Existe uma verdade inconveniente que muitos investidores ou aspirantes ainda não reconhecem: as crises financeiras sempre podem acontecer. Seja concentrada em um setor específico (como uma bolha imobiliária) ou gerada por dificuldades econômicas globais.

O fato é que não vale a pena investir como se os resultados fossem se manter constantemente positivos. É preciso aprender as lições da crise e saber como basear suas decisões de forma a continuar equilibrado mesmo em períodos difíceis.

É possível fazer isso? Claro! Inclusive, se você ainda não sabe como se comportar em momentos críticos, essa é uma ótima oportunidade de aprender.

Confiras nossas dicas!

Qual é a importância das emoções nos investimentos?

Por que será que começamos um conteúdo sobre investimentos falando de emoções? As decisões de um investidor não são totalmente racionais? Embora haja uma tendência a pensar que sim, isso não é o que acontece realmente.

Na verdade, as emoções influenciam muito o comportamento dos investidores — até mais do que eles podem perceber. Aliás, é exatamente por conta de impulsos inconscientes que alguns erros clássicos acontecem.

Por exemplo, a psicologia econômica estuda bastante as consequências do efeito manada. Você já ouviu falar nele? Entendê-lo é fundamental para se proteger de tomar decisões precipitadas apenas porque outras pessoas estão fazendo o mesmo.

A crise econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus nos mostrou um grande exemplo de efeito manada no Brasil. Nos últimos meses, nossa bolsa de valores teve um crescimento exponencial no número de investidores pessoa física.

O cenário de redução da taxa Selic levou muitas pessoas a conversarem sobre as vantagens da renda variável. E, por ação do efeito manada, diversos dos novos investidores entraram na bolsa sem conhecer seu funcionamento de maneira mais profunda.

Por revés do destino, apenas poucos meses depois nossa bolsa sofreu um grande baque. A crise levou a fortes quedas nos preços dos ativos e, mais uma vez, o efeito manada se fez presente — levando muitos investidores a vender seus investimentos sem avaliar a situação.

Tubarões e sardinhas

A influência das emoções nos investimentos é algo tão presente que o mercado financeiro apelidou de sardinha os investidores pouco experientes. O apelido se refere às pessoas que acompanham o “cardume” e tendem a perder dinheiro por não conhecer a dinâmica da bolsa.

Já os tubarões são os grandes investidores, que têm experiência e conhecimento para acompanhar (e ditar) os movimentos do mercado. Muitas vezes, investidores desse tipo aproveitam as crises para adquirir mais ativos.

Warren Buffett, um dos maiores especialistas em investimentos, tem uma célebre frase que representa essa ideia: “compre ações ao som dos canhões e venda ao som dos violinos”.

Em outras palavras, ele está dizendo para não seguir a manada. Para ele, o segredo é avaliar o mercado e saber tomar decisões por conta própria, sem se deixar levar pelo momento. Ou seja, é possível aprender a investir melhor a partir das lições da crise.

Quais são as lições da crise para investir melhor?

Evidentemente, ninguém se sente bem ao se ver em uma crise financeira. Observar seu patrimônio e perceber que ele está sofrendo efeitos negativos não é nada agradável. Contudo, uma das lições sobre investimentos é que as crises passam.

Então, os ativos voltam a se valorizar e o crescimento é retomado. Logo, vale a pena manter o equilíbrio e evitar decisões impulsivas no momento crítico. Mas, afinal, como controlar as emoções e se prevenir do efeito manada? Saiba o que fazer!

Conheça seu perfil de investidor

O primeiro passo para investir melhor é identificar o seu perfil de investidor — e guiar suas escolhas por ele. O mercado financeiro apresenta diversos tipos de investimentos. Cada um tem suas particularidades, vantagens e desvantagens.

Decidir entre eles não é fácil. Por isso, existe o conceito de perfil. São três principais: conservador, moderado e arrojado. O primeiro tem uma maior aversão ao risco e prioriza a segurança. Isto é, não está disposto a vivenciar grandes oscilações com seu patrimônio.

O perfil moderado aceita um pouco mais de risco, mantendo um equilíbrio. Já o perfil arrojado está em busca de maiores rentabilidades e, em consequência, tem apetite mais voltado a ativos arriscados.

Guiar-se pelo seu perfil é fundamental para não se expor a perigos com os quais você não está disposto a lidar. Por exemplo, pessoas conservadoras devem manter a maior parte do seu dinheiro na renda fixa, mesmo que signifique ter juros baixos.

Afinal, a renda variável traz riscos para os quais elas não estão abertas. Caso entrem nela por efeito manada, há grandes chances de enfrentar nervosismo e ter prejuízo em momentos de crise.

Tenha objetivos para o dinheiro

Além do perfil de investidor, outra importante lição da crise é investir baseado nos seus objetivos. Como falamos, cada investimento tem características diferentes — e uma das mais importantes é o prazo.

Se você tem o plano de trocar de carro no próximo ano, não faz sentido aplicar o dinheiro desse objetivo em um título que vença daqui a cinco anos, certo? O ideal é procurar um investimento com prazo próximo à data da troca.

A mesma ideia vale para evitar colocar quantias de curto prazo na renda variável. Investimentos de maior risco e oscilação devem ser encarados no longo prazo, pois há o perigo de seus ativos estarem valendo menos quando for preciso resgatá-los em breve.

Busque informações contundentes

A maior lição que você pode ter para não se transformar em uma sardinha no mercado financeiro é buscar informações. Elas devem ser a base de todas as suas escolhas na carteira de investimentos.

Como saber se determinado ativo serve bem ao seu perfil? Buscando informações contundentes sobre ele. Também é dessa forma que se avalia se um título é interessante para reserva de emergência, para o curto prazo ou para aposentadoria, por exemplo.

Estudar o mercado é essencial para saber o que fazer. Quando falta informação, seguir a manada se torna mais sedutor. Afinal, se todos estão vendendo os ativos é porque sabem o que estão fazendo, certo? Errado. Muitas pessoas tomam decisões sem se guiar por conhecimento.

Saiba manejar riscos

É importante falarmos que controlar as emoções em um período crítico não é tarefa fácil. Muitas notícias são negativas e nem sempre sabemos exatamente o que fazer. Contudo, é possível passar pelo momento de maneira mais tranquila.

Como? Sabendo manejar os riscos da sua carteira. Um cuidado indispensável é diversificar os investimentos. As crises não afetam da mesma maneira todos os ativos ou setores financeiros. Assim, usar a estratégia da diversificação lhe protege de efeitos piores.

Seguindo nossas dicas você aprende as lições da crise e consegue se organizar com mais calma no mundo dos investimentos. Não deixe de buscar educação financeira constantemente para desenvolver melhores condições de lidar com as dificuldades e colher bons resultados delas.

E então, este post foi útil? Aproveite para saber como lidar com o estresse financeiro!

Autor

Equipe André Bona

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