Se você nunca imaginou a relação entre inflação e investimentos, saiba que o primeiro tem grande impacto sobre o outro. Aliás, se esse fenômeno econômico afeta toda a sociedade, obviamente os investidores também sentem essas mudanças no momento que investem.

Todo investimento, de uma certa forma, pode ter um determinado desempenho quando a economia demonstra mudanças, sejam positivas ou negativas. Logo, a inflação pode ter peso considerável na hora de escolher e avaliar os investimentos.

Continue a leitura do artigo para entender mais sobre como a inflação pode afetar seus investimentos e confira dicas de como investir considerando este indicador!

O que é inflação?

Resumidamente, podemos conceituar inflação como um fenômeno que causa um aumento generalizado e constante nos preços de produtos e serviços. O brasileiro, no geral, consegue entender bem os efeitos que ela provoca, pois o país já teve momentos inflacionários marcantes e a vida de todos acabou sendo afetada.

Uma das características mais comuns é justamente a perda do poder de compra. Você tem a impressão que seus ganhos sempre ficam abaixo do aumento do valor dos produtos e serviços que consome?

Muitos pensam o mesmo. Para alguns trabalhadores, parece que o salário tem um valor menor a cada ano e os preços aumentam muito mais do que deveriam. Essa é a sensação causada pela perda do poder de compra.

Se deseja saber mais a fundo sobre a inflação, confira os artigos abaixo:

Importante não confundir a inflação com a oscilação de preços. Esse segundo é algo comum do mercado, enquanto que o primeiro pode demonstrar desequilíbrios na economia.

Quais são os investimentos atrelados à inflação?

Antes de falar dos impactos da inflação nos seus investimentos, é interessante mencionar aqueles que estão atrelados a esse fenômeno.

Algumas aplicações financeiras, inclusive, podem ter a capacidade de proteger o poder de compra do investidor, pois é possível receber pelo menos o equivalente ao índice no período no qual ocorreu o investimento.

Confira abaixo algumas delas:

1. Tesouro IPCA

O Tesouro IPCA é um dos títulos públicos do Tesouro Nacional. Os juros são determinados a partir de uma taxa fixa + IPCA.

Ou seja, quando você adquire um título do Tesouro IPCA, receberá, no final do período fixado, uma rentabilidade que corresponda à inflação do período mais uma taxa prefixada.

2. Fundos Imobiliários

Os fundos imobiliários, mais especificamente aqueles voltados para obter ganhos com o aluguel de imóveis (sejam eles comerciais ou não) também podem sofrer influência da inflação, mesmo que de maneira indireta.

Isso porque os aluguéis podem ser corrigidos por dois índices: o IGP-M ou pelo IPCA. Se houver correção dos aluguéis dos imóveis que fazem parte de um determinado FII a partir da variação do IPCA, portanto, este índice certamente poderá influenciar nos rendimentos dos cotistas.

3. Títulos de renda fixa

Os títulos privados, como LCI, LCA e CDBs, podem pagar juros atrelados ao IPCA ou IGP-M. Tais títulos, que são emitidos normalmente por instituições financeiras, possuem baixo risco. E podem ser interessantes para investidores conservadores, que têm uma tolerância menor a perdas.

Vale destacar, no entanto, que o mais comum é que se encontre, nestes casos, produtos atrelados à taxa CDI. Mas, se forem atrelados ao IPCA, a partir de uma composição mista, por exemplo, sofrerão influência da inflação, seja mais alta ou mais baixa.

4. Ações

É fato que a inflação pode influenciar positiva ou negativamente os resultados de empresas dos mais diferentes setores da economia. Por isso, as ações podem ser mais ou menos impactadas pelas oscilações da inflação.

5. Fundo de inflação

São fundos que investem em títulos que superam ou equivalem os rendimentos do Tesouro IPCA+. Nesse caso, o gestor aplica apenas nesse tipo de aplicação ou semelhantes.

O rendimento tem como referência o Índice de Mercado Anbima (IMA), com parte da rentabilidade vinculada à inflação e outra a uma taxa prefixada, podendo garantir um ganho real.

Quais os impactos da inflação nos investimentos?

Como você pode perceber, esse fenômeno, que pode ser comum, afeta diretamente os investimentos, não importando ser de renda fixa ou variável. Nesses casos, acompanhar os índices de inflação pode ajudar a entender a rentabilidade real dos investimentos.

Deveria fazer parte do dia a dia do investidor calcular a rentabilidade real dos investimentos. E descontar o valor da inflação deles é primordial para saber se o seu poder de compra poderá ser preservado e qual a verdadeira rentabilidade de uma determinada aplicação.

Além disso, pode ser um fator para ajudar o investidor a decidir em qual investimento colocará seu dinheiro. Entenda mais sobre a rentabilidade real e como calculá-la aqui.

Como escolher os investimentos considerando a inflação?

A escolha dos investimentos que farão parte da sua carteira deve se basear nos seus objetivos e perfil de investimento. Contudo, algumas dicas  podem ajudar você a tomar uma decisão mais consciente – seja em momentos de alta ou baixa da inflação:

Compare a inflação com o rendimento do investimento

Faça uma comparação das taxas cobradas e a remuneração de cada uma das aplicações. Por exemplo, se o investimento estiver atrelado ao IPCA, desconte encargos, como o imposto de renda e taxas.

Fazendo essa analise, é possível escolher melhor os investimentos mais adequados para seu portfólio.

 2. Avalie investimentos quando a inflação está baixa

Saber o que avaliar em momentos de inflação baixa também é importante. Por exemplo, se a taxa básica de juros da economia (SELIC) reduz, a rentabilidade dos investimentos também podem ficar menores.

Logo, inflação e SELIC reduzidas podem fazer investimentos atrelados ao IPCA e ao CDI serem menos interessantes, se comparado com outros. Tudo precisa ser analisado nesse momento para fazer boas escolhas dentre as melhores alternativas para o seu perfil.

3. Saiba o que avaliar quando a inflação estiver alta

Inflação alta exige um cuidado maior para proteger o poder de compra. Nesse caso, pode ser bom pensar em investimentos para o longo prazo, deixando seu dinheiro investido por mais tempo. Algumas alternativas podem ser:

  • Tesouro IPCA+;
  • Fundos Imobiliários, dependendo de como está o mercado imobiliário no país;
  • CDB, LCI e LCA.
  • Ações, que estão inseridas dentro de um cenário de economia real, e podem fazer parte da carteira daqueles com maior apetite a riscos.

Como você viu nesse artigo, a relação entre inflação e investimentos é bastante próxima. Afinal, esse fenômeno econômico afeta diretamente os investimentos e o mercado como um todo. Por isso, vale sempre ficar atento a ele – inclusive na hora de investir seu dinheiro.

Gostou de aprender sobre o impacto da inflação nos investimentos? Confira agora tudo o que você precisa saber para planejar sua aposentadoria com sucesso!

Autor

Equipe André Bona

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