Viver de day trade é uma tarefa quase impossível, segundo uma pesquisa realizada por dois pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e encomendada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com o levantamento, mais de 90% dos traders que tentam viver de day trade acabam amargando prejuízos com as operações na bolsa.

A pesquisa foi realizada a partir de um banco de dados disponibilizado pela CVM, o qual continha informações das atividades completas de day traders pessoa física que realizaram operações deste tipo na bolsa de valores brasileira entre os anos 2012 e 2017. Todos os dados foram catalogados e analisados pelos pesquisadores Fernando Chague (EESP-FGV) e Bruno Giovannetti (EESP-FGV).

Confira a seguir o resultado do levantamento da FGV e da CVM e descubra por que viver de day trade pode ser uma tarefa muito mais difícil de se realizar do que você imagina.

 O que é day trade?

O day trade é uma modalidade de operação em bolsa na qual o trader ou operador realiza negociações diárias de curtíssimo prazo, que são iniciadas e finalizadas no mesmo dia. Os day trades podem durar apenas poucos minutos ou algumas horas, mas são, obrigatoriamente, finalizados no mesmo dia em que são iniciados.

Atualmente, é cada vez maior o número de traders que buscam fazer do day trading sua principal atividade profissional – embora haja poucas informações a respeito dos resultados efetivos de quem se arrisca a fazer das operações em bolsa sua única fonte de renda.

E foi justamente por conta desta realidade que o levantamento sobre esta modalidade de trade foi encomendada pela CVM.

Viver de day trade: uma difícil tarefa

Os pesquisadores concentraram seus esforços na análise de day trades realizados em contratos de mini índice e mini dólar – principais ativos operados por pessoas físicas na bolsa de valores brasileira.  Neste contexto, foram monitoradas as operações de 19.696 pessoas que começaram a operar na modalidade day trade durante o período pesquisado.

Deste total de investidores monitorados, apenas 1.558 – ou 7,9% – realizaram operações no médio-longo prazo, mantendo as operações em day trade por mais de 300 pregões na bolsa. Os demais 18.138 traders – cerca de 92,1% do total – desistiram de fazer suas operações nesta modalidade, mais cedo ou mais tarde.

Prejuízo (quase) certo

Ainda segundo o levantamento, das 1.558 pessoas que persistiram na tarefa de fazer day trades por mais de 300 pregões ao longo dos anos – em busca de tornar real o sonho de viver de trade, 91% tiveram prejuízo em suas operações.

O grande percentual de traders que amargaram prejuízo ou lucro negativo na bolsa de valores com operações day trade considerou também os custos de corretagem e despesas com plataformas de negociação – que acabam, muitas vezes, pesando no bolso de quem opera em day trade.

De acordo com a pesquisa, dos 1.558 traders que operaram com freqüência na bolsa brasileira entre 2012 e 2015, apenas 13 traders – menos de 1% do total – obtiveram lucro médio diário acima de R$ 300,00.

O mito da curva de aprendizagem

Os dados também mostraram que o desempenho do day trader não evolui à medida que ele persiste na atividade. A pesquisa encomendada pela CVM mostra que, ao contrário do que se acredita, os resultados de quem opera day trade costumam piorar ao longo dos anos – e não melhorar.

“Essa última evidência é crucial e vai de encontro à ideia, em geral propagada por especialistas das corretoras, de que day-traders melhorariam com a experiência e que, portanto, deveriam persistir”, afirmam os pesquisadores.

“Viver de day trade não faz sentido”

Para os pesquisadores da FGV responsáveis pelo levantamento, há “fortes evidências de que não faz sentido, ao menos econômico, tentar viver de day-trading”.

“Nós apresentamos fortes evidências de que não faz sentido, ao menos econômico, tentar viver de day-trading. Os dados indicam que a chance de obter uma renda significativa (por exemplo, maior do que R$ 300,00 por dia) é remota para as pessoas que persistem na atividade. Por outro lado, a chance de se obter prejuízo é muito elevada. Além disso, os dados indicam também que à medida que o daytrader vai persistindo na atividade seu desempenho tende a ir piorando”, finalizaram.

Clique aqui e confira o estudo na íntegra sobre a árdua tarefa de viver de day trade.

 

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Autor

Luana Neves

Jornalista e redatora. Atuou como editora de Economia no Jornal DG e Revista Quem é Quem - Economia, assinou por três anos coluna diária de Economia e já produziu conteúdo para diversos portais de notícias do Brasil.

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