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O mercado financeiro oferece diariamente excelentes opções de investimentos para você conquistar melhores retornos sobre suas aplicações, atingir seus objetivos de curto, médio e longo prazo mais rapidamente e conquistar sua independência financeira.

Contudo, as diversas formas de investir, os riscos envolvidos em cada operação, o tipo de liquidez e aquele monte de siglas — como COE, CRI, LCI e LCA — além das taxas, comissões e impostos também geram uma grande possibilidade de equívocos para os investidores que não atuam de forma consciente, podendo até gerar prejuízos para seu patrimônio pessoal.

A saída para você que deseja investir no mercado financeiro, sem ter que virar um especialista em finanças, passa por: entender melhor como funciona; alinhar seus objetivos e os prazos para alcançá-los com as opções de investimento que mais se alinham a eles; determinar qual o tipo de risco que você aceita assumir para alcançar de maneira mais rápida esses objetivos e, principalmente, encontrar os negócios que garantam mais segurança e maiores lucros para seus investimentos.

Para te ajudar nessa tarefa de encontrar a melhor forma de investir, indicaremos 6 passos para conhecer definitivamente o mercado financeiro. Continue lendo e confira:

1. Entenda como funciona o mercado financeiro

Você deve conhecer bem quais são os papeis que cada empresa e instituição ocupa no mercado financeiro para entender como eles podem ajudar ou atrapalhar as suas estratégias. Por isso, o primeiro passo é entender os principais agentes do mercado nacional e os tipos de títulos que eles emitem para captar investidores:

1.1. Os tipos de investimento

Ao realizar um investimento, você compra um título, como se fosse uma nota promissória, que pode te dar diferentes direitos. Em alguns casos, você realiza apenas empréstimos, seja para o governo, bancos ou empresas, em outro se torna sócio da empresa. Apesar de existirem diferentes tipos de investimentos, eles podem ser categorizados de duas grandes formas: os investimentos em renda fixa e os de renda variável.

1.1.1 – Renda Fixa

Na categoria Renda Fixa estão enquadrados todos os investimentos em que você já conhece, no momento da contratação, qual será o indexador ou a taxa de juros que irá corrigir o valor do título. Ou seja, você sabe a taxa que o emissor vai pagar pelo seu investimento, mas não necessariamente o valor final que a aplicação terá.

Por exemplo: você pode comprar Títulos do Tesouro Direto corrigidos pela taxa Selic ou aqueles que pagam uma taxa de juros + o IPCA, que é o índice oficial da inflação. Em ambos os casos, você não saberá o valor final do título, pois os indexadores utilizados vão variar do momento em que você compra o título até o momento em que você o recebe o valor corrigido. Por outro lado, se você comprar um Título Pré-fixado, seja do Tesouro Direto ou de um Certificado de Depósito Bancário (CDB) de algum banco, então no momento da contratação saberá que o valor será corrigido apenas pela taxa contratada, podendo calcular exatamente o valor final da aplicação.

Os títulos de renda fixa mais comuns são os do Tesouro Direto, CDB, Letras de Crédito Imobiliário (LCI) ou do Agronegócio (LCA) e debêntures, além da Caderneta de Poupança.

1.1.2 – Renda Variável

Já os títulos de renda variável são aqueles que não seguem nenhum indexador, nem possuem taxas pré-fixadas de correção, o que torna impossível determinar qual será o rendimento do título.

Nesta categoria estão as ações das empresas, mercadorias — como o café, sofá e milho —, moedas e outros tipos de contratos negociados na Bolsa.

Apesar de ser impossível determinar o rendimento, algumas análises sobre os fundamentos do título de renda variável, como a análise de alguns aspectos da empresa que negocia suas ações na Bolsa, podem indicar uma tendência de bons retornos futuros.

Como você pode perceber, a renda variável traz mais riscos e, ao mesmo tempo, maiores expectativas de lucro para o investidor no longo prazo.

1.2. Os principais agentes do mercado

Basicamente existem 3 tipos agentes no mercado financeiro: os emissores, o local onde os papeis são negociados e os compradores e vendedores de títulos. Vamos entender melhor a função de cada um deles:

1.2.1. Emissores de títulos

Bancos, empresas de capital aberto e o governo são os principais emissores de títulos.

O governo emite títulos da dívida pública, por meio do programa do Tesouro Direto. Com o dinheiro que capta nas negociações de venda de seus papeis, o governo federal financia as obras de infraestrutura, investe em educação e saúde ou simplesmente mantém a estrutura da máquina pública funcionando.

Todos os títulos do Tesouro Direto são de Renda Fixa e são considerados os mais seguros do mercado financeiro nacional. Afinal, se o governo não pagar os empréstimos que tomou e der um calote na dívida, então outras instituições e a economia como um todo entrará em colapso.

Os bancos podem emitir títulos de renda fixa ou variável, além de possuírem a caderneta de poupança para captar recursos. Os CDBs, LCI, LCA são os tipos mais comuns de títulos de renda fixa que somente os bancos podem emitir, apesar de podermos comprá-los nas corretoras de valores. Por outro lado, também é possível comprar ações dos bancos que são negociadas na Bolsa.

É importante perceber que, ao comprar esses títulos ou fazer aplicações na poupança, seu investimento estará atrelado ao banco que emitiu o título e, se ele falir, você poderá perder uma parte e seus investimentos. O lado positivo é que valores até 250 mil reais, por CPF e por banco, são cobertos pelo Fundo Garantidor, uma espécie de seguro, para dar maior tranquilidade e segurança para o patrimônio dos investidores.

Por fim, as empresas podem emitir dois tipos de títulos: as debêntures e as ações. As ações são a menor fração de uma empresa que é possível comprar para se tornar sócio dela. Já as debêntures são títulos da dívida da empresa que garantem ao seu proprietário que ele recebera a quantia investida, corrigida pela taxa combinada no momento da contratação.

1.2.2 – A Bolsa de Valores

A Bolsa de Valores é o local onde os emissores de títulos e investidores negociam a compra e a venda de papeis, moedas, mercadorias e contratos. No mercado financeiro nacional, essa negociação deve ser feita com o apoio de uma Corretora.

As corretoras são apenas intermediárias e distribuidoras das ofertas. Sua principal função é executar as ordens que seus clientes pedem. Elas também podem administrar fundos de investimentos que facilitam o acesso dos clientes a produtos que demandam maiores valores para serem comprados e diluem os possíveis riscos por meio de uma administração profissional e diversificação de papeis em seus fundos.

Por fim, a Bolsa também exerce o papel de agente de custódia e liquidação. Isso quer dizer que é ela quem guarda os títulos das empresas e dos investidores, recebe e repassa os valores acordados nas negociações e garante que as regras para emissão de títulos sejam cumpridas e respeitadas. Outro papel importante da Bolsa como agende de custódia é garantir que, mesmo que a sua corretora vá a falência, seu título estará seguramente armazenado no seu nome e não no nome dela (corretora).

1.2.3 – Os negociadores

Os investidores são os principais negociadores e aqueles que garantem as operações diárias do mercado financeiro e da Bolsa. Isso porque eles podem negociar a qualquer momento os títulos que compraram, enquanto as empresas negociam apenas uma vez e em quantidades limitadas de ações.

Quando os investidores compram as ações diretamente da empresa, em sua primeira oferta ao mercado, a operação é considerada de Mercado Primário. Já, quando há a troca de proprietários em uma ação entre os investidores, a operação é de Mercado Secundário. Você já deve ter entendido que existem muito mais operações do mercado secundário que do primário, não é mesmo?

Além dos investidores e das empresas, existem ainda os bancos e o governo que, ao emitirem títulos, oferecem vantagens, riscos e remunerações variadas para atrair mais investidores. Aliás, essa é uma das preocupações que você deve ter ao investir e este é o segundo passo.

2. Alinhe seus investimentos aos seus objetivos

O segundo passo é avaliar os riscos, a liquidez e a rentabilidade que um investimento oferece para decidir se ele está completamente alinhado aos seus objetivos financeiros, aos prazos em que você pretende alcançá-los e às proteções que seu patrimônio deve ter.

Basicamente, você deve fazer um trabalho de autoconhecimento antes mesmo de decidir investir. Ele passa pela análise dos seguintes pontos:

  1. Qual é seu nível atual de endividamento? Compensa mais investir ou pagar as dívidas que possuem juros?
  2. Você possui reservas financeiras que garantiriam entre 6 meses e 1 ano o seu padrão de vida atual?
  3. Qual é seu potencial de investimento ou quanto dos seus rendimentos mensais são investidos?
  4. Quais são seus sonhos de curto, médio e longo prazo? Qual a prioridade de cada um deles em sua vida? Qual o valor monetário deles e qual o tempo que você levaria para alcançá-los?
  5. Quais riscos você estaria disposto a assumir para conquistar rendimentos maiores e aumentar as chances de obter lucros melhores? E quanto desse valor poderia ser perdido sem que você precisasse mudar de estratégia?
  6. Se você considerasse que foi feita uma boa análise do investimento e, em caso de prejuízos no curto prazo, você aceitaria manter ou até investir mais em determinado tipo de investimento? Ou simplesmente assumiria o prejuízo e retiraria o aporte feito?

Responder a essas questões dará a você um bom indicativo do tipo de perfil que você possui, ou seja, do percentual de ganhos ou prejuízos que um investimento pode ter no curto e médio prazo; dos riscos que você pode assumir, sem comprometer seu patrimônio, nem sua saúde física e psicológica, pois alguns prejuízos significados poderiam impactar em seu emocional; da liquidez que você precisa para o investimento e de como ele pode ser diversificado em sua carteira de investimentos.

Você deve evitar fazer suas análises apenas baseadas nos rendimentos pretendidos com os investimentos, pois essa perspectiva pode te expor a riscos, como ter que usar o valor do investimento antes do prazo e conquistar lucros menores que os planejados por não ter cumprido algum requisito — por exemplo, o prazo de liquidação — para a aplicação.

Uma saída para começar a investir com um valor baixo, obtendo bons retornos e combinando riscos menores com uma boa liquidez é aplicar seu capital em fundos de investimento. Conhecer essa modalidade é o terceiro passo que você deve dar no mercado financeiro.

3. Pesquise um bom fundo de investimento

Um fundo de investimento é caracterizado por reunir vários investidores, que compram cotas de uma carteira diversificada com diversos tipos de títulos de renda fixa e/ou variável. Esses fundos são administrados por gestores profissionais e normalmente estão atrelados a uma corretora, seja de um banco ou de uma gestora independente.

A principal vantagem de um bom fundo de investimento é garantir uma maior proteção para o investidor, pois possuem maiores possibilidade de compor a carteira de investimentos do fundo com diversos tipos de papeis, prazos de vencimento e liquidez. Além disso, eles permitem que um investidor diminua os requisitos mínimos para aplicações em produtos do mercado financeiro que podem exigir grandes aportes, como é o caso de alguns CDBs, LCIs e LCAs.

A desvantagem dos fundos de investimento são as taxas de administração — em alguns casos podem chegar a até 3% do saldo do ano. Em alguns casos, o gestor pode cobrar uma taxa de performance extra sobre os valores dos rendimentos que ultrapassarem um determinado índice, como o IPCA ou o CDI mais uma taxa de juros anual.

Contudo, a segurança de ter um gestor profissional cuidando de seus investimentos e a composição dos fundos mostram-se boas opções se você encontrar pequenas taxas de administração, fungindo dos grandes bancos.

Também é importante perceber que existem diversos tipos de fundos de investimentos, sendo os mais conhecidos:

Fundos DI

Possuem um perfil ultraconservador de investimento, pois devem investir no mínimo 95% dos valores captados em compras de títulos atrelados às taxas da Selic ou do CDI. A vantagem é que normalmente possuem um retorno superior ao da poupança e liquidez diária.

Fundos de Ações

Diferentemente dos fundos DI, os fundos de investimento em ações representam maiores riscos e possibilidades de ganhos superiores para os investidores no longo prazo. Isso porque eles contam com uma carteira bem diversificada de ações. Desta forma, as cotas do fundo em ações podem sofrer muita variação positiva ou negativa, gerando valorização ou prejuízos no curto e médio prazo para seus aportes.

Fundos Multimercados

Combinam tanto ações, contratos de mercadoria, investimento em moedas e outros tipos de títulos de renda variável, o que pode gerar melhores resultados para o investidor – do que os fundos DI e os ativos de renda fixa – e uma diversificação da carteira de investimentos que seria impossível ao pequeno investidor. Contudo, são mais aconselhadas para investidores com perfil arrojado, pois podem gerar prejuízos, pois são mais voláteis.

4. Diversifique com fundo imobiliário

Se ao fazer aportes em fundos de investimento você acaba por comprar uma pequena fração dos títulos que compõe a carteira gerida pelo administrador profissional, ao investir em fundos imobiliários (FIIs) você se torna proprietário de uma pequena parte de imóveis que também são gerenciados por profissionais. Se no primeiro, o investimento está baseado em papeis e títulos, nos FIIs os imóveis que compõem o fundo existem fisicamente e você terá rendimentos semelhantes à sua taxa de locação, valorização e demanda.

Ao investir em Fundos Imobiliários, você está se tornando um locador de prédios, salas comerciais, shoppings, galpões para industrias, hotéis e, até mesmo, locais para instituições de ensino. Desta forma, os rendimentos obtidos com aluguéis e venda dos imóveis são repassados mensalmente para os cotistas.

Os benefícios de se investir nos fundos imobiliários são a isenção de imposto de renda sobre os valores recebidos mensalmente, o que não ocorre com os imóveis físicos que são diretamente alugados por você a outras pessoas físicas; a facilidade de se tornar proprietário de bons imóveis, mesmo tempo um pequeno capital; os custos e riscos da administração do imóvel ser diluído entre os cotistas do fundo; além da liquidez em se vender cotas do fundo ser muito superior à da venda de um imóvel físico que você tenha comprado.

Uma desvantagem é que os rendimentos dos FIIs e os valores mensais de seus lucros líquidos que são distribuídos para os cotistas podem oscilar. Por isso, fundos imobiliários não devem ser considerados investimentos de renda fixa, mas sim de renda variável. Ou seja, você não sabe ao certo quanto receberá mensalmente