Se você nunca ouviu falar de Eufrásia Teixeira Leite, saiba que ela pode ser considerada uma figura de peso para os investidores brasileiros. Principalmente para as mulheres.

Eufrásia é considerada a primeira mulher a investir na Bolsa de Valores do Brasil. E não é somente isso: ficou conhecida em outros países por ter bons resultados na Bolsa de outras nações.

Então, que tal saber mais sobre ela? Continue a leitura e conheça mais sobre a história desta investidora brasileira que precisa ser conhecida por todos e pode servir de inspiração para muitas mulheres que desejam investir!

Quem foi Eufrásia Teixeira Leite?

Eufrásia Teixeira Leite foi uma herdeira, investidora e filantropa brasileira. Nasceu na cidade de Vassouras, no Estado do Rio de Janeiro no dia 15 de abril de 1850 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 13 de Setembro de 1930.

Nascida no século XIX, Eufrásia cresceu em uma sociedade extremamente masculina. Entretanto, foi criada de uma maneira completamente diferente. Como era de uma família renomada e financeiramente abastada, sua trajetória de vida foi distinta da maioria das mulheres de seu tempo.

Filha de Joaquim José Teixeira Leite e Ana Esmeria Correia e Castro, era neta paterna do barão de Itambé e neta materna do barão de Campo Belo. Tinha apenas outra irmã, pois seu irmão morreu ainda na infância.

Ou seja, Eufrásia era de uma linhagem muito rica antes mesmo de nascer. Sua família era de barões e comissários de café e tanto seu pai quanto sua mãe vieram de uma descendência aristocrática.

Como não tinha irmãos homens, Eufrásia e sua irmã receberam uma educação diferenciada. Inclusive, há relatos que ela aprendeu a lidar com números desde muito nova, incentivada pelo seu próprio pai para que ela soubesse cuidar da imensa fortuna.

Recebeu uma educação aristocrática e estudou em escolas muito boas para meninas na época. Fez o ensino básico, aprendeu regras de etiqueta, francês e a tocar piano.

Quando Eufrásia começou no mundo das finanças e dos investimentos?

Sua vida de investidora começou cedo. Perdeu os pais em 1872, fazendo com que ela e a irmã recebessem uma imensa fortuna. A herança recebida foi gerida pelas duas.

Essa riqueza lhe garantiu emancipação econômica e a fez ser reconhecida como uma investidora bem sucedida e uma mulher independente que viveu conforme desejou. Se fosse comparar com os padrões atuais, Eufrásia seria bilionária.

Foi a partir do momento da morte de seus pais que resolveu desafiar os padrões da época e aplicar parte do seu capital na Bolsa de Valores.

Ela e a irmã se mudaram para a Europa logo após o falecimento e recebimento da herança. Assim, Eufrásia operou em diversas Bolsas de Valores ao redor do mundo.

Naquela época, a Bolsa era um ambiente totalmente masculino, sendo vedado às mulheres de frequentar alguns espaços, inclusive onde eram feitas as negociações.

As raras investidoras que eram encontradas tinham que ficar separada dos homens e precisavam de um intermediador para fazer a compra e venda de ativos. Mesmo com essas dificuldades, o talento de Eufrásia era notável, pois conseguiu multiplicar várias vezes seu patrimônio.

Que tipo de investimento Eufrásia fazia?

Eufrasia investia muito em ações. Podemos considerar-la como uma investidora de perfil agressivo/arrojado, pois a maioria dos seus investimentos eram na renda variável.

Na Bolsa de valores, chegou a fazer negócios em 17 países diferentes e em nove moedas, investindo por cerca de 55 anos nessa modalidade. Incentivou o desenvolvimento industrial, comprando muitas ações na Europa de companhias dos setores: extrativistas, ferroviárias, energia elétrica, produção de petróleo, dentre outras.

No Brasil, foi acionista de grandes empresas, como a Companhia Antarctica Brasil, que hoje faz parte da Ambev. Além dela, comprou ações de organizações têxteis, como a Tecelagem de Seda Ítalo-Brasileira e a Companhia América Fabril & Cia.

Investiu também no setor ferroviário, adquirindo ações de empresas como a Cia. Mogiana de Estradas de Ferro e Cia. Paulista de Estradas de Ferro, dentre diversas outras.

Outros investimentos feitos por Eufrásia no Brasil foram em bancos. Ela adquiriu papéis do Banco do Brasil e do Banco Mercantil do Rio de Janeiro, por exemplo.

Qual o legado de Eufrásia Teixeira Leite?

Eufrasia morreu e deixou uma grande fortuna, além de terrenos e imóveis, principalmente na sua cidade natal. Sua residencia em Vassouras, a Cada da Hera, se tornou um museu que fala um pouco da sua história. Lá, é possível encontrar também peças deixadas por elas, como roupas de alta costura.

Seu testamento alegava que sua casa deveria se tornar um Museu e que tudo deveria ser conservado da maneira que estava. Ela não deixou herdeiros diretos. A maior parte da sua fortuna foi doada para instituições educacionais e assistenciais.

Alguns terrenos deixados por Eufrásia na sua cidade natal foram utilizados para a construção do Instituto Feminino para moças pobres, o Colégio Regina Coeli para moças, o SENAI, o atual fórum da cidade e uma delegacia, dentre outros prédios. Além disso, seus recursos foram utilizados para a construção do Hospital Eufrásia Teixeira Leite.

Outras instituições também receberam parte da sua fortuna. Ela mesma deixou em seus testamentos que seu dinheiro deveria ser utilizado em filantropia.

Outras curiosidades sobre Eufrásia Teixeira Leite

Eufrasia teve um romance com o diplomata Joaquim Nabuco, um político abolicionista, historiador e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. As cartas que enviou a ele estão guardadas no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas sociais, na cidade de Recife.

O seu espólio (conjunto de bens que integram o patrimônio do falecido) tinha um valor estimado de 37 milhões de réis, o que permitiria comprar cerca de 1870 quilos de ouro na época.

Ele era constituído aproximadamente por ações de 297 empresas de dez países diferentes, títulos de dívida pública do governo, uma casa em Paris, um loteamento de 49 terrenos em uma rua nobre de Copacabana e a Casa de Hera.

Eufrásia Teixeira Leite, mesmo que tenha tido uma base familiar bastante diferenciada para alcançar bons resultados e ter recebido um tratamento diferencial na época, deve ser vista como uma mulher excepcional, pois foram seus conhecimentos em investimento que a fez chegar onde chegou e se tornar notável nesse quesito.

É por isso que ela é considerada uma figura importante não só para o mundo dos investimentos, mas deve servir como uma inspiração para mulheres na hora de investir no mercado financeiro!

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Autor

Equipe André Bona

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