As empresas costumam ter uma lista extensa de obrigações financeiras no curto prazo. Qualquer negócio depende de alguns custos recorrentes para se manter — por exemplo, aluguéis de espaços, pagamento de funcionários, compra de matérias-primas, etc.

Quando se fala das companhias listadas na bolsa de valores, a questão ganha outras proporções. Afinal, empresas de capital aberto são normalmente negócios de grande porte e com processos produtivos complexos.

A liquidez corrente ou a capacidade de pagamento no curto prazo é algo de grande importância para as companhias. Consequentemente, também é um ponto para o qual os investidores devem estar atentos.

Saiba mais sobre o assunto!

O que é liquidez corrente?

Em um negócio, a liquidez corrente representa as condições que ele tem para arcar com os seus custos rotineiros. Assim, é um conceito que considera o curto prazo, indicando se a empresa tem ativos circulantes correspondentes aos passivos circulantes.

E do que se tratam os dois conceitos que apresentamos? Os ativos circulantes são os bens e direitos que podem se transformar em dinheiro rapidamente. Ou seja, que estão disponíveis para ser usados em breve.

Os principais exemplos de ativo circulante são o saldo e as quantias a receber na conta da empresa. O estoque de produtos também é um tipo de ativo circulante — já que, quando vendidos, fazem entrar valores para o caixa.

Por sua vez, os passivos circulantes são representados pelos custos do curto prazo. Por exemplo, as contas mensais a pagar, possíveis impostos e empréstimos, etc. Enquanto os ativos são valores a receber, os passivos significam o oposto.

A relação entre os dois indica a liquidez corrente. Ou seja, a capacidade que a empresa tem de realizar seus pagamentos de curto prazo com o dinheiro disponível. Nesse caso, o cálculo da liquidez considera todos os ativos e passivos circulantes.

Além dela, existem outros tipos de liquidez que apresentam cálculos variados. A liquidez seca se diferencia por não considerar o estoque como ativo circulante. Outro exemplo é a liquidez imediata, que desconsidera o estoque e também as contas a receber.

Como calcular a liquidez corrente?

Agora que você já viu o que é a liquidez corrente e como ela é avaliada a partir da relação entre ativos e passivos, vamos falar sobre o cálculo desse indicador contábil. Ele é obtido com uma divisão simples:

Liquidez corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante

Ou seja, para descobrir a liquidez corrente de uma empresa basta dividir o valor do seu ativo circulante pelo valor do passivo. Em um negócio no qual as quantidades são exatamente iguais, o resultado seria 1.

Um resultado assim indica que a companhia tem ativos suficientes para custear seus passivos, mas nada além disso. Logo, não há sobras no caixa da empresa depois de conseguir custear todos os gastos de curto prazo.

Nesse cenário, não há lucro, embora também não haja endividamento. Já se o resultado for maior que 1, o cálculo demonstra que a empresa tem mais ativos do que passivos circulantes. Então, ela tem boa capacidade de pagamento e mantém o caixa positivo.

Certamente, o ideal é que a divisão retorne um valor maior do que 1, não é mesmo? O número indica que há capital de giro. Em outras palavras, o negócio tem folga no orçamento para pagar suas obrigações e continuar com dinheiro.

Um terceiro resultado possível seria um número menor que 1. Quando isso acontece, o indicativo é de que a empresa não tem boas condições de pagamento no curto prazo. Se os passivos são maiores do que os ativos, ela precisa contar com crédito externo para honrar com seus custos.

Como avaliar a liquidez corrente de uma empresa?

Até aqui, falamos sobre o que é a liquidez corrente, como ela é calculada e de que forma seus resultados podem ser interpretados. Sem dúvida, a análise de indicadores contábeis é fundamental em um negócio, mas será que ela também é importante para o investidor?

A resposta é sim. Para investidores que compram ações visando os retornos no longo prazo é muito relevante analisar as contas da empresa. Afinal, eles estão se tornando sócios de um negócio e dificilmente entrariam em sociedade se ele não estivesse bem.

Nesse sentido, a liquidez corrente pode trazer informações centrais para avaliar a compra dos papéis de determinada companhia.

Veja o que ela pode apontar:

Saúde financeira

Certamente, o dado mais direto que a liquidez corrente apresenta é relacionado à saúde financeira de uma empresa. Como ela foca no curto prazo, é possível ver como está o caixa do negócio no momento atual.

O cálculo é geralmente utilizado para avaliar o período de um ano. Então, o investidor consegue observar se a companhia apresenta boas condições de arcar com suas contas e dívidas durante esse intervalo de tempo sem enfrentar problemas no caixa.

Boas perspectivas para o futuro

Muitos investidores que focam no longo prazo na bolsa de valores estão interessados em receber proventos — que são a distribuição do lucro da empresa. Obviamente, ela precisa estar com as contas organizadas para ser capaz de compartilhar lucro.

Afinal, se não existirem resultados financeiros positivos, não haverá o que distribuir entre os acionistas. Por isso, além de ser um dado para o curto prazo, a liquidez corrente também serve para avaliar as perspectivas para o negócio no futuro.

Capacidade de enfrentar crises com equilíbrio

Se o conceito de liquidez corrente ajuda a analisar as perspectivas para uma empresa, ele se torna ainda mais relevante na previsão do comportamento dela em períodos de crise. Isso porque é preciso ter flexibilidade orçamentária para enfrentar riscos de baixa nas vendas.

Então, empresas que já não tenham uma boa liquidez em momentos tranquilos tendem a sofrer ainda mais os efeitos negativos de uma crise. De outro lado, os negócios com liquidez maior podem passar pelas dificuldades com equilíbrio, indicando boa resiliência aos investidores.

Gestão de qualidade

Como a questão financeira é um dos pontos centrais na gestão de uma empresa, a análise da liquidez pode ser um indicativo importante de que há uma gestão de qualidade. Vale a pena o investidor a utilizar para observar isso — junto com outros indicadores, como o patrimônio líquido.

É importante destacar que nem sempre o endividamento é ruim para um negócio. O crédito pode servir para o crescimento e expansão. Por isso, é importante fazer uma análise da liquidez em conjunto com outras informações contábeis e fundamentos das empresas.

Depois de ler este post, você sabe que a liquidez corrente mostra a diferença entre os ativos e os passivos circulantes de uma companhia. Desse modo, ela pode ser um fator de análise para investidores que buscam as melhores empresas para negociar ações na bolsa de valores.

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Autor

Equipe André Bona

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