Você sabia que, no universo dos investimentos, há uma classificação diferenciada para determinados investidores? Ela é estabelecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM): são os investidores profissionais e os investidores qualificados.

Apesar de muitas pessoas, em um primeiro momento, pensarem que eles têm as mesmas características, é preciso entender que há diferenças importantes. Além disso, é necessário conhecê-las porque existem investimentos exclusivos para elas.

Está curioso para saber as principais diferenças entre o investidor profissional e o qualificado? Continue a leitura!

O que define um investidor profissional?

Antes de você descobrir o que significa ser um investidor profissional, é necessário entender que, de acordo com a instrução 539 da CVM, essa qualificação tem o intuito de proteger quem deseja investir.

Então, é uma forma de evitar que uma pessoa aporte recursos em investimentos com riscos muito elevados. Ou seja, que não sejam condizentes com a capacidade financeira dela ou com seu perfil de investidor.

Depois de entender o objetivo dessa classificação, chega o momento de conhecer as características do chamado investidor profissional segundo a Instrução 554/2014 da CVM. Tem esse título a pessoa física ou jurídica que tem mais de R$ 10 milhões em investimentos no mercado financeiro.

Porém, não basta ter esse montante, a pessoa precisa comprovar por escrito que cumpre o requisito. Isso se dá por meio da declaração de investidor profissional. Ela pode ser obtida com seu banco de investimentos para ser enviada à CVM.

O órgão, então, avalia o pedido e concede a classificação — que funciona como uma certificação de investidor profissional. Com isso, você passa a ter um registro no órgão regulador, atestando que tem conhecimento avançado do sistema financeiro.

Outros agentes que são investidores profissionais

As pessoas que não possuem R$ 10 milhões investidos também podem entrar na classe de um investidor profissional. Para isso, precisam ter atuação autorizada pela CVM como:

  • Agente Autônomo de Investimentos (Ancord);
  • Administrador de carteira (CGA ou CFA III);
  • Analista autorizado (CNPI);
  • Consultor autorizado (CNPI, CGA, CEA ou CFP).

Há, ainda, outros perfis que são classificados como investidores profissionais. Por exemplo, as instituições financeiras e entidades que têm autorização do Banco Central para funcionar.

Além delas, entram na lista:

  • companhias seguradoras e sociedades de capitalização;
  • entidades abertas e fechadas de previdência complementar;
  • fundos de investimento e clubes de investimento (que tenham administrador autorizado pela CVM);
  • investidores não residentes (pessoas físicas ou jurídicas, incluindo fundos ou outras entidades de investimento coletivo, que tenham sede ou domicílio em outro país e que investem no Brasil).

Qual é o conceito de investidor qualificado?

Quando a classificação da CVM é para o investidor qualificado, as características mudam. Nesse caso, é a pessoa física ou jurídica que tenha mais R$ 1 milhão em investimentos financeiros e comprove, por escrito, essa condição.

Assim, é possível perceber que todo investidor profissional cumpre o requisito para ser um investidor qualificado. Entram também nessa categoria os clubes de investimento, desde que sua carteira seja gerida por um ou mais cotistas que sejam classificados como um investidor qualificado.

Além disso, de modo semelhante ao investidor profissional, mesmo quem não possui R$ 1 milhão investido pode ser um investidor qualificado. Basta comprovar conhecimento técnico nas questões que envolvem o universo do mercado financeiro e mercado de capitais.

Logo, são pessoas aprovadas em exames de qualificação técnica ou que apresentam certificações aceitas pela CVM.

Entre as provas que avaliam esse domínio técnico do sistema financeiro estão as certificações da ANBIMA — Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Há ainda certificações de instituições internacionais.

Em relação a apresentar a certificação para ter o título de investidor qualificado, você precisa se ater a uma exigência. As entidades podem exigir do investidor a educação continuada na área, bem como o pagamento de anuidade — a fim de que o certificado não seja suspenso.

Quais as principais diferenças entre eles?

Até aqui, você acompanhou que ambos os tipos de investidores têm um capital mais elevado ou domínio técnico para fazer aportes no mercado financeiro. Dessa forma, os dois podem ter acesso a investimentos mais restritos e, assim, mais arriscados também.

Esse acesso é concedido considerando que são pessoas que estão a par da legislação dessa área, entendem as formas de proteção de capital (hedge), entre outros pontos mais específicos.

Desse modo, acredita-se que eles podem tomar as decisões de forma embasada. Isso é importante, pois se trata de alternativas mais complexas do mercado financeiro.

Como você viu, a principal diferença entre o investidor profissional e qualificado é o patrimônio. O primeiro precisa ter R$ 10 milhões investidos no mercado financeiro, registro na CVM e/ou atuação autorizada pelo órgão regulador.

Já para o segundo, a exigência é R$ 1 milhão ou uma qualificação técnica ou certificação aceita pela CVM, mas sem a necessidade de registro. Como é possível observar, não dá para obter o título de investidor profissional apenas realizando a prova de certificação técnica.

Quais investimentos são direcionados para investidores profissionais e qualificados?

Devido ao montante investido ou conhecimento avançado, ao se tornar um investidor qualificado e profissional você passa a ter acesso a opções mais restritas de investimento do mercado financeiro.

Dessa forma, são títulos que permitem ampliar a sua carteira. Mas é preciso entender que os riscos de operação para esses investimentos são maiores, à medida que o potencial de retorno também tende a ser maior.

Veja a seguir os investimentos direcionados exclusivamente para essas categorias:

  • alguns certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA);
  • fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC);
  • fundo de investimento no exterior (FIEX);
  • algumas debêntures incentivadas;
  • determinados fundos de investimento imobiliário (FIIs), como KNCR11 e o KNIP11;
  • fundos de investimento em participações (FIP);
  • fundos mútuos de investimento em empresas emergentes (FMIEE).

Fundos com maior risco ou que exigem um capital mínimo de valor mais elevado para investimento podem ser destinados apenas a investidores profissionais. Nesse sentido, vale a pena analisar sempre a lâmina do fundo para saber a quem a alternativa se destina.

Como você viu, o investidor profissional está no topo da classificação de investidores da CVM. Tanto essa classificação como a do investidor qualificado detêm vantagens em relação ao acesso ampliado a diferentes opções do mercado financeiro brasileiro.

Gostou de conhecer as classificações de investidores? Saiba mais detalhes sobre o investidor qualificado e veja como se tornar um!

Autor

Equipe André Bona

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