A avaliação de risco é algo inerente ao ser humano. O raciocínio pautado por “se” isso ou “então”aquilo é utilizado por nós a todo instante – ainda que, constantemente, não nos demos conta disso.

No contexto financeiro, muitas pessoas entendem risco como a possibilidade de algo dar errado, porém o risco representa tanto algo negativo como positivo: se o risco é baixo, podemos perder ou ganhar pouco; se o risco for alto, esse algo pode dar muito certo ou muito errado. Quanto maior o risco, maior a chance de perdemos ou ganharmos.

Um dos primeiros passos para começar a investir na prática é justamente entender o risco do investimento e o modo como ele afetará nossas aplicações financeiras – e se nosso perfil está adequado a esta situação. Mas também devemos levar esse conceito de risco para outras esferas de nossa vida que não a financeira – como no mercado de trabalho.

Neste artigo, você conhecerá algumas situações práticas nas quais uma avaliação de risco poderá lhe auxiliar a definir as causas e consequências que cercam uma decisão envolvendo a profissão, a carreira e, principalmente, ofertas de trabalhos irrecusáveis. Continue a leitura e descubra por que você deve considerar a avaliação de risco no mercado de trabalho e no seu dia a dia enquanto profissional.

A maneira correta de avaliar um risco

Infelizmente, a avaliação de risco não é ensinada no ensino formal pelo qual passamos ao longo de nossa vida. Caso opte por seguir um curso superior que envolva matérias de finanças, aprenderá a realizar projeções, fluxo de caixa, valor futuro e presente, mas não “valor da perda”.

O problema reside no fato de que ninguém te ensina a calcular o valor da situação que, eventualmente, não saia conforme o planejado – o custo de oportunidade representa isso de certa forma, porém é pouco frisado e não atende bem o critério de perda.

Não somos ensinados por dois motivos:

1 – Não existe cálculo que te mostre o valor de uma perda total. O que te mostra isso é saber analisar a situação de um modo diferente do senso comum;

2 – O ser humano, por natureza, é avesso à perda e, por isso, boa parte do tempo ignoramos o seguinte questionamento: “e se as coisas derem erradas?” Provavelmente, apenas lendo a pergunta, você já se sentiu mal.

E isso é um problema. Se tivéssemos o hábito de fazer uma boa avaliação de risco – seja no mercado financeiro, no mercado de trabalho e em tantas outras áreas de nossas vidas, poderíamos nos precaver de situações complicadas e entendermos melhor as consequências de nossas escolhas no dia a dia.

Afinal, o risco representa uma chance, mas também a oportunidade de analisar melhor uma situação como um todo.

Não existe almoço grátis

Uma frase citada frequentemente no mundo das finanças, mas que devemos utilizar em todos os aspectos de nossa vida: “Não existe almoço grátis”. Definitivamente, não existe almoço de graça: sempre que encontrarmos uma oportunidade ou situação na qual, aparentemente, não há ônus, devemos redobrar nossa atenção, pois é provável que nós não consigamos enxergar o risco envolvido.

Se for esse o caso, estamos em grande perigo: tomar decisões sem saber sua consequências, pode resultar em algo desastroso. Confira um exemplo prático a seguir:

Oportunidade de Emprego

Recentemente recebi uma oportunidade de emprego que chamarei de “milagrosa”. Fui convidado a fazer de um nova área em uma empresa conceituada no mercado e minha atuação seria como headhunter.

Sempre fui uma pessoa de números, sendo que minha experiência profissional foi pautada em análise de crédito e análise de dados, ou seja, a oportunidade “milagrosa” não tinha relação nenhuma com minha experiência profissional. O recrutador disse que ali eu poderia ganhar bônus de 5 dígitos mensalmente – ele mesmo havia ganhado quase meio milhão de reais no último ano e, ainda por cima, tinha um carro de R$ 150 mil fornecido pela empresa.

Além disso, salientou o bem que isso traria para minha carreira e a exposição positiva que eu ganharia ao atuar naquela vaga. Reiterou a oportunidade como uma coisa única e me informou que eu tinha 24 horas para aceitar ou recusar a proposta.

Obviamente, como qualquer ser humano, meu coração se encheu de alegria, mas meu senso de investidor falou mais forte. Comecei a desconfiar e realizar uma série de perguntas – com o intuito de avaliar melhor a situação e entender o risco por trás. Lembre-se: não existe almoço de graça.

Com as perguntas feitas e respondidas, agradeci o tempo do recrutador e fui para casa analisar a situação. Entendi que o salário dessa proposta era composto por 80% de bônus e eu primeiro tinha que me pagar – ou seja, toda receita que eu gerasse por recrutamento só começaria a ser contabilizada para o meu bônus a partir do momento que superasse meu salário fixo. Por exemplo, se o fixo fosse R$ 1.000, eu só começaria o “marco zero” a partir de uma geração de receita de R$ 1.000.

Além disso, o bônus era em modelo de divisão, ou seja, mesmo eu realizando todo o processo sozinho – caso bem sucedido, eu teria que dividir a receita com outras pessoas/cargos. E um detalhe: quando questionei a porcentagem desta divisão, o recrutador em questão não soube me informar. Também conversei com profissionais do mercado que me garantiram a impossibilidade de atingir as metas propostas pela tal empresa, o que acarretaria em desconto ou nenhum bônus.

Quando a proposta aconteceu, imediatamente eu queria dizer sim. Mas depois de analisar em casa percebi a furada que era. Você acredita ser coincidência o fato de eu ter apenas 24 horas para dar a resposta?

Acho engraçado que toda situação “furada” disfarçada de oportunidade tem que ser aceita na hora ou com pouco tempo de análise porque, caso a pessoa tenha muito tempo para pensar, ela dificilmente cairá nesse tipo de situação.

Processo seletivo

Com 14 milhões de desempregados no país, é comum que chegue um momento no qual as pessoas perdem as esperanças e, muitas vezes, vão para o tudo ou nada. Infelizmente, nessas horas, pessoas mal intencionadas se aproveitam da nossa fragilidade.

Já li e ouvi sobre vários casos de consultorias que garantiam a vaga para uma pessoa caso ela pagasse uma quantia em reais. E, em momentos de crise, estas situações tendem a ser cada vez mais comum – fazendo muita gente perder tempo, dinheiro e muito mais pelo simples fato de não terem o hábito de fazer uma avaliação de risco – independente da situação na qual se encontram.

De novo, lembre-se que não existe almoço de graça. Entendo que é difícil raciocinar nesse tipo de situação, mas é preciso considerar que uma decisão errada pode, muitas vezes, lhe custar muito caro!

Por isso, por mais que surjam à sua frente ofertas tentadoras no mercado de trabalho– seja em um processo seletivo, uma oferta de emprego ou uma oferta de sociedade, considere avaliá-las de maneira objetiva.

Conclusão

Reparem que essas situações de risco geralmente envolvem situações como: “a coisa é garantida”, “oportunidade única”, “essa oportunidade só durará por um período x de tempo”. E, infelizmente, a falta de avaliação de risco nestas situações pode fazer muita gente se dar mal.

Por isso, na hora de analisar uma oferta de emprego ou buscar oportunidades no mercado de trabalho, faça uma análise de risco minuciosa e procure identificar os prós e contras daquela oportunidade. Além disso, verifique sempre a viabilidade da proposta em questão.

Lembre-se que nada é garantido e desconfie de propostas irrecusáveis. Por isso, tenha o hábito de considerar uma avaliação de risco no mercado de trabalho e nas situações do seu dia a dia. Desta forma, você tenderá a tomar decisões mais assertivas e evitará cair em ciladas e armadilhas – que existem aos montes por aí.

 

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Autor

Yuri Bertoncini

Aluno do curso O Investimento Perfeito, possui experiência como analista de crédito PJ no mercado financeiro. Acredita que a educação financeira é um conhecimento primordial na vida das pessoas e busca espalhar essa filosofia para aumentar a qualidade de vida de todos ao seu redor.

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