O investimento em ações exige a realização de uma análise fundamentalista para que seja possível compreender riscos e oportunidades. Porém, além dos indicadores financeiros adotados, é preciso considerar outro critério: o free float.

Responsável por apontar a liberdade de circulação de ações de uma empresa, ele ajuda a evitar companhias com baixa liquidez ou com risco de fechamento do capital. Porém, é necessário saber como utilizá-lo para que as informações que ele fornece sejam avaliadas adequadamente.

Neste artigo, você entenderá o que é o free float e como ele pode ser usado em suas análises de ações. Confira!

O que é free float?

De modo livre, “free” pode ser traduzido como “livre”, enquanto “float” corresponde à “circulação”. A tradução dos termos ajuda a indicar o que ele representa no mercado financeiro. Na prática, o free float de ações representa o percentual de ações que estão em livre circulação no mercado.

Então, quanto maior for o free float de uma empresa, maior é o número de ações que estão disponíveis para compra dos investidores.

Como funciona esse conceito?

Para compreender o free float em ações, é fundamental descobrir como ele é calculado. Nesse caso, as ações livres desconsideram aquelas que estão em posse dos controladores, administradores e donos da empresa.

Também são desconsideradas as ações que fazem parte da tesouraria da companhia e as preferenciais de classe especial. Para calcular a livre circulação, é necessário usar a seguinte fórmula:

Free float = (Número de ações negociáveis no mercado / Total de ações da empresa) x 100%

Assim, quanto mais próximo de 100% for o resultado, maior é a livre circulação no mercado de ações. Por outro lado, quanto mais próximo de 0%, menor é a disponibilidade de negociação.

Qual a diferença entre ações ON e PN?

Ao considerar esse indicador, é válido fazer cálculos separados para ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN). Você sabe a diferença entre elas? As primeiras dão direito a voto, enquanto as segundas priorizam os investidores na distribuição de alguns pagamentos, como os dividendos.

Dessa maneira, considere o volume em circulação de cada tipo de ação ao fazer o cálculo. Com o resultado será possível verificar se a circulação é maior entre as ações ordinárias ou preferenciais ou se há um equilíbrio, por exemplo.

Por que conhecer o free float?

Agora que você sabe como calcular o free float, é fundamental entender a relevância de conhecer esse conceito. O ponto mais importante é que o indicador demonstra qual é a abertura do capital social de uma empresa.

Assim, quanto maior for o free float, maior é a disponibilidade de negociação dos papéis. Isso tem um impacto prático no investimento no mercado de ações e em sua carteira de ativos.

Por exemplo, ele afeta a liquidez das ações. Isso porque, quanto maior o resultado, maior tende a ser o volume de negociação na bolsa de valores. Logo, os investidores têm mais liberdade e facilidade de negociação, sem que fiquem dependentes dos controladores e acionistas majoritários.

O indicador ainda fornece indícios sobre a manutenção da abertura de capital. Nesse caso, um free float elevado aponta para uma dificuldade para realizar o fechamento de capital, já que seria necessário dispor de uma quantidade muito elevada de dinheiro.

Em contrapartida, um resultado baixo pode ser indício de que a empresa pode fechar o capital em breve. Isso pode interferir na sua tomada de decisão, tendo em vista que é mais comum investir em papéis que permaneçam em negociação no mercado.

Além disso, a análise estratificada entre ações ON e PN traz insights igualmente relevantes. Se o free float de ações preferenciais for muito mais alto que o de ações ordinárias, a abertura de capital pode não ser tão intensa.

Afinal, o resultado significa que há pouca disposição para receber os votos dos acionistas minoritários, por exemplo.

Qual é o free float mínimo exigido?

Como o free float é um conceito tão importante no investimento em ações, os órgãos reguladores e a própria bolsa de valores determinam regras quanto ao valor mínimo. Na B3, que é a bolsa brasileira, o parâmetro mínimo é de 25% de circulação.

Assim, é possível analisar as empresas quanto a esse indicador e saber quais são as melhores oportunidades.

Como o free float se relaciona à governança corporativa?

Por falar nas regras determinadas pela B3, você deve saber que o free float é uma condição diretamente ligada à governança corporativa.

Isso acontece porque ele é um dos critérios para a inclusão das empresas nos segmentos de listagem, que classificam os empreendimentos de acordo com o nível de governança corporativa que apresentam.

O Novo Mercado é a classificação mais elevada e envolve empresas que divulgam informações além das exigidas para companhias de capital aberto. Essa prática tem como objetivo proporcionar mais transparência.

Além disso, o negócio listado deve ter capital social exclusivamente composto por ações preferenciais. Outro critério é se comprometer a manter o nível mínimo de free float em 25%, em diversas situações.

Portanto, considerar o free float também é importante para quem deseja priorizar o investimento em governança.

Como usar a livre circulação de ações na sua composição de carteira?

Tão necessário quanto conhecer esse conceito, é perceber como ele pode ser aplicado na tomada de decisão. No momento de escolher ações, o free float pode ser um integrante da sua análise fundamentalista.

Para tanto, você pode começar as análises com a seleção e comparação de indicadores financeiros para encontrar alternativas que se mostrem como boas oportunidades. A partir de então, é possível refinar suas escolhas com o free float.

Entre duas empresas com fundamentos semelhantes, por exemplo, existem investidores que escolhem aquela com maior free float, já que, provavelmente, terá mais liquidez. Logo, o conceito pode e deve ser usado de modo estratégico.

Porém, como visto, o free float não deve ser o único critério de decisão. Há muitos outros aspectos que são relevantes porque apresentam diversas perspectivas do negócio e de sua saúde financeira. Portanto, faz mais sentido adotá-lo de maneira complementar em suas análises.

Com essas informações, você já sabe como funciona o free float e como usá-lo em uma análise criteriosa para escolher as ações. Assim, é possível dar prioridade a papéis líquidos e com maior potencial de permanecerem em negociação no mercado.

Ainda tem dúvidas a respeito da livre circulação de ações? Aproveite o espaço nos comentários para falar do assunto!

Autor

Equipe André Bona

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