“Por que os meus investimentos estão rendendo tão pouco?” Certamente você já se fez essa pergunta nos últimos tempos ou conhece alguém que tem comentado sobre isso, não é mesmo?

O que será que está ocorrendo? Provavelmente, o motivo seja a curva percorrida pela Renda Fixa nos últimos meses (e anos!), que influencia diretamente todos aqueles investidores que têm seus recursos nesses tipos de títulos.

Mas, primeiro, vamos entender então o que são esses títulos de Renda Fixa? Continue a leitura e saiba mais!

Os títulos de Renda Fixa

Quando tratamos de Títulos de Renda Fixa privados, os mais comuns no mercado são os papéis emitidos por bancos. Atualmente, os títulos mais representativos são: o CDB (Certificado de Depósito Bancário), e as Letras de Crédito: LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio).

Os títulos de Renda Fixa têm uma característica principal: você deixa seu dinheiro na instituição financeira – em um depósito a prazo – e ela lhe entrega um título com um prazo e rendimento pactuados, que é o tanto que a instituição lhe pagará por você investidor deixar seu dinheiro com ela em determinado espaço de tempo. Esse rendimento pactuado é, de forma mais comum, atrelado a um percentual do CDI.

E o que é o CDI?

Seu assessor de investimentos ou gerente de banco já deve ter tentado explicar que o CDI é um índice muito utilizado em finanças como base de comparação de rendimentos – o famoso benchmark. E que se trata do “Certificado de Depósito Interbancário”

Na prática, no entanto, o CDI pode ser conceituado como a taxa que os bancos trocam dinheiro/títulos entre eles.

Aprofundando o conceito, imagine assim: todos os dias os bancos fecham suas contas – assim como um bar ou um restaurante, que faz seu fechamento de caixa.

Essas contas precisam fechar, não é mesmo? Caso uma conta de um banco não feche, ele teria como caminho pedir emprestado o valor faltante ao Banco Central – o “pai” dos Bancos.

Ocorre que pequenos ajustes diários são necessários e os bancos resolvem essas diferenças em um nível abaixo do Banco Central, ou seja, entre eles mesmos. Assim, há uma troca da Instituição superavitária com a instituição deficitária.

Caso fosse feito no Banco Central, esse “empréstimo” cobraria a taxa SELIC.Mas, como os bancos resolvem em casa, entre irmãos, sem ir ao pai Bacen, eles as realizam por uma taxa geralmente um pouco menor, (senão faria mais sentido ir direto ao Bacen).

Esta taxa, no entanto, é bem próxima à Selic, que é o parâmetro principal utilizado neste tipo de transação. Daí surge o CDI, que tem como lógica principal acompanhar de perto a SELIC.

O CDI e os rendimentos dos Títulos de Renda Fixa

Agora que você entendeu de onde vem a taxa que parametriza os rendimentos nos Títulos de Renda Fixa, vamos analisar um histórico do CDI:

2019 2018 2017 2016 2015
Janeiro 0,543 0,5833 1,0846 1,0549 0,9293
Fevereiro 0,4935 0,4649 0,8638 1,0014 0,8185
Março 0,4688 0,5315 1,0504 1,1605 1,0361
Abril 0,5175 0,7852 1,0544 0,9482
Maio 0,5175 0,9255 1,1074 0,9838
Junho 0,5175 0,8081 1,1605 1,0658
Julho 0,5422 0,7971 1,1074 1,1773
Agosto 0,5669 0,8014 1,2135 1,1074
Setembro 0,4681 0,6377 1,1074 1,1074
Outubro 0,5430 0,6431 1,0474 1,1077
Novembro 0,4935 0,5674 1,0368 1,0551
Dezembro 0,4935 0,5376 1,1217 1,1613
Total 1,5129 6,4209 9,9250 13,9982 13,2386

Dados: B3 – Disponível em www.b3.com.br

 

Conforme vemos na tabela acima, em um período de 2015 até 2019, é notável verificar um movimento de queda na taxa CDI nos últimos anos, especialmente em 2017 e 2018. Verifique que esta taxa estava em 13,24% a.a em 2015; 13,99% a.a. em 2016; 9,92% a.a. em 2017; 6,42% a.a. em 2018; e finalmente, 1,51% acumulado no 1º trimestre de 2019.

