A ideia de não colocar todos os ovos em uma cesta só é uma das orientações clássicas dos investimentos. Afinal, toda escolha do investidor vem com riscos e é preciso estar atento para fazer uma boa gestão da carteira.

Um problema comum é que mesmo aqueles que reconhecem a importância de diversificar as escolhas podem cair em uma falsa diversificação da carteira. Sim, isso existe e pode trazer efeitos bastante negativos para você.

Então, que tal saber mais sobre o assunto? Entenda os motivos pelos quais é importante diversificar e saiba como fugir da falsa sensação de proteção.

Por que a diversificação é importante?

Antes de falar da falsa diversificação, é válido retomar a relevância de variar seus ativos na carteira de investimentos. Por que ter esse cuidado é importante? A principal razão é fazer um manejo dos riscos, evitando se expor fortemente a apenas um ou poucos ativos.

A ideia vale tanto para a renda fixa quanto para a renda variável. Vamos começar com um exemplo do primeiro grupo: imagine um investidor que coloca todo seu patrimônio em um CDB ou LCI de um banco. Qualquer problema pelo qual a instituição passe afetará diretamente a carteira dele.

Aliás, a lógica se aplica até mesmo ao dinheiro que fica na conta-corrente. Se toda a quantia que você precisa no curto prazo está em uma mesma conta, o que acontece se houver um problema no seu cartão ou no aplicativo do banco?

Se for algo que demanda tempo para resolver, poderá ficar bem difícil arcar com as suas pendências financeiras, certo? Está exatamente aí o risco de não diversificar, ou seja, não dividir o dinheiro em algumas aplicações.

Na renda variável, o cuidado é de não relacionar sua carteira aos riscos de apenas um ativo ou setor. Alguém que invista apenas na Petrobras, por exemplo, sofrerá com todas as oscilações pelas quais as ações da empresa passarem no mercado.

Vamos considerar agora uma carteira de investimentos bem diversificada. Com ativos da renda fixa e variável — além de investir em setores e empresas diferentes. Podemos perceber que os riscos de um investimento específico causarão menos efeitos, pois há outros para equilibrar.

O que significa falsa diversificação na carteira?

Depois de entender a importância da diversificação, talvez você esteja pensando que sua postura é segura, já que tem mais de um ativo na carteira. Contudo, a atitude não basta para exercer, de fato, a verdadeira diversificação.

E se você estiver praticando uma falsa diversidade nos investimentos? Ela representa, basicamente, o fato do investidor se expor aos mesmos riscos, ainda que tenha vários ativos diferentes.

Algumas situações podem indicar o problema. Confira as principais:

Ter ativos semelhantes

Um ponto de atenção para evitar a falsa diversificação na carteira é perceber o comportamento dos seus ativos. Eles podem funcionar de maneira muito semelhante, mesmo sendo investimentos diferentes.

É o caso de quem mantém todo o seu patrimônio em títulos de renda fixa. Embora mude algumas características, eles geralmente seguem uma só lógica de rentabilidade — acompanhar a taxa Selic ou o CDI, por exemplo.

Além disso, uma situação que pode ser mais difícil de perceber é quando se investe em fundos de investimentos. Você pode considerar que está diversificando por ter cotas em diferentes fundos, mas e se eles forem de um tipo comum?

Fundos de renda fixa conservadores terão portfólios muito semelhantes, priorizando títulos públicos. Algo similar pode acontecer com fundos de ações — é possível ter cotas em mais de um e acabar se expondo a estratégias iguais ou bastante parecidas.

Estar exposto a riscos muito próximos

Outra característica da falsa diversificação da carteira é assumir riscos muito próximos. Se um investidor está na renda variável e adquire ações de dois ou três bancos, ele está diversificando suas escolhas?

Talvez ele considere que sim. Afinal, seguiu a dica de não investir tudo na mesma empresa. Entretanto, é preciso lembrar que os bancos estão todos expostos aos riscos do setor. Assim, ainda que sejam duas ou três empresas diferentes, não funciona como diversidade.

Pensar sobre o assunto nos coloca diante de uma questão importante: ter todos os ativos atrelados apenas ao Brasil nos expõe aos riscos de um só país. Com isso, pode ser interessante diversificar também nesse ponto.

Não considerar prazos diferentes

A falsa diversificação também aparece quando falamos de prazos, e não apenas dos ativos. Pense bem: se todos os seus investimentos estão voltados para o longo prazo, o que você fará caso precise de dinheiro em breve?

De outro ponto: se a sua carteira foca apenas no curto ou médio prazo, não existe uma exposição maior aos riscos do período considerado? A divisão dos prazos de acordo com seus objetivos para os próximos meses, anos e décadas também é um cuidado de diversificação.

Investir em ativos correlacionados

Por fim, uma pessoa pode seguir todos os preceitos que expusemos até aqui e, ainda assim, ver-se diante de problemas gerados pela falsa diversificação. Isso porque existem outros aspectos além de evitar investir na mesma empresa ou em negócios do mesmo setor.

É importante checar a correlação dos seus ativos. Imagine o exemplo de alguém que tem ações de uma companhia de aviação e também de uma grande empresa ligada ao turismo. Se uma crise afetar as viagens, os dois ativos sofreriam de forma semelhante, não é mesmo?

O fenômeno é explicado porque há uma forte correlação. Ou seja, ambos costumam subir juntos ou descer juntos de acordo com os mesmos fatores. A correlação pode se dever a estarem em setores parecidos, mas também pode acontecer apenas baseada na estatística.

Desse modo, é possível que ativos aparentemente muito diferentes estejam correlacionados estatisticamente. Por isso, vale a pena pesquisar o assunto antes de investir.

Como evitar ou corrigir o problema?

Viu como a falsa diversificação pode ser algo difícil de perceber? A melhor maneira de evitar ou corrigir o problema na sua carteira é avaliar com atenção os ativos que a compõem. Busque informações sobre eles e considere o que falamos.

Se você tem interesse em empresas de um mesmo setor, tente ver se é possível escolher a que mais lhe interessa. Em relação a não se limitar aos riscos no Brasil, considerar investimentos atrelados a ativos do exterior é uma boa ideia (ETFs e BDRs, por exemplo).

Além disso, é interessante procurar ativos de baixa correlação entre si para equilibrar a carteira. Assim, um sobe enquanto o outro desce e a relação entre eles ameniza os efeitos negativos.

Uma correlação desse tipo pode ser vista de maneira geral entre a renda fixa e variável: se os juros baixam, há uma tendência de subida nas ações. Também existem setores e empresas com baixa correlação entre si na renda variável.

Agora você sabe qual é a importância de fazer escolhas diferentes nos investimentos e como se proteger contra a falsa diversificação da carteira. Coloque nossas orientações em prática e tenha uma exposição mais controlada dos riscos!

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Autor

Equipe André Bona

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