Não é incomum ouvir histórias de pessoas que tiveram “quebras financeiras”, que FALIRAM! Ou ainda, que não quebraram ou faliram, mas enfrentam frequentes dificuldades financeiras.

Para ilustração, colocaremos números nesta conversa: temos no Brasil atualmente uma população estimada de 208 milhões de pessoas, segundo dados de 2018 do IBGE.  E. dentre essa população, 63 milhões de pessoas estão com restrição no CPF – inscritos em órgãos de proteção do consumidor, como SPC e SERASA.

A relação entre a população com restrição no CPF e a população total é de 30,28% no Brasil. Impressionante, não é mesmo?

Diante dessa realidade, algumas medidas podem ser tomadas antes de engrossar esse número – ou sair dele, caso você esteja fazendo parte dessa estatística nesse momento.

Siga os passos elencados abaixo para começar a organizar as dívidas e saia de vez dessa armadilha!

1. Conheça seus débitos

Para começar a organizar as dívidas precisamos, antes de qualquer coisa, identificá-las. Faça a si mesmo a seguinte pergunta: quais são os créditos contratados que tenho?

É necessário mapeá-los e definir suas características.

E por que isso é necessário? Porque cada tipo de crédito tem seu objetivo, podendo ser “mais ou menos perigoso”. Primeiro, separe os Empréstimos dos Financiamentos.

Por definição do Banco Central, o empréstimo é um contrato entre cliente e instituição financeira em que o cliente recebe uma quantia que deverá ser paga com prazo e taxa de juros determinados. Os recursos obtidos no empréstimo não têm destinação específica.

Já o financiamento tem como principal diferencial do empréstimo o fato de ter destinação específica dos recursos tomados. Temos como exemplo a aquisição de veículo ou de bem imóvel. Geralmente o financiamento possui algum tipo de garantia, como alienação fiduciária do bem.

Os empréstimos representam os créditos de maior quantidade e menores valores. Apresentam quase que por regra taxas de juros maiores, e por isso, vamos focar neles nesse guia.

Portanto, para começar a organizar suas finanças e sair das dívidas, faça o reconhecimento de todo tipo de empréstimo tomado e identifique a taxa de juros pactuada. Para organizar suas pendências, classifique-as por taxas de juros, iniciando da mais alta para a mais baixa.

E como fazer esta análise e classificação?

Atualmente no mercado dentre as opções mais comuns de empréstimos, os tipos com juros mais elevados são: Utilização de Limite de cheque especial na conta corrente e Rotativo do Cartão de Crédito (quando não é feito o pagamento do valor total da fatura) ou, ainda, o parcelamento da fatura de Cartão de Crédito.

Outros dois tipos comuns de empréstimos são os créditos pessoais, disponibilizados pelos bancos, e o Consignado, disponível para trabalhadores vinculados a empresas/órgãos que tenham convênio para consignar a prestação diretamente no contracheque do cliente.

Esses últimos dois tipos têm taxas de juros menores.

A colocação em relação à taxa de juros é a seguinte – da maior para a menor:

1º -Limite de cheque especial;

2º -Rotativo do Cartão de crédito;

3º -Parcelamento do Cartão de crédito;

4º -Crédito Pessoal em conta;

5º -Crédito Consignado.

2. Liquide o que for possível ou faça trocas

Com os empréstimos mapeados, o objetivo para começar a organizar as dívidas é amortizar ou liquidar as de juros mais altos com recursos obtidos nas linhas de juros mais baixos. Nesta etapa, considere liquidar o que for possível ou troque prestações/juros maiores por prestações/juros menores.

Vamos trabalhar com a realidade de que, nesse momento, você não tenha recursos disponíveis para quitar um empréstimo.

Nesse cenário, a organização das dívidas será iniciada com uma troca de taxas de juros. Todos os empréstimos de taxas maiores devem ser trocados por créditos de taxas menores, havendo assim uma liberação de fluxo mensal.