Agora, voltando aos Rendimentos dos Títulos de Renda Fixa, reflita: se os títulos pagam um percentual sobre o CDI, um percentual sobre algo menor só pode ser menor, correto?

Um título pactuado a 90% do CDI se comportou como nesse tempo?

Quando o mercado entregou um CDI de 13,99% a.a. o 90% representava 12,59% a.a!

E esse pode ter sido o rendimento bruto de vários investidores no Brasil no ano de 2016. Mais de 1% a.m. Esse mesmo título, na mesma instituição, em 2017 já resultou em outra realidade. Agora, os 90% incidiram em cima de 9,92%a.a, portanto, 8,92% a.a. de rendimento bruto em 2017.

E finalmente, em 2018, 90% de 6,42%, representou um rendimento bruto de 5,77%. Nem 0,5% a.m.!

O título é o mesmo – assim como a instituição financeira, que não mudou os parâmetros do título para pagar menos para o investidor. O percentual pactuado é o mesmo, porém incidindo sobre um índice menor.

Agora fica mais fácil entender os motivos pelos quais os títulos de Renda Fixa estão rendendo menos, não é verdade?

Renda Fixa x Segurança

Os Títulos de Renda Fixa têm como característica principal a segurança, com parâmetros pré-determinados. Portanto, quando o investidor tem grande parcela de seus investimentos em títulos de renda fixa, ele deve fazê-lo por acreditar em priorizar segurança em detrimento de tentativas de auferir maiores rendimentos.

Da mesma forma, se o investidor decidir correr riscos maiores para tentar auferir maiores rendimentos, ele deve estar ciente de que está abrindo mão da segurança e muitas vezes da liquidez também. E isso independe dos juros que estão sendo pagos neste ou naquele investimento.

 

Os reflexos  da queda da rentabilidade na Renda Fixa

Uma flutuação no CDI, via de regra, refletirá também em produtos financeiros que não são exatamente títulos de Renda Fixa, mas fazem uma “cesta de produtos” que tem, em sua composição, esses títulos. Os mais populares nesse sentido são os Fundos de Investimento de Renda Fixa, que tem majoritariamente títulos de renda fixa em sua “cesta” ou carteira.

Como o rendimento será composto pelo rendimento dos produtos da cesta, a curva do CDI terá grande influência sobre a rentabilidade total do portfólio do fundo.

Assim como no intervalo de tempo considerado nesse artigo, no qual cenário apresentou uma queda do CDI, em cenários econômicos que mostram uma curva de tendência de alta da Selic – e alta do CDI, os títulos de Renda Fixa tendem a entregar um melhor resultado de rentabilidade.

Logo, uma taxa Selic alta tende a produzir maiores ganhos com investimentos mais conservadores e acabam concentrando os recursos dos agentes superavitários da economia – os investidores e os poupadores – mais no mercado financeiro do que no mercado real, uma vez que esses agentes se sentem desestimuladas a encarar maiores riscos já que observam bons rendimentos sem corrê-los.

E o que isso impactaria a economia do país? Esse já é um assunto para um próximo artigo.

Conclusão

O importante, contudo, é que você compreenda o impacto da curva percorrida pelos títulos de Renda Fixa nos últimos meses e anos na rentabilidade da sua carteira.

Somente a partir do entendimento sobre como funcionam os rendimentos dos Títulos de Renda Fixa o investidor conseguirá ter uma visão mais abrangente do seu portfólio e tomar as melhores decisões de investimento, sempre mantendo o foco no seu perfil enquanto investidor e nos seus objetivos pessoais.

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Autor

Daniela Viola Bona

Especialista em Finanças e Economista pela UFES (ES). Especialista em Comportamento Organizacional. Atua no mercado financeiro há 10 anos. Realiza atividades de educação e treinamento como professora/instrutora na área de banking/economia.

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