Considerando a última declaração de moratória ao FMI da Argentina, é fácil perceber como países do mundo todo podem ficar endividados ou financeiramente enfraquecidos.

Recentemente, foi publicado aqui no Portal um artigo explicando o que é essa declaração de moratória ao FMI e quais as suas consequências. Inclusive, você pode acessar o artigo clicando aqui.

Quem é um pouco mais velho sabe muito bem que não é a primeira vez que o país vizinho avisa aos credores que não poderá pagar as suas dívidas. Mas a Argentina não é o único país que resolveu não honrar suas pendências financeiras.  Diversos outros países já fizeram isso, inclusive muito antes da criação do FMI.

Conheça agora alguns dos maiores calotes da história mundial e surpreenda-se com algumas curiosidades!

O significado de calote

Primeiro, cabe aqui explicar o significado de calote. Calotear significa não pagar uma dívida, seja por não ter dinheiro ou por simples má-fé.

Ou seja, uma pessoa “caloteira” pode contrair uma dívida mesmo não sabendo se conseguirá quitá-la ou até mesmo tendo condições, escolher não pagar por falta de honestidade.

Dar calote é comum na história dos países

O calote financeiro é muito comum entre os países, principalmente no mundo globalizado. A Argentina, por exemplo, ficou em mora em 2001 e agora em 2019. Outros países da América Latina, como Brasil, Equador e México já tiveram momentos em que não honraram suas dívidas.

Antes do século 19, os países ficavam em débito por causa de eventos extraordinários, como guerras e revoluções. Depois disso, as nações começaram a ficar em mora por problemas financeiros.

De acordo com os economistas da Universidade de Harvard, Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, existiram cerca de 250 moratórias pedidas por diversos países desde 1800 até a década de 2000. Ou seja, isso é muito mais comum do que você imaginava, certo?

Kenneth Rogoff concluiu com esse estudo que esses defaults acontecem por causa da economia global, que é frágil e faz os países muito dependentes uns dos outros.

O primeiro calote financeiro da história

Os países já ficavam em mora com outras nações muito antes de Cristo. Para você ter noção, o primeiro país a dar um calote financeiro de forma registrada foi a Grécia, no ano de 377 antes de Cristo. O calote ocorreu porque várias polis (como as cidades gregas eram chamadas) decidiram não honrar seus débitos.

A Grécia chegou a deixar de pagar suas dívidas em diversos outros momentos. A última vez foi em 2015, quando ficou quebrada financeiramente e sua dívida chegou a 180% do seu PIB. Nesse caso, como o país fazia parte do Bloco Europeu, os outros integrantes resolveram ajudar com empréstimos.

O país mais caloteiro da história

Você sabe qual foi o país mais caloteiro da história? Você provavelmente não imagina, mas é…a Espanha!

De acordo com historiadores econômicos, a Espanha deixou de pagar suas dívidas 14 vezes na história, desde 1800. Seguido da Espanha, o segundo lugar está empatado entre Venezuela e Equador, que pediram moratória cerca de 11 vezes. O Brasil fica em terceiro lugar, com 10 calotes.

Os 4 maiores calotes da história recente

Confira agora os 4 maiores calotes da história recente entre os países do mundo:

1. Argentina, em 2001

O não pagamento das dívidas da Argentina em 2001 é considerado o maior calote da história. Foram cerca de 95 bilhões de dólares que o país deixou de quitar.  Há fontes que dizem que esse valor pode ser ainda maior.

Para fins de comparação, a Argentina pediu moratória ao FMI em 2019 e deixará de pagar uma dívida de cerca de 57 bilhões de dólares, valor bem inferior ao do calote de 2001.

2. Equador, em 2008

Em 2008, o Equador deixou de pagar quase 40% da sua dívida internacional, que somavam quase 10 bilhões de dólares e equivalia a 19% do PIB do país. O presidente da época, Rafael Correa, considerava que parte da dívida era ilegítima. Essa foi a terceira vez que o Equador entrou em moratória em 14 anos.

3. Rússia, em 1998

A Rússia declarou moratória alguns anos depois que a União Soviética chegar ao seu fim. No final dos anos 1990, a Rússia passou por um processo de globalização rigoroso e chegou no fim da década com a moeda fraca e o mercado de capitais enfraquecido.

Então, em 1998, o governo russo anunciou um calote de dívidas denominadas na moeda local, o rublo. Depois, essa dívida foi estendida a obrigações que eram para ser pagas em moedas estrangeiras.  No fim, a dívida chegou a 72 bilhões de dólares.

4. Chile, em 1982

Assim como outros países latino-americanos que passaram por ditaduras, o Chile foi mais um que teve problemas econômicos após esse período turbulento. Na década de 70, o país vivenciou um falso vigor econômico (o mesmo aconteceu no Brasil), financiado por capital americano e sob a ditadura de Pinochet.

Em 1979, os Estados Unidos elevaram seus juros e, assim, a dívida chilena ficou impossível de ser paga, bem como a de outras nações latino-americanas. Em 1982, o crédito internacional foi cortado, a moratória mexicana que ocorreu também em 1982 piorou a situação e a região passou a ser vista com desconfiança.

O Chile abandonou o sistema de câmbio fixo, o sistema bancário entrou em colapso, o PIB caiu e o desemprego cresceu. Assim, o país deixou de pagar cerca de 17 bilhões de dólares que devia.

Além desses 4 eventos, podemos citar rapidamente o calote mexicano, que afetou outros países da América Latina e criou o fenômeno conhecido como “Efeito Tequila”. O México deixou de pagar, em 1982, mais de 100 bilhões de dólares, incluindo os juros. Em 2015, podemos citar a moratória da Grécia, citada anteriormente.

Países que sempre foram bons pagadores

Depois de ver alguns países que deram calote e de saber que isso é muito comum na história do mundo moderno, você deve pensar “existe algum país que nunca precisou dar calote nos outros?

Felizmente, há sim alguns poucos e podemos citá-los: Noruega, Coreia do Sul, Singapura, Suíça, Bélgica, Finlândia e Nova Zelândia.

Contudo, vale ressaltar que não é porque o país deixou de honrar suas dívidas em algum momento que passou a ser considerado um caloteiro que ninguém pode confiar. Alemanha e Estados Unidos, por exemplo, já deram calotes financeiros, mas são considerados bons pagadores no mercado internacional.

A maioria dos países existentes no mundo já deram calotes. Como visto, os calotes sempre existiram e ficaram frequentes na história do mundo moderno. Importante entender que isso é bastante comum.

Os maiores calotes da história nos mostram que, às vezes, deixar de pagar uma dívida pode ser inevitável em alguns momentos, mas os países devem batalhar para sempre honrar suas dívidas e não prejudicar sua confiança no mercado global.

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Autor

Equipe André Bona

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