Antes de investir em uma empresa é preciso conhecer sua saúde financeira. Assim, é possível compreender as perspectivas de desempenho e quais são os pontos de atenção. Existem diversos indicadores que podem ser utilizados para isso, como o índice de endividamento geral.

Porém, antes de utilizá-lo, é necessário entender como ele é composto e que tipo de informações ele revela. A partir disso, você terá condições de utilizá-lo em sua tomada de decisão de maneira estratégica.

Na sequência, descubra o que é esse índice de endividamento e entenda como usá-lo no momento de investir!

O que é índice de endividamento geral?

Um índice de endividamento geral é dado por uma relação entre os valores devidos por uma companhia e o seu capital próprio ou patrimônio. Portanto, ele é um indicador da situação financeira do negócio e de quanto dinheiro está comprometido com as dívidas.

Porém, apesar de estar mais associado às empresas, com destaque para companhias de capital aberto, ele pode ter outras aplicações. Por exemplo, o índice de endividamento geral das famílias brasileiras ajuda a mostrar as condições financeiras dos cidadãos.

Como funciona esse índice?

Para ser capaz de usar o índice de endividamento geral é fundamental entender o que ele mede e como isso é feito. Assim, conhecer seu cálculo é um bom ponto de partida. Para começar, obtenha o valor do capital de terceiros, que representa todas as dívidas de curto e longo prazo.

Depois, divida esse valor pelos ativos totais do negócio. Por fim, multiplique o resultado por 100. Desse modo, é possível saber qual é a proporção do ativo de uma empresa destinada ao pagamento de dívidas.

Veja a fórmula:

EG = (Capital de terceiros / Ativos totais) x 100

Em geral, um número maior no índice de endividamento geral pode estar associado a problemas na saúde financeira. Afinal, ele só pode ser fruto de duas situações.

A primeira é no caso de os ativos totais serem baixos, o que pode levar a uma dificuldade quanto à quitação dos valores devidos. O segundo caso envolve as dívidas maiores, o que também pode criar um sinal de alerta quanto à viabilidade do investimento em ações.

Para que serve o índice de endividamento geral?

Antes de entender a utilidade do índice, vale relembrar o conceito de análise fundamentalista. Ela tem como objetivo avaliar os fundamentos das empresas e outros aspectos importantes do negócio. A ideia, nesse caso, é verificar o seu potencial e as perspectivas para o futuro.

Nesse cenário, o índice de endividamento é uma ferramenta de apoio à tomada de decisão, pois traz informações sobre as condições econômicas de uma companhia. De modo mais específico, ele favorece a análise sobre o comprometimento dos ativos com o capital de terceiros.

Então, ele é útil para demonstrar se uma companhia está muito endividada e, potencialmente, com problemas financeiros. Esse índice, associado a outros, pode trazer projeções de desempenho, indicando o risco de realizar o investimento em uma empresa, considerando seu potencial futuro.

Portanto, ele se torna importante para auxiliar em sua análise fundamentalista. Analisado em conjunto com outros indicadores, ele permite identificar se vale a pena ou não investir em um empreendimento com base na performance, nas expectativas e nos seus objetivos.

Como usar o índice de endividamento geral em sua análise?

Ao entender como funciona o índice de endividamento geral, fica claro que um valor mais elevado pode apontar para problemas financeiros. Contudo, o ideal é que sua avaliação não se baseie apenas no resultado do cálculo.

Em primeiro lugar, não existe um número mínimo ou máximo para indicar quando uma empresa é financeiramente saudável ou não. Logo, o resultado isolado não consegue fornecer informações completas.

Em segundo lugar, considerar somente o resultado do cálculo traz uma visão parcial da situação financeira. Uma empresa pode ter um índice baixo de endividamento, mas estar com problemas em sua gestão.

De maneira semelhante, um endividamento alto pode não ser tão preocupante, dependendo de outras características. Se o índice estiver alto porque a companhia precisou financiar projetos rentáveis, por exemplo, a condição pode não ser exatamente negativa.

Também é importante avaliar o resultado do índice com ajuda das demonstrações contábeis e com o plano de amortização da dívida. Se ele for viável para o cenário atual e apresentar boas condições, pode ser um indício de que a situação financeira é positiva.

Além disso, vale a pena fazer a comparação do resultado desse índice com o de outras empresas do mesmo setor. Dessa maneira, você pode ter uma ideia de qual companhia apresenta maior comprometimento de capital.

Quais outros indicadores que mostram a saúde financeira da empresa?

Para fazer uma análise fundamentalista robusta não basta usar só um indicador. Portanto, além de indicadores mais conhecidos, como o P/L (preço sobre lucro) e P/VPA (preço sobre valor patrimonial por ação), existem outras opções.

Veja algumas opções!

Enterprise Value (EV)

O principal objetivo do Enterprise Value é encontrar o valor de mercado da empresa, quanto à capitalização. A fórmula inclui dívidas e elementos do patrimônio, o que pode ajudar a indicar o nível de saúde financeira.

Veja só:

EV = Valor de mercado do negócio + Dívida líquida – Valor de caixa disponível

Normalmente, uma capitalização maior significa que a empresa tende a oferecer mais robustez e segurança. Com a análise do indicador junto ao índice de endividamento, você terá uma visão mais completa das perspectivas.

Dívida bruta / Patrimônio líquido

Para complementar o índice de endividamento, pode-se utilizar o múltiplo que considera a dívida bruta quanto ao patrimônio líquido.

O cálculo é feito exatamente com base nessa relação e permite compreender quais são os impactos da dívida no patrimônio da companhia. Assim, é possível entender se a empresa tem ou não disponibilidade patrimonial para se manter no mercado e superar os desafios.

ROE

Chamado de Return on Equity ou retorno sobre patrimônio líquido, o ROE pode ser um aliado do índice de endividamento. Ele é dado pela seguinte fórmula:

ROE = Lucro líquido nos últimos 12 meses / Patrimônio líquido nos últimos 12 meses

Assim, é possível entender quanto a empresa é capaz de gerar, com base em seu patrimônio. Em regra, uma capacidade maior de retorno indica finanças mais saudáveis, já que o lucro líquido maior costuma estar associado a dívidas e outros custos menores.

Como visto, o índice de endividamento é crucial para a sua análise fundamentalista, pois revela a situação financeira do negócio. Portanto, ao aplicá-lo em conjunto com outros indicadores financeiros, você poderá tomar decisões mais seguras sobre investir em determinadas empresas.

Quer mais dicas? Para ter apoio na composição da carteira, veja como fazer uma análise fundamentalista completa!

Autor

Equipe André Bona

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