A corretora Gradual Investimentos informou, nesta terça-feira (15), que está encerrando suas atividades na bolsa de valores brasileira (B3) e se preparando para fechar suas portas definitivamente. A decisão foi tomada em meio à suspeitas de envolvimento da presidente da empresa e executivos da corretora em um esquema bilionário de fraudes.

Em nota publicada em seu site, a Gradual Investimentos disse que, “em virtude do encerramento de suas atividades de bolsa”, está realizando operações somente para zerar e transferir posições.  No site, a corretora também cita brevemente o processo de transferência de custódia e pede aos seus clientes que aguardem “instruções” em relação aos demais procedimentos que deverão ser adotados por conta do encerramento de suas atividades.

Transferência de Custódia

Os clientes que desejarem realizar transferência de custódia dos investimentos que estiverem sob responsabilidade da Gradual devem preencher o formulário de Solicitação de Transferência de Valores Mobiliários (STVM)– disponível para download no site da corretora. Este formulário permitirá aos clientes repassar seus investimentos a outras corretoras de sua preferência.

Além do preenchimento do documento, os clientes deverão reconhecer firma da assinatura e encaminhar o formulário para os e-mails: custodia@gradualinvestimentos.com.br e atendimento@gradualinvestimentos.com.br para dar seguimento à solicitação.

Entenda o caso

Os problemas envolvendo a corretora Gradual Investimentos tiveram início em abril deste ano, quando a presidente da corretora, Fernanda de Lima, e executivos da instituições foram presos pela Polícia Federal sob suspeita de estarem envolvidos em um esquema de fraudes de R$ 1,3 bilhão, ligado a institutos de previdência e fundos de investimentos.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, há indícios de que a corretora Gradual tenha ligação com empresas de fachada, que emitiam debêntures sem lastro. Para a PF, estes títulos de dívidas fraudulentos eram incorporados a fundos de investimentos específicos, envolvidos no esquema.

O esquema fraudulento – que pode ter ultrapassado o montante de R$ 1,3 bilhão – envolveria não somente os donos de corretoras, mas também empresários e consultores de investimentos. Os consultores, inclusive, eram os responsáveis pela aproximação dos fundos compostos por debêntures sem lastro com os institutos de previdência das cidades, para os quais recomendavam a aplicação.

No total, 13 empresas de fachada foram apontadas como participantes do esquema – uma delas, inclusive teria o mesmo endereço do sócio de uma corretora. De acordo com a investigação da Polícia Federal, parte do dinheiro investido nestas debêntures sem lastro pelos institutos de previdência municipais retornava ao grupo de fraudadores.

Fundada em 1991, a corretora Gradual Investimentos possui atualmente 60 mil clientes e mais de R$ 7 bilhões em custódia, de acordo com informações divulgadas em seu site oficial.

 

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Autor

Luana Neves

Jornalista e redatora. Atuou como editora de Economia no Jornal DG e Revista Quem é Quem - Economia, assinou por três anos coluna diária de Economia e já produziu conteúdo para diversos portais de notícias do Brasil.

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