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Olá!
Quando falamos de análise fundamentalista, frequentemente associamos tal análise a estratégia de buy and hold. O entendimento geral sobre o buy and hold é o de comprar ações e segurá-las para o longo prazo, sob a expectativa de que, no longo prazo, as empresas sempre se valorizem e que isso supostamente superaria as oscilações presentes no curto prazo.
Entendendo melhor o buy and hold
Porém, se não nos aprofundarmos no conceito do buy and hold, poderemos simplificá-lo demais e acabar pensando em “hold”, mas agindo no “forget”. E é muito importante observar que hold é totalmente diferente de forget.
Uma das premissas do “buy and hold” é o de comprar ativos de excelentes empresas e segurar essas ações por um período de tempo indefinido, enquanto a empresa continuar a apresentar excelência operacional.
E isso não é a mesma coisa? Lógico que não. Neste caso, o hold não significa manter indefinidamente nem sob qualquer circunstância as ações das empresas escolhidas em carteira. Além disso, não é válido para “qualquer empresa”, mas sim para “excelentes empresas”.
E o que faz de uma empresa, uma excelente empresa?
Outro equívoco que pode ser cometido na avaliação dos fundamentos de uma empresa, é analisá-la somente do ponto de vista de suas finanças, seus resultados e sua gestão. É muito importante observar que as empresas estão inseridas dentro de um ambiente macroeconômico e que esse ambiente se transforma diariamente, criando uma infinidade de novas oportunidades ou mesmo encerrando longos ciclos de sucesso. Isso significa que não é porque um negócio seja excelente há muito tempo, que continuará sendo.
No cenário micro, os gestores podem mudar, troca de executivos, presidentes, falecimento dos fundadores e uma série de acontecimentos que podem impactar os resultados de uma empresa.
Dessa forma, o que faz uma empresa excelente, são suas perspectivas para o futuro, considerando o cenário macro, o impacto desse cenário no setor onde a empresa está inserida e, finalmente, a capacidade de gestão do negócio.
A visão top-down na análise fundamentalista
A visão top-down é justamente o que falamos anteriormente:
- Análise macroeconômica – o cenário macroeconômico e suas consequencia na economia
- Análise setorial – identificação dos setores que podem ou não se favorecer do cenário macro
- Análise das empresas – dentro dos setores escolhidos, verificar quais empresas oferecem as melhores oportunidades para valorização
O preço justo, o preço de mercado e o upside
Após escolher as melhores empresas dentro dos setores mais favoráveis para o cenário macro, é necessário verificar quais, das empresas escolhidas, apresentam as melhores oportunidades de valorização.
Olhando os fundamentos das empresas, o fluxo de caixa descontado e vários fatores relativos aos negócios em si, os analistas fundamentalistas identificam o que chamam de preço justo, que seria o preço da ação de uma empresa, incluindo todas as suas perspectivas futuras dentro de um determinado prazo. Pode-se concluir, por exemplo, que o preço justo de uma determinada ação seria R$ 10,00.
Posteriormente ao preço justo, é hora de olhar o preço de mercado da empresa, que é justamente o preço em que suas ações estão sendo negociadas em bolsa. Vamos supor que a mesma empresa que verificamos acima esteja sendo negociada a R$ 6,00 por ação.
Isso quer dizer que, se nossas análises fundamentalistas estiverem corretas, e a empresa estiver sendo negociada a R$ 6,00, mas seu preço justo for de R$ 10,00, significa que há uma oportunidade de compra por fundamento e que podemos comprá-la (buy) e segurá-la (hold) até que o preço justo seja atingido! A essa diferença de 6 para 10 reais, chamamos de upside. Se a empresa continuar entregando resultados (lucros) e obtendo crescimento, certamente o preço justo dela vai se ajustando pra cima de maneira que permanecer indefinidamente na posição fará sentido. Até mesmo por uma vida inteira.
Se por outro lado, a mesma empresa de preço justo de 10,00 estiver sendo negociada a 12,00, por melhor que ela seja gerida, por mais eficiente que seja sua gestão e por mais favoráveis que sejam suas perspectivas, ela estará cara, acima do preço e não oferecerá, de forma tão clara, uma oportunidade fundamentalista. Comprá-la e segurá-la pode não proporcionar a melhor das rentabilidades.
Dessa forma, uma boa empresa, bem gerida, lucrativa e com excelentes perspectivas, pode não ser uma oportunidade fundamentalista, pois seu preço de mercado poderá estar caro!
Então o buy and hold está errado?
Com certeza não. O que está errado é o pensamento simplório de que o buy and hold é uma estratégia onde compra-se qualquer coisa e espera-se que dê certo. Não é uma decisão racional. E isso não é o buy and hold.
Se fosse assim, por que quem investiu nas ações da Varig há 10 anos atrás não ganhou dinheiro?
A minha visão
A minha visão do buy and hold é a seguinte: a análise fundamentalista, baseada numa avaliação top-down, oferecerá um preço justo. Se o preço de mercado estiver abaixo, temos o upside. Se esse upside for interessante, então que se adote o buy and hold, sendo que o “segurar” irá até o momento em que o upside seja atingido, o que pode ser indefinidamente, mantendo uma avaliação constante de todas as novas informações de cenário, setor e da empresa.
Dessa forma, creio que se possa ter uma carteira baseada em fundamentos, onde serão compradas empresas depreciadas quanto ao seu valor real. E que em dados momentos, poderão ser feitas substituições na carteira, por outras oportunidades fundamentalistas mais claras, na medida em que os upsides sejam alcançados, uma vez que o cenário muda constantemente.
É isso.
Grande abraço,
André Bona