Alguns métodos de análise auxiliam a mensuração de sua carteira comparando risco e retorno, prazos, e os ativos em relação ao mercado. Nesse último caso, o Índice Beta fornece o cálculo necessário para verificar: risco da carteira X risco do mercado.

Montar uma carteira de investimentos eficiente é muito diferente de adivinhar os melhores papéis. Requer a construção de uma diversificação de investimentos, com correta diversificação do risco.

Vamos falar nesse artigo como o índice Beta pode lhe ajudar. Continue a leitura e aprenda!

O risco nos investimentos

A análise de uma carteira de investimentos sempre foi objeto de estudo de economistas e profissionais da área, que sempre tentaram descobrir: como alcançar o melhor rendimento correndo o menor risco? Como entender o comportamento e as oscilações de um ativo?

Derivados desses objetivos, existem vários cálculos que ajudam a entender a tendência de uma carteira, seu perfil de risco, e relação entre diversos ativos.

Para você analisar sua carteira é preciso entender que nem todo risco é igual.

Entenda os tipos de risco considerados nos investimentos:

Risco Diversificável: Ao escolher um ativo, existem riscos dos quais o investidor pode ser proteger, como de determinado setor da economia que ele não enxerga boas perspectivas. Esse tipo de risco é considerado o diversificável.

Ao escolher outro setor econômico, ou ainda, ao escolher setores que apresentam resultados inversamente proporcionais – covariância negativa, você estará protegendo sua carteira.

Risco não diversificável: Por outro lado, existe um risco do qual não é possível buscar uma diversificação, que é o do mercado como um todo, quando todos os papéis são atingidos. É o caso de uma medida política ou um atentado terrorista por exemplo.

Esse chamado risco de mercado pode ser representado por diferentes benchmarks em diferentes economias.

No Brasil, considerando que o Ibov é o índice que representa as empresas mais comercializadas na bolsa, quando tratamos de ações, ele é considerado um bom espelho das oscilações do mercado como um todo. Para os investimentos no EUA, o S&P 500 é um benchmark bastante utilizado.

O que é o Índice Beta

Agora que você entendeu como podem ser classificados os riscos dos investimentos, vai entender como o índice Beta pode ajudar a medir uma carteira.

O índice Beta, ou Beta Ratio, calcula a relação entre os retornos de um ativo específico com os retornos do mercado. O objetivo dele é entender a relação do ativo com o risco do mercado.

Dessa forma, ele apura qual a relação do ativo e qual sua tendência de acompanhar o mercado e como ele é influenciado pelo risco do mercado.

Se o mercado cair, o que ocorre com o ativo da carteira? Ele cai também? Muito ou pouco? É isso que o cálculo do Beta vai ajudar a enxergar.

Como calcular o índice Beta

O índice Beta é o quociente de uma fórmula que relaciona retorno do ativo e retorno do mercado:

β = Covariância do retorno do ativo / Variância do retorno do mercado

Conforme explicado no artigo O que é beta o ratio:

A covariância é a relação linear entre duas variáveis. É utilizada para compreender a direção da relação entre as variáveis que estão sendo analisadas. O coeficiente de correlação é uma função da covariância. Por isso ela é utilizada no cálculo.

Já a variância trata da dispersão.

Como citado mais acima, no Brasil, o índice utilizado para representar o mercado é o Ibov.

Dessa forma, o denominador da fórmula de Beta assume a ‘variância do Ibov’ em determinado período.

Análise do resultado do índice Beta

O resultado do cálculo do índice Beta informa qual a relação do risco do ativo com o risco do mercado, sendo:

  • β = 1;

Risco do Ativo = Risco de Mercado. Nesse caso a relação do ativo com o risco do mercado é perfeitamente igual. Ou seja, o ativo de movimenta da mesma forma que o mercado.

É considerado o risco do mercado.

Essa posição é neutra em relação ao risco de mercado. Assim, um ativo que tenha Beta igual a 1, terá risco igual ao benchmark.

  • β > 1;

Risco do Ativo é maior que o de mercado. Isso representa que o ativo se movimentará conforme o mercado, porém em proporções maiores. O risco do ativo é maior que a média do mercado e ele vai oscilar mais que o benchmark.

É uma posição agressiva. Em períodos de mercado crescente, assumir essa posição significa obter retornos maiores que o de mercado. Porém, com maior sensibilidade às quedas.

  • β < 1;

Risco do ativo é menor que o do mercado. Já nessa situação, o ativo se relaciona positivamente com o risco do mercado, mas com uma variação menor que a do benchmark.

Essa posição é considerada defensiva, já que em caso de queda do mercado, o ativo tende a ter uma queda menor.

Essa posição é considerada para Betas > 0 e < 1, já que se o Beta for negativo, ele não apresentará covariância positiva com o Benchmark que representa o risco de mercado e se movimentará de forma contrária.

A análise de Beta pode ser levada para alguns setores inteiros da economia e como ele se relaciona com o risco do mercado.

Análise de Beta

Ativo agressivo β>1
Ativo defensivo β<1
Ativo neutro β=0

Conclusão

Você certamente sempre ouviu que diversificar os investimentos é uma estratégia saudável, mas agora pode aprender que essa diversificação não é somente ter vários ativos diferentes. Significa entender o risco de cada ativo e como eles se correlacionam.

Quer aprender mais sobre como analisar sua carteira de investimentos? Leia nosso artigo: Quais os riscos de sua carteira.

 

Autor

Daniela Viola Bona

Especialista em Finanças e Economista pela UFES (ES). Especialista em Comportamento Organizacional. Atua no mercado financeiro há 10 anos. Realiza atividades de educação e treinamento como professora/instrutora na área de banking/economia.

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