O mercado financeiro apresenta alternativas para diferentes perfis e objetivos. Então, que tal começar entendendo como funciona a renda fixa? Ela se caracteriza por servir bem a investidores que buscam maior segurança e estabilidade ao investir.

Embora a poupança seja a aplicação mais popular no Brasil, existem diversas opções de renda fixa que podem ser mostrar mais vantajosas. Mesmo em um cenário de juros mais baixos, os pontos positivos continuam existindo.

Quer saber mais? Continue a leitura!

O que é renda fixa?

Os investimentos podem ser classificados em dois grupos básicos: a renda fixa e a renda variável. As principais diferenças entre eles estão no modo de investir e também nos riscos que cada um apresenta.

De modo geral, a renda fixa tem mais estabilidade e segurança. Ela funciona como uma espécie de empréstimo que o investidor faz para a instituição emissora de um título (que podem ser governos, instituições financeiras ou empresas).

É importante ressaltar que, como qualquer investimento, os títulos de renda fixa também estão sujeitos a riscos. Eles apenas são considerados menores do que na renda variável. Na bolsa de valores, por exemplo, existe volatilidade nos preços — o que gera maior risco de prejuízo.

Além disso, alguns produtos de renda fixa apresentam uma segurança a mais: a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ele devolve o dinheiro do investidor em caso de calote do emissor (com limite de R$ 250 mil por CPF e instituição financeira, com limite global de R$ 1 milhão renovável a cada 4 anos).

Como funciona a renda fixa?

O funcionamento dos títulos, como condições de remuneração do investimento ou prazos, variam de acordo com o emissor. Em muitas aplicações, os indicadores financeiros de referência são o CDI, a Selic e o IPCA.

A lógica da rentabilidade das aplicações pode ser de três formas principais:

  • Prefixados: os juros são fixos e estabelecidos desde o início;
  • Pós-fixados: a remuneração é atrelada às variações do indicador de referência ao longo do tempo;
  • Híbridos: os dois modelos anteriores são aplicados conjuntamente.

Outro dado importante é sobre a tributação dos investimentos em renda fixa. Na maioria dos casos, ela está sujeita a uma tabela regressiva de Imposto de Renda. Dessa forma, ela reduz conforme o prazo de vigência do investimento, conforme a regra:

  • 22,5% para aplicação por até seis meses;
  • 20% de seis meses a um ano;
  • 17,5% de um a dois anos;
  • 15%, acima de dois anos.

Algumas exceções e particularidades são aplicáveis a situações específicas. Por exemplo, há isenção do IR para LCI e LCA, poupança e debêntures incentivadas.

Quais são os principais produtos de renda fixa?

As alternativas de renda fixa são bem variadas e vale a pena conhecer as principais. Veja alguns produtos a seguir:

Poupança

A poupança é um exemplo de investimento em renda fixa. Ela se caracteriza por alta liquidez (isto é, fácil acesso ao dinheiro). Sua rentabilidade varia conforme a taxa Selic. Quando a taxa está igual ou abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento é de 70% da Selic + TR. Com a taxa acima de 8,5% ao ano, a rentabilidade é de 0,5% + TR.

A TR é a taxa referencial, que se encontra zerada desde o final de 2017. Assim, pode-se perceber que o rendimento da poupança não se apresenta muito atrativo — podendo ser menor do que a inflação em alguns períodos.

Títulos Públicos

Outras opções populares na renda fixa são os títulos do Tesouro Direto. É o caso do Tesouro Selic, Tesouro IPCA e Tesouro Prefixado. Eles são emitidos pelo Governo Federal e são considerados os produtos mais seguros do mercado.

O Tesouro Selic apresenta rendimento de 100% da taxa Selic. Já o Tesouro prefixado, como o nome indica, tem uma taxa determinada no início da aplicação. E os títulos de Tesouro IPCA acompanham a inflação mais uma taxa fixa.

CDBs

Os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) são títulos emitidos pelas instituições bancárias. No caso de aplicações pós-fixadas, é comum que o índice de referência seja o CDI.

A rentabilidade varia conforme a instituição financeira — que pode oferecer, por exemplo, mais do que 100% do CDI. Os CDBs contam com a cobertura do FGC.

LCI e LCA

As LCI e LCA — ou Letras de Crédito Imobiliário e Letras de Crédito do Agronegócio — têm funcionamento parecido com os CDBs. A principal diferença é que não cobram Imposto de Renda.

Isso acontece por que são destinadas a áreas importantes para a economia brasileira. Outra vantagem delas é que também contam com a segurança do FGC.

Debêntures

As debêntures são títulos de crédito emitidos por empresas para o financiamento de projetos, investimento em infraestrutura e outras formas de crescimento operacional. Elas costumam envolver um pouco mais de risco e não têm cobertura do FGC.

Assim como os outros exemplos, as aplicações podem ter taxas prefixadas, pós-fixadas ou híbridas. De modo geral, elas cobram Imposto de Renda, mas há um tipo que é isento (as chamadas debêntures incentivadas).

CRI e CRA

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) têm uma lógica semelhante à LCI e LCA — e também são isentos de Imposto de Renda.

Entretanto, eles costumam envolver riscos um pouco maiores. São emitidos por empresas securitizadoras e não apresentam cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.

Quais as vantagens e desvantagens dos títulos de renda fixa?

Depois de saber o que são as aplicações de renda fixa, é preciso ter certeza se a modalidade de investimento é adequada para sua necessidade. Logo, vale a pena conhecer as vantagens e desvantagens dos títulos.

A maior previsibilidade quanto à rentabilidade e o processo em si são pontos positivos. Além disso, como você viu, alguns títulos têm uma segurança a mais por apresentar proteção do FGC.

Outra vantagem é a variedade de produtos disponíveis. Você pode encontrar diversas alternativas com prazos, liquidez e valor de investimento mínimo diferentes.

Entretanto, uma de suas principais desvantagens é a baixa rentabilidade — se comparado com os produtos da renda variável. Outro ponto negativo é a exigência de aplicações iniciais elevadas em alguns produtos (o que pode limitar o acesso de pequenos investidores).

De modo geral, o perfil investidor mais indicado para o investimento em renda fixa é o conservador. Ainda assim, todos se beneficiam de entender como funciona a renda fixa para aplicar, por exemplo, a reserva de emergência ou dinheiro para planos de curto prazo.

Este conteúdo ajudou você? Agora, que tal aprender como investir na bolsa de valores com pouco dinheiro?

Autor

Equipe André Bona

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