério de Minas e Energia estima uma arrecadação de R$ 20 bilhões com a operação.

Dívidas bilionárias

Ainda que a Eletrobras seja responsável por 32% da geração de energia no Brasil, e por 47% das linhas de transmissão no país, as contas da companhia estão no vermelho desde 2012. No segundo trimestre deste ano, a dívida da empresa ultrapassava os R$ 23 bilhões – impedindo que a Eletrobras pague dividendos à União, o que não acontece desde maio de 2014.

Atualmente, a União possui 51% das ações ordinárias da Eletrobras – com direito a voto, e uma fatia de 40,99% no capital da companhia. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o BNDESPar detêm, juntos, mais 18,72% do capital total da empresa. A ideia do governo é justamente realizar uma redução da participação da União no capital da estatal.

Ações e valor de mercado disparam

O anúncio da privatização da Eletrobras fez o valor de mercado da companhia aumentar R$ 9,13 bilhões na sessão da última terça-feira, elevando o valor de mercado de R$ 20,17 bilhões – registrado na segunda-feira (21) – para R$ 29,30 bilhões no pregão seguinte, de acordo com informações da B3 (antiga BM&FBovespa).

As ações ordinárias da companhia, que dão direito a voto aos investidores, subiram 49,3% na sessão de ontem, para R$ 21,20. Já as ações preferenciais, que oferece aos acionistas prioridade no recebimento dos dividendos, avançaram cerca de 32%, chegando a R$ 23,55.

O movimento de ascensão também impulsionou o índice Ibovespa, que fechou em alta de 2,01% na última terça-feira (22), a 70.011 pontos – o maior patamar de fechamento desde janeiro de 2011.

Eletrobras em números

Fundada em 1962, a Eletrobras é uma empresa de capital aberto, controlada pelo Governo Federal e que atua nas áreas de geração, transmissão e distribuição de energia. É considerado o maior grupo do setor elétrico da América Latina, com receita líquida anual de R$ 60,7 bilhões e mais de 24,5 mil funcionários.

A companhia controla 13 subsidiárias do segmento de energia no país, além de um centro de pesquisas (Eletrobras Cepel). A estatal também detém metade do capital de Itaipu Binacional e possui uma participação indireta em mais de 170 Sociedades de Propósito Específico (SPE), acrescida de participações minoritárias em 25 outras sociedades.

Novas privatizações

A desestatização da Eletrobras pode não ser a única proposta de privatização do governo. A expectativa é que outras medidas sejam anunciadas em breve pelo governo, com o objetivo de estimular a economia e arrecadar dinheiro para diminuir o rombo das contas públicas.

De acordo com o jornal O Globo, o governo deve anunciar, ainda nesta quarta-feira (23), uma proposta que prevê a venda ou concessão ao setor privado de cerca de 58 projetos, que deverão se juntar à Eletrobras e ao Aeroporto de Congonhas – que foi incluindo recentemente na lista de privatizações.

Ainda segundo a publicação deverão entrar na lista de concessões ou venda novos aeroportos, terminais portuários e rodovias. A Casa da Moeda, Companhia Docas do Espírito Santo e do Maranhão, e outras empresas públicas poderão ser vendidas ou extintas, enquanto o Parque Olímpico do Rio de Janeiro deverá ser concedido à iniciativa privada.

Autor

Luana Neves

Jornalista e redatora. Atuou como editora de Economia no Jornal DG e Revista Quem é Quem - Economia, assinou por três anos coluna diária de Economia e já produziu conteúdo para diversos portais de notícias do Brasil.

shadow

Posts relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *