O número de investidores da bolsa brasileira cresceu nos últimos anos. Da mesma maneira, o perfil deles mudou. Se antigamente o público que procurava o mercado acionário era muito similar, hoje é possível perceber uma maior diversidade.

A B3 – bolsa de valores brasileira – divulgou recentemente um estudo e constatou que os investidores estão cada vez mais interessados na bolsa por diversas razões. Uma delas é porque o rendimento da renda fixa caiu, devido à taxa Selic.

Mas existem outros motivos que levaram milhões de novos brasileiros a buscar alternativas de investimento na renda variável recentemente.

Ficou interessado em entender essa mudança no mercado financeiro? Então acompanhe a leitura e entenda o levantamento que a B3 realizou sobre os investidores que entraram na bolsa nos últimos anos!

Quais os destaques do estudo realizado pela bolsa brasileira?

No dia 14 de dezembro de 2020, a B3 divulgou sua pesquisa feita sobre o perfil e o comportamento de mais de 2 milhões de pessoas que iniciaram seus investimentos no mercado acionário entre abril de 2019 e abril de 2020. Em outubro do último ano, o número de CPFs cadastrados na B3 ultrapassou os 3,2 milhões.

Confira abaixo dois aspectos importantes que foram identificados na pesquisa:

1.Perfil do novo investidor

Conforme os dados obtidos, o perfil médio dos novos investidores da B3 é jovem, tendo em média 32 anos. Constatou-se também que:

  • 56% deles têm renda média de R$5 mil por mês;
  • 60% não possuem filhos;
  • 62% trabalham em tempo integral;
  • 51% vivem na região Sudeste do país;
  • 74% são homens.

Apesar da grande maioria ser do sexo masculino, é preciso destacar o crescimento de mulheres investindo na bolsa. Em 2018, havia apenas 179.392, número que saltou para 809.533 em 2020.

2. Como o novo investidor investe

Similar ao que foi identificado em pesquisas anteriores, o valor do primeiro investimento realizado entre investidores pessoa física caiu. Em outubro de 2018, ele era em média R$1.916. No mesmo mês de 2020, foi de apenas R$ 660, tendo uma queda de 58%.

Esses valores são ainda menores entre os mais jovens, com idade entre 16 e 25 anos. Em outubro de 2020, o investimento inicial deles foi de cerca de R$ 225.

No entanto, essa queda nas quantias investidas não significa que eles estejam diversificando menos. Pelo contrário, 46% desses investidores passaram a ter mais de um produto de renda variável na sua carteira logo após sua chegada na B3.

Em 2016, por exemplo, 78% dos indivíduos detinham apenas ações. Em 2020, esse número passou para 54%, demonstrando que muitos entenderam a importância da diversificação.

Assim, pode-se dizer que o novo investidor é jovem e cauteloso, pois começa investindo com pequenos aportes e diversifica para amortizar os riscos.

A volatilidade e os investidores

A volatilidade é um dos principais fatores que deixam investidores apreensivos, principalmente os iniciantes e os de perfil conservador. Mas, por que ela causa tanto temor?

Essa variável econômica diz respeito à frequência e intensidade das oscilações no preço de um ativo em um determinado período. Através dela, é possível ter uma noção estimada da variação de uma ação ou índice, por exemplo.

Desse modo, quanto mais volátil for um papel, maior seria a sua variação em relação às flutuações do mercado.

A partir dela, pode ser possível mensurar o grau de risco de um determinado ativo. Ainda, pode ser utilizada para avaliar se o investimento pode apresentar bons rendimentos.

Quanto mais o preço de uma ação varia, maior pode ser o risco de se ganhar ou perder dinheiro. Por isso que alguns são avessos à bolsa de valores. No entanto, a pesquisa demonstrou uma mudança nessa visão. Veja no tópico seguinte.

Como o novo investidor tem lidado com a volatilidade?

O sobe e desce do mercado demonstrou ter menor impacto entre os novos investidores da bolsa. Dentre os entrevistados, 64% afirmaram que resgatariam seu dinheiro somente em caso de necessidade. Apenas 28% afirmaram que a queda na rentabilidade dos ativos seria um motivo para sacar seus valores.

Isso demonstra que essa variável não assusta mais tanto quanto antes. Conforme o indivíduo se educa e vivencia as oscilações na prática, mais simples se torna a compreensão de que elas são naturais no mercado.

As entrevistas demonstraram que o pensamento de médio e longo prazo já estão na mentalidade de boa parte desses novos investidores da bolsa. A decisão de resgatar os valores está muito mais atrelada à liquidez ou por necessidade do que à volatilidade, conforme você notou.

A partir disso, é possível verificar que a educação financeira exerce um papel fundamental para essa mudança de comportamento. A busca por conhecimento sobre os diversos produtos disponíveis no mercado resultou em uma maior diversificação e controle em relação aos riscos.

Por que os brasileiros se interessam mais pela bolsa de valores?

Conforme foi possível perceber, a educação financeira foi decisiva para muitos brasileiros começarem a investir. Muito dessa jornada educativa se deu graças à democratização do acesso à informação.

Boa parte deles consome conteúdos de maneira online sobre os investimentos, possibilitando que conheçam mais alternativas. Conforme a B3, 73% deles obtém conhecimento sobre o assunto na internet.

Ainda, a maioria consegue tomar decisões por conta própria, por meio das conclusões obtidas após analisar as informações que consumiram.

Logo, é inegável que a transformação digital e o maior acesso à informação foram essenciais para essa mudança no mercado financeiro nos últimos anos. Entretanto, é primordial que essas pessoas estejam atentas à qualidade e credibilidade das suas fontes.

Afinal, quando migrar para a bolsa de valores?

A bolsa de valores é um ambiente que pode trazer resultados positivos. Entretanto, é essencial ter cautela, pois existem diversos riscos envolvidos.

Para investir em Ações, é preciso primeiro conhecer seu perfil de investidor para entender seu grau de intolerância a riscos. Depois, estudar as alternativas e identificar aquelas que mais tenham a ver com seus objetivos.

Tenha em mente que o investimento em Ações tende a ser mais interessante para o longo prazo. Logo, é aconselhável ter outras alternativas voltadas para o médio e curto prazo na carteira, para outros objetivos financeiros.

Como investir na bolsa de valores?

A boa notícia é que os investidores da bolsa investem com simplicidade e praticidade. Após conhecer o seu perfil (que precisa ser de moderado a arrojado), basta ter acesso a uma plataforma de investimentos que seja ampla e de qualidade, como as oferecidas por bancos de investimentos.

Assim, você pode ter acesso a diversos produtos e ativos e adquirir aqueles que deseja.

Você percebeu que o conhecimento é fundamental para investir sempre mais e melhor. Portanto, continue estudando para começar o quanto antes a fazer o seu dinheiro trabalhar para seus sonhos!

Aproveite e leia outros artigos no blog sobre o tema ou adiante seu aprendizado e confira O Manual do Investidor!

Autor

Equipe André Bona

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