A presidente da corretora Gradual Investimentos, Fernanda de Lima, e executivos da instituição foram presos pela Polícia Federal no final da semana passada, no âmbito da Operação Encilhamento. A suspeita é que Lima e outros executivos da corretora estejam envolvidos em um esquema de fraudes de R$ 1,3 bilhão envolvendo institutos de previdência e fundos de investimentos.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, há indícios de que a corretora Gradual tenha ligação com empresas de fachada, que emitiam debêntures sem lastro. Para a PF, estes títulos de dívidas fraudulentos eram incorporados a fundos de investimentos específicos, envolvidos no esquema.

O esquema fraudulento – que pode ter ultrapassado o montante de R$ 1,3 bilhão – envolveria não somente os donos de corretoras, mas também empresários e consultores de investimentos. Os consultores, inclusive, eram os responsáveis pela aproximação dos fundos compostos por debêntures sem lastro com os institutos de previdência das cidades, para os quais recomendavam a aplicação.

No total, 13 empresas de fachada foram apontadas como participantes do esquema – uma delas, inclusive teria o mesmo endereço do sócio de uma corretora. De acordo com a investigação da Polícia Federal, parte do dinheiro investido nestas debêntures sem lastro pelos institutos de previdência municipais retornava ao grupo de fraudadores.

O relatório assinado pelo juiz João Batista Gonçalves, que autorizou os mandados de busca e prisão da operação, também cita a apreensão de documentos na sede da corretora Gradual que indicam que a presidente da instituição mantém recursos no exterior e “possíveis esquemas de lavagem de dinheiro a partir de interpostas pessoas com atuação em paraísos ficais”.

Operação Encilhamento e Papel Fantasma

A Operação Encilhamento é a segunda fase da Operação Papel Fantasma, que apura uma série de fraudes envolvendo a aplicação de recursos de institutos de previdência municipais em fundos de investimento. Segundo a PF, os recolhimentos de servidores de 28 cidades em sete estados no âmbito do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) eram aplicados em fundos de investimentos compostos por debêntures sem lastro, emitidas por empresas de fachada.

Além da presidente e executivos da corretora, foi preso provisoriamente o marido de Fernanda de Lima, Gabriel Gouvea Junior. Os investigados poderão responder por crime contra o Sistema Financeiro Nacional, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, podendo ser sentenciados a até 12 anos de prisão.

A corretora Gradual Investimentos foi procurada pela equipe do Blog de Valor, mas ainda não se pronunciou sobre o caso.

 

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Autor

Luana Neves

Jornalista e redatora. Atuou como editora de Economia no Jornal DG e Revista Quem é Quem - Economia, assinou por três anos coluna diária de Economia e já produziu conteúdo para diversos portais de notícias do Brasil.

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Comentários

  1. Cris    

    Semana passada também prenderam vários empresários envolvidos nessa mesma operação, entre eles, Arthur Mário Pinheiro Machado que já foi dono da corretora Ágora (vendida para o Bradesco) e fundador ATG, a nova bolsa de valores brasileira, concorrente da B3. Quase não vi divulgação sobre isso na mídia econômica especializada. Bona, até onde essa corrupção toda pode abalar a confiança nas corretoras e no mercado financeiro? fica a dica para novos posts ou vídeos, obrigada.

  2. Brenda    

    O mercado inteiro já sabia das maracutaias do Arthur Machado, da Fernanda Lima e seu marido e do Zeca ex-Mellon. O pessoal da própria bolsa dava risada quando comentavam sobre a concorrência da ATS.

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