No dia 20 de agosto de 2019, a Caixa Econômica Federal anunciou um novo financiamento imobiliário pelo IPCA. Neste modelo, os contratos de crédito imobiliário deixam de ser atualizados pela Taxa Referencial (TR) e passam a ser indexados pelo IPCA.

Mas será que esta nova opção de financiamento imobiliário pelo IPCA, divulgado pela Caixa Econômica, vale a pena?

Para entender melhor o que essa mudança significa – e se o novo modelo vale a pena, invista alguns minutos na leitura deste artigo.

Como funciona o financiamento imobiliário pelo IPCA?

O financiamento imobiliário utilizado pela Caixa Econômica Federal em seus contratos antigos segue a Taxa Referencial (TR). Atualmente, os juros dos contratos indexados à essa taxa variam entre 8,30% e 9,95%.

Já os juros da nova linha de crédito, que passa a ser indexada ao IPCA, terão taxas fixas entre 2,95% e 4,95% ao ano. A modalidade financiará até 80% do valor do imóvel e terá um prazo máximo de 360 meses.

Além disso, a nova linha terá como limite 20% da renda do mutuário (enquanto os créditos imobiliários ligados à TR têm o limite de 30%). Ainda, estima-se que a renda exigida diminuirá, uma vez que as prestações do IPCA devem ser até 51% menores do que as da TR (isso por conta dos juros fixos menores).

Segundo a Caixa, as linhas atreladas à TR serão mantidas. Já os contratos com o financiamento imobiliário pelo IPCA serão aplicados nas novas adesões ao Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) e ao Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

As taxas de financiamentos indexados ao IPCA entrarão em vigor em 26 de agosto e valerão para novos contratos. Este financiamento imobiliário pelo IPCA, no entanto, não elimina a modalidade que já existe no mercado.

O que já existe no mercado?

A menor taxa de juros encontrada no mercado, antes da nova modalidade da Caixa entrar em vigor, é na linha Carta de Crédito do FGTS da própria Caixa Econômica Federal. Nesta modalidade, a taxa é de 5,11%. A maior, também da Caixa, é de 9,75% para as modalidades englobadas no SFH e SFI.

Entenda mais:

  • A Carta de Crédito do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) contempla apenas participantes do Fundo.
  • O sistema SFH é válido para imóveis de até R$ 1,5 milhão. Utiliza recursos do FGTS e da caderneta de poupança.
  • O sistema SFI atinge imóveis com valores acima de R$ 1,5 milhão. Trata-se de uma linha que os bancos oferecem com recursos próprios.

Existe também a opção da linha pró-cotista (crédito imobiliário financiado com recursos do FGTS com juros menores para quem não se enquadra nas regras do Programa Minha Casa Minha Vida).

Outra opção é a Carteira Hipotecária, que permite que o contratante seja dono do imóvel. Todavia, como garantia de pagamento da dívida, até o encerramento do contrato a propriedade fica em nome da instituição financeira.

A nova linha de financiamento imobiliário pelo IPCA vale a pena?

Diante de tantas opções no mercado, surge uma pergunta. Afinal, a nova linha de financiamento imobiliário pelo IPCA vale a pena?

Vamos a uma simulação: compra de um imóvel de R$ 500 mil, com financiamento de R$ 400 mil (80% do valor) pelo período de 15 anos. Considerando as duas melhores condições de financiamento oferecidas pela Caixa com juros de TR mais 8,5% ao ano, e com IPCA mais 2,95% ao ano, temos:

  • Valor total do financiamento com juros de TR mais 8,5% ao ano: R$ 737.022,02
  • Valor total do financiamento com juros de IPCA mais 2,95% ao ano: R$ 767.237,91

A diferença entre as opções ficou em R$ 30.215,89. Observe que, se o comprador tivesse optado pelo IPCA no lugar da TR, gastaria cerca de R$ 30 mil a mais no fim do financiamento. Mas não é sempre que esta diferença existirá.

De acordo com especialistas, o financiamento imobiliário pelo IPCA vale a pena quando o prazo é menor. É o caso, por exemplo, em que a dívida sendo quitada em até 10 anos.

Isso porque, considerando o IPCA dos últimos 12 meses (3,22%) e uma taxa média de 3,75% para o público em geral, o total dos juros a serem pagos será da ordem de 7% ao ano. A taxa, portanto, é menor do que a praticada pela própria Caixa nos contratos de TR.

Na hora de escolher um financiamento, portanto, vale a pena se atentar aos prazos. Confira sempre as opções disponíveis no mercado (inclusive a modalidade indexada ao IPCA) e verifique qual é a melhor opção para você.

Adesão de outros bancos

É importante destacar que o financiamento imobiliário pelo IPCA deverá movimentar o segmento em breve. Seguindo como uma tendência de mercado, após o anúncio da Caixa outros bancos divulgaram que também estão avaliando novas opções de crédito imobiliário. O Banco do Brasil é um deles.

Após a Caixa, o BB anunciou alterações no financiamento imobiliário. De acordo com o banco, a modalidade terá taxas mais baixas para prazos de financiamento menores.

Operações de 60 meses, por exemplo, terão taxa a partir de 7,99% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), que está zerada. Já os juros para os financiamentos de 359 a 418 meses (correspondente a 29 anos e 11 meses a 34 anos e 10 meses), as taxas foram fixadas a partir de 8,45% ao ano, mais TR.

O novo crédito imobiliário do BB é válido para as linhas do SFH (Sistema Financeiro de Habitação) e CH (Carteira Hipotecária). Mas, se o Banco do Brasil ainda adota a TR, o Bradesco informou que está avaliando as condições para uma nova linha atrelada ao IPCA.

Por sua vez, o Itaú Unibanco também se pronunciou a respeito. De acordo com eles, estão sendo analisadas condições de financiamento imobiliário que tragam mais benefícios aos seus clientes.

A importância do planejamento

E você, o que você achou dessa modalidade de financiamento pelo IPCA da Caixa Econômica Federal? Seja qual for sua opinião sobre o tema, lembramos que é sempre indicado não cair em financiamentos e se planejar, sempre que possível, para pagar à vista.

No entanto, em caso de financiamento, vale a pena estar atento às taxas e manter um bom planejamento financeiro. Para encerrar, deixamos duas sugestões de leitura:

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Autor

Equipe André Bona

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