Por regra do mercado financeiro, determinadas pelo Banco Central, no caso de empréstimo que tenha liquidação antecipada, a instituição financeira deve conceder desconto na taxa de juros.

Caso você tenha acesso ao crédito consignado, verifique a possibilidade de contratá-lo a fim de quitar todos os empréstimos elencados acima.

Não havendo possibilidade de quitação total, use a ordem de quitar primeiro o de juros maior, depois o segundo maior, e assim sucessivamente até a utilização do recurso total.

Alternativas ao empréstimo consignado

Não tem acesso ao empréstimo consignado? Existem outras opções a seguir!

Se você não tem acesso ao consignado, verifique se tem aprovado, ou solicite junto à instituição financeira a aprovação do Crédito Pessoal. E com esse crédito quite aqueles que têm os juros maiores.

Caso não consiga quitar Cartão de Crédito após quitação do Limite Especial, não pague somente o rotativo do cartão. Verifique opções de parcelamento – uma vez que, ainda que altos, os juros apresentados nessa modalidade são menores que o do rotativo do cartão.

Lance mão de planilhas, cadernos de anotação, ou o que mais for conveniente e amigável para registrar toda essa movimentação. Lembre-se que o hábito de controlar suas finanças é muito saudável e essencial para uma boa organização financeira.

O passo principal para começar a organizar as dívidas pode parecer ter sido dado, porém, existem alguns passos mais importantes para conseguir sair do ciclo vicioso de pagamentos de juros.

Continue os passos e confira as próximas dicas.

3. Reduza seus limites de créditos disponíveis

Ao cobrir a utilização do limite especial, assim que possível, reduza o limite! Estatisticamente, o número de pessoas que cobre a utilização, mas volta a utilizá-lo em pouco tempo, é alto.

O mesmo ocorre com o Cartão de Crédito. Ao pagá-lo, diminua o limite do cartão. Não corra o risco de ficar com a prestação do crédito pessoal ou do consignado e voltar a não pagar a fatura total do cartão – seu custo mensal aumentará!

4. Escolha a Instituição que melhor lhe atenderá

Para manter a conta, o cartão de crédito e os créditos pessoais – que logo serão liquidado, faça uma busca pelas instituições e encontre a que melhor lhe atende. Busque aquelas com taxas menores e com facilidades que são importantes para você.

Hoje é possível que o consumidor faça a portabilidade do salário, escolhendo onde deseja receber seu salário – o que gera um incrível poder de negociação com o banco: eles querem seu salário!

É possível também fazer a portabilidade do crédito. Tudo isso hoje é facilitado com buscas nos sites das instituições, sem sair de casa.

5. Mantenha a organização financeira

Após todas essas ações, volte ao passo 1, e atualize seu mapeamento de créditos tomados. A partir de agora, o que entrar de dinheiro a mais, como 13º salário ou bônus, será destinado à amortização dos créditos ainda vigentes, sempre do mais caro ao mais barato.

Organize seu fluxo de caixa, delimite o valor mensal que tem disponível para gastar e ajuste as despesas, pois nessa fase, não vamos mais considerar concessão de novos empréstimos.

6. Alcance uma mentalidade superavitária

Nesse ponto, com os passos explanados acima postos em prática, o seu fluxo mensal provavelmente já melhorou. Este é o momento de você se pagar.

Ainda que existam créditos vigentes – que diminuirão mês a mês – separe um valor mensal para acumular! Comprometa esse dinheiro e não deixe que ele entre no consumo e acabe não fazendo diferença na sua organização financeira.

Você terá uma postura agora não só de tomador, mas também de aplicador.

E seja bem-vindo! Agora você tem o domínio das suas finanças e sabe o que está fazendo com seu dinheiro.

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Autor

Daniela Viola Bona

Especialista em Finanças e Economista pela UFES (ES). Especialista em Comportamento Organizacional. Atua no mercado financeiro há 10 anos. Realiza atividades de educação e treinamento como professora/instrutora na área de banking/economia.

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