4 minutes

O fordismo é um modelo de produção muito conhecido e que exerce influência até os dias de hoje. A maioria provavelmente já leu ou estudou a respeito do assunto, mas será que você realmente entende como ele funciona?

Conhecer a fundo esse modelo ajuda a entender, principalmente, a forma como o trabalho se comporta, não só na indústria mas como um todo.

Por isso, reserve alguns minutos e confira um pouco sobre o fordismo, quais suas características e sua influência na sociedade atual!

O que é o fordismo?

O fordismo foi um modelo de produção em massa baseado na linha de produção criada por Henry Ford. Foi essencial para a organização do processo produtivo e fabricação de baixo custo dos produtos, bem como na acumulação de capital.

Surgimento

No final do século XIX, a Segunda Revolução Industrial fez aumentar significativamente a demanda e a produção de mercadorias. E, obviamente, o número de fábricas e indústrias ao redor do mundo.

Essa época foi marcada pelo surgimento de diversas inovações, que tinham como objetivo atender essa enorme demanda. A ideia era aumentar ainda mais a produção em um menor espaço de tempo.

Assim, surgiu o primeiro modelo de produção industrial, o taylorismo. Frederick Taylor criou um sistema que baseava a produção no tempo de movimento dos trabalhadores, criando um mecanismo que adaptava o colaborador ao tempo da máquina. Dessa forma, havia mais produtividade, menos desperdícios e interrupções.

Em 1909, o empresário Henry Ford resolveu melhorar as ideias de Taylor e as adaptou para o ramo automotivo – mas especificamente para a Ford Motor Company, em Detroit, nos Estados Unidos.

Seu modelo revolucionou a maneira como a indústria produzia suas mercadorias. No taylorismo, as fábricas adaptavam as máquinas aos funcionários, mas isso não fazia a produção ser tão alta quanto imaginavam. Ford percebeu essa debilidade e criou diversas técnicas para proporcionar uma produção mais rápida e barata.

Quais as características do Fordismo?

Quando adaptou as ideias de Taylor, Ford excluiu do processo todos os componentes artesanais e implementou uma total automatização dos processos industriais. Confira abaixo algumas características desse modelo de produção:

Padronização da produção

Ford criou padrões nos seus veículos e introduziu máquinas que cortavam e moldavam todos os componentes dos automóveis, diminuindo os erros humanos.

Esteira rolante e linha de montagem

Uma das principais e mais marcantes inovações do fordismo foi em relação à linha de montagem, que tinha uma esteira rolante que levava o produto até o operário encarregado de trabalhá-lo.

Assim, o operário apenas ficava em seu posto parado, esperando seu produto. Dessa forma, os colaboradores ficavam realizando movimentos simples, mecanizados e repetitivos.

Essa esteira controlava o tempo de produção na indústria. O trabalhador ficava parado e o automóvel se movia até o final da linha de montagem.

Redução no tempo de produção

Como os operários realizavam movimentos repetitivos, o modelo reduziu o tempo de produção de um automóvel. Enquanto antes um carro levava cerca de 500 minutos para ficar pronto, na Ford esse tempo chegou a ser 2 minutos.

Divisão de tarefas

Na esteira fordista, cada um tinha uma função específica, o que aumentava a produtividade e reduzia os custos.

Redução no valor dos produtos e produção em massa

Os veículos da Ford puderam ser negociados a preços menores, pois os custos eram menores. Graças a isso, o modelo T foi muito adquirido na época.

Quais os pilares do fordismo:

O fordismo tem três pilares: intensificação, economicidade e produtividade. Entenda cada um deles abaixo:

Intensificação

O objetivo é reduzir o tempo de produção e da colocação da mercadoria no mercado ao máximo que puder.

Economicidade

O fordismo tinha como intuito reduzir ao máximo as peças no estoque, pois mercadoria parada resulta em perda de dinheiro.

Ainda, era importante diminuir o custo do produto. Tanto que os carros da Ford eram todos pretos, pois era a cor mais econômica que havia.

Produtividade

Como o trabalhador executava a mesma atividade repetidas vezes, acabava adquirindo melhores habilidades e passava a desempenhar o trabalho de maneira mais eficiente, como um especialista.

Assim, seu trabalho acaba sendo melhor do que de alguém com prática genérica.

O que é toyotismo e como ocorreu o declínio do fordismo?

O fordismo foi um sucesso e tornou o modelo T o mais comum nos Estados Unidos, chegando a ser exportado para a Europa.

Entretanto, o fordismo apresentava falhas. Ele fazia acumular grande estoque de produtos, principalmente por causa da produção em massa e barata. Isso fez com que houvesse um acúmulo de mercadorias e uma crise ocasionada pela superprodução.

A superprodução se deu porque muitos produtos estadunidenses eram vendidos para a Europa depois da Primeira Guerra Mundial. Contudo, na década de 1920, a Europa conseguiu se reestruturar e passou a comprar menos do país norte-americano.

As empresas estadunidenses não frearam a produção, o que ocasionou um aumento significativo nos estoques. Afinal, as vendas não eram tão altas como antes.

Contudo, o modelo foi utilizado até meados de 1970, quando começou a cair em declínio por causa da rigidez do método produtivo. Além disso, a entrada dos japoneses no mercado automobilístico modificou a forma como as empresas produziam.

Os japoneses ficaram responsáveis por introduzir o toyotismo, que é o sistema da Toyota de produção. Tal sistema demonstrou ser mais adequado e tecnológico, destacando-se pelo uso da robótica e eletrônica.

No toyotismo, os funcionários são especializados e responsáveis pela qualidade do produto final. Ao contrário do Fordismo, não se podia fazer estoque de produtos. A fabricação acontece apenas quando há demanda e não há excedente de produção. Assim, havia economia no armazenamento e aquisição de matéria prima.

Na década de 1970 e 1980, a Ford perdeu o posto de primeira montadora para a General Motors. Anos depois, a Toyota chegou a se tornar a maior montadora do mundo.

Qual a influência do fordismo na sociedade atual?

Apesar de ter perdido espaço para o toyotismo, o fordismo ainda exerce influência no modo de produção nos dias de hoje.

Há ainda indústrias de diversos setores que adotam o modo fordista, realizando produções em massa, adotando técnicas para baratear o processo e o produto e colocando no mercado o mais número de bens possíveis para tentar vender a maior quantidade que puder.

O fordismo foi um importante modelo de produção que, mesmo que seja um pouco obsoleto (com o toyotismo se apresentando como uma solução mais otimizada e atualizada), continua presente em diversas empresas que ainda tem como objetivo principal a produção em larga escala.

Gostou de aprender um pouco mais sobre o fordismo? Continue seu aprendizado sobre temas relacionados à economia e confira quem foi Adam Smith e qual sua importância!

Share.

O Portal André Bona é um site de educação financeira independente, que tem como missão auxiliar pessoas e famílias a melhor compreender o mercado financeiro e seus produtos. Assine nossa newsletter!

2 Comentários

Leave A Reply