Se você acompanha notícias econômicas ou já fez algum tipo de financiamento ou empréstimo já sabe que os juros ao consumidor no Brasil são altos. Principalmente quando comparados aos juros de outros países.

Muitos estudos e pesquisas foram realizados nos últimos vinte anos, a fim de diagnosticar as causas dessas taxas de juros serem tão elevadas no país. Mas as respostas só mostraram que não existe uma única causa, e sim diversos motivos que, combinados, resultam nestas taxas, muitas vezes, desproporcionais.

Para entender melhor essa situação, continue acompanhando o artigo e entenda alguns dos motivos pelos quais os juros ao consumidor são tão altos em nosso país. E descubra o que isso afeta, efetivamente, suas suas finanças e investimentos.

Por que os juros ao consumidor são altos no Brasil?

É natural que uma questão tão complicada quanto os altos juros ao consumidor no Brasil apresente mais de uma resposta simples e direta. A verdade é que diversos fatores contribuem para que as taxas de juros sejam elevadas no país, e inclusive foram estudadas pelo Banco Central.

Porém, em um aspecto geral, essa alta se se explica pelo chamado spread bancário, que nada mais é que a diferença entre a taxa de captação de recursos e a taxa do empréstimo.

Os fatores que levam ao spread bancário são tipicamente brasileiros, e passam por fenômenos desde uma grande inadimplência até os altos tributos e encargos sobre transações financeiras. Com tudo isso, apenas 15% do spread realmente fica com os bancos.

Entre os principais fatores que afetam os juros ao consumidor no Brasil estão:

Inadimplência dos consumidores

O grande número de consumidores inadimplentes no país é um dos fatores mais consideráveis na hora de definir os juros, já que isso influencia diretamente na oferta de crédito para os próprios consumidores.

A inadimplência é a falta do pagamento acordado pelo comprador. Apesar de ninguém gostar de estar nessa posição, muitos brasileiros acabam se endividando, e isso faz com que os bancos se protejam na hora de oferecer crédito. Assim, eles aumentam as taxas de juros como garantia contra atrasos e faltas de pagamento.

Concentração bancária

O Brasil tem poucas instituições de grande porte e que controlam o sistema bancário. Essa concentração faz com que essas instituições sejam as responsáveis por alinhar as taxas de juros. E a falta de concorrência explica por que as instituições podem “colocar as taxas que quiserem” na hora de fazer empréstimos.

Nesse ponto, o surgimento de diversas fintechs, como tem acontecido atualmente no mercado nacional, pode ajudar a tirar essa hegemonia das grandes instituições, democratizando um pouco mais as orientações dos juros ao consumidor.

Déficit do governo

Se a inadimplência afeta grande parte dos brasileiros, o governo também não está livre de dívidas. O déficit do Estado tem explicações nos últimos anos vividos à base de uma grande crise econômica e da queda nos valores de produtos exportados pelo país.

Com dificuldades para manter a sua saúde financeira, o Brasil tem estourado o orçamento para “poder sobreviver”, aumentando o déficit como consequência.

Para controlar esse déficit, o governo acaba tentando conseguir dinheiro de outras formas, incluindo com o aumento da arrecadação de impostos através de mais (e mais caras) taxas de produtos e serviços.

Juros altos ao consumidor e economia: qual a relação?

Quem está familiarizado com o universo dos investimentos sabe que a taxa de juros pode influenciar diretamente a estrutura da economia, afetando, inclusive, a rentabilidade da maioria dos investimentos do mercado financeiro.

Quando a taxa de juros está alta, é comum que todas as outras taxas do mercado também se elevem, e isso acarreta uma situação dita “de crédito mais restritivo”. Ou seja, com os juros mais altos, tanto os consumidores comuns quanto as empresas encontram dificuldade para cumprir com suas contas.

Com os juros ao consumidor em alta, o fluxo do mercado também acaba desacelerando, já que há uma redução no consumo das famílias e na produção das empresas, uma vez que “o dinheiro está mais caro”.

O efeito cascata causado pelos altos juros ao consumidor não acaba aí. Com menos consumo das pessoas e menos produção das empresas, há queda no número de empregos, o que diminui ainda mais o consumo das famílias. E, então, a bola de neve chega a afetar o PIB (Produto Interno Bruto), reduzindo o resultado do mesmo.

Já em uma situação de redução da taxa de juros ao consumidor, os efeitos são contrários ao que vimos acima. Todas as outras taxas do mercado tendem a reduzir, deixando o crédito mais barato e acessível às pessoas e às empresas. O consumo das famílias aumenta, e pede também uma maior produção das empresas.

Com famílias consumindo mais e empresas produzindo bem, há mais empregos, aumento a renda dos indivíduos e um consequente crescimento econômico. E, como resultado, um crescimento do PIB.

Vale ressaltar que, para a economia, o ideal é sempre o equilíbrio. No caso da produtividade não acompanhar a maior demanda do consumo, por exemplo, pode ocorrer um surto inflacionário.

É possível baixar os juros altos ao consumidor no Brasil?

Embora pareça quase impossível reduzir as taxas de juros do Brasil, há sim soluções possíveis. Porém, essa solução depende de mudanças em todos os setores que possam contribuir para uma melhora na economia e governo, incluindo diversas reformas que proporcionem uma completa reestruturação do sistema financeiro.

A Febraban, entidade que representa os bancos, defende que as instituições não têm interesse em altos juros ao consumidor. Afinal, quanto mais baixas forem essas taxas de juros, mais empréstimos e outros créditos os bancos realizam, além de lidarem também com uma menor inadimplência.

A Federação lista, ainda, outras medidas que podem contribuir para a diminuição dos altos juros ao consumidor no país, ressaltando as mudanças institucionais necessárias para permitirem uma taxa decente de juros no Brasil.

Contudo, apesar de algumas quedas recentes em juros para o consumidor, especialmente no que tange ao cheque especial e juros do rotativo, ainda há muito o que se fazer para que os juros altos ao consumidor sejam reduzidos no mercado brasileiro. E ainda não há nada que nos dê uma perspectiva de redução drástica destes números. Ao menos no curto prazo.

De qualquer forma, vale a pena se atentar a essa questão e não se esquecer que o ideal é nunca recorrer aos empréstimos e financiamentos na hora de consumir. Afinal, os juros deste dinheiro emprestado normalmente serão muito maiores do que qualquer rentabilidade que você poderia alcançar com investimentos, por exemplo. Pense sempre nisso e faça escolhas conscientes.

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Autor

Equipe André Bona

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