Você pode não saber o significado de padrão-ouro, mas esse sistema monetário já foi o modelo adotado em todo o mundo. Ou seja, ele já foi o sistema financeiro que regia a economia de todos os países.

Apesar desse sistema monetário ter sido suspenso pelo presidente dos Estados Unidos Richard Nixon, em 1971, atualmente alguns países estudam adotar novamente o padrão-ouro, como forma de evitar um possível colapso do modelo econômico vigente nos dias atuais.

Continue acompanhando o artigo para entender um pouco mais sobre o padrão-ouro e saber se este sistema monetário tem chances de voltar à ativa no Brasil e no mundo.

O que é padrão-ouro?

O padrão-ouro, por definição, foi um sistema monetário estabelecido do século XIX até a Primeira Guerra Mundial, ou seja, num período anterior à globalização.

Esse sistema, também chamado de estalão-ouro, era baseado na teoria quantitativa da moeda, elaborada pelo filósofo e historiador britânico David Hume, em 1752. A teoria fala sobre o fluxo de moedas metálicas e a relação entre a moeda e os níveis de preço (inflação e deflação).

No padrão-ouro, o regime cambial é fixo. Assim, os países firmavam um compromisso de fixar o valor de sua moeda mediante uma determinada quantidade real (concreta) de ouro. O compromisso também incluía uma política monetária de compra e venda de ouro, que deveria preservar a paridade definida.

Em uma explicação simplificada, no sistema de padrão-ouro, a quantidade de reservas de ouro de um país é que definia a sua oferta monetária.

Como funcionava o padrão-ouro?

Cada país conservava a maior parte de seus ativos em forma de ouro, cuidando do fluxo do mesmo para corrigir eventuais desequilíbrios nas balanças de pagamento. Eram essas reservas que determinavam as circunstâncias do comércio de cada país.

No jogo de equilíbrio das balanças comerciais, se um país tivesse a balança comercial superavitária, importaria ouro de países deficitários. Isso faria com que a oferta interna de moeda aumentasse, causando o aumento da base monetária e dos preços. Com isso, os produtos do país perderiam a concorrência em mercados internacionais, freando outros superávits.

Por outro lado, se um país se encontrasse na situação de estar com a balança comercial deficitária, poderia exportar ouro para outros países, gerando uma contenção monetária interna, a queda dos preços internos e, consequentemente, aumentando a competitividade de seus produtos no mercado internacional.

No Brasil, o padrão-ouro foi adotado no período entre o Segundo Reinado e o início da República Velha. Mas sua adoção foi feita de forma incompleta. Ele foi abandonado devido ao alto grau da produção brasileira e suas importações.

Além disso, a falta de um sistema bancário central no país também ajudou com que o sistema monetário não tivesse um bom desenvolvimento por aqui.

Por que o padrão-ouro chegou ao fim?

Esse modelo de padrão-ouro durou até meados de 1914, época da Primeira Guerra Mundial. Nessa época, o Reino Unido era a grande potência mundial, por isso o chamado padrão libra-ouro.

Em 1944, passou a vigorar uma nova ordem monetária internacional, através dos Acordos de Bretton Woods. Nesse sistema adotou-se o padrão dólar-ouro. Mas, em 1971, o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, impôs o fim do padrão-ouro, já que o país não conseguia mais garantir a mesma quantidade combinada de ouro por dólar.

Com o fim do padrão-ouro, adotou-se um sistema com flutuação livre baseado nas moedas dólar, libra esterlina, euro e iene, e com possíveis intervenções dos bancos centrais.

Vale ressaltar que, hoje, não existe um sistema monetário internacional formal.

Por que alguns países querem a volta do padrão-ouro?

Há algum tempo, analistas financeiros debatem se o padrão-ouro deveria ser retomado como modelo econômico internacional. O autor Marc Friedrich, por exemplo, defende que os sistemas monetários baseados em moedas (dinheiro fiduciário) têm a tendência de fracassar.

O autor também destaca como alguns países têm aumentado consideravelmente a compra de ouro. É o caso de países como Rússia, Irã e China, que já demonstraram não confiar no sistema monetário baseado no dólar.

A preocupação tem seus porquês. Desde 1971, o dólar perdeu 80% do seu poder de compra, o que também aconteceu com outras moedas, como o euro, que já perdeu um terço do seu poder de compra desde a sua introdução.

Seguindo essa lógica, alguns economistas apostam na volta do padrão-ouro, já que o dinheiro está valendo menos a cada vez. Se a desvalorização continuar, chegando num hipotético cenário de o dinheiro não valer nada, teríamos uma situação de hiperinflação.

Há, ainda, quem afirme que foi justamente o abandono do padrão-ouro que provocou todos os problemas econômicos atuais. O fim desse sistema monetário internacional permitiu que os governos de cada país gastassem como queriam, levando às crises e dívidas internacionais que conhecemos hoje.

Adotar novamente o padrão-ouro poderia pôr fim aos ciclos econômicos e ataques especulativos. O mercado de metais preciosos apoia a ideia.

O padrão-ouro pode voltar a ser o sistema monetário internacional?

Apesar de ter seus entusiastas, incluindo Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, é pouco provável que o padrão-ouro volte a ser adotado como sistema monetário internacional. Embora seus defensores apresentem alguns argumentos, como a já citada desvalorização do dinheiro, esses argumentos são fracos.

Além disso, pouco se fala sobre os problemas causados por esses modelo econômico.

Há também uma questão importante relacionada ao papel que os bancos centrais, hoje, desempenham na economia mundial. Como o padrão-ouro determina a oferta monetária, nesse sistema não há espaço para o banco central administrar políticas monetárias para estabilizar a economia.

Muito especialistas são categóricos ao afirmar que padrão-ouro é praticamente impossível de voltar, especialmente porque não há tanto volume de ouro disponível no mundo para lastrear as moedas que seriam necessárias. O ouro também ficaria tão caro que provocaria outras distorções.

Portanto, embora possa parecer uma alternativa para trocar o atual sistema econômico extremamente volátil, dificilmente o padrão-ouro volte a ser adotado como sistema monetário internacional. Contudo, se ele voltar à ativa no futuro, você já saberá o que é este conceito e como ele funciona!

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Autor

Equipe André Bona

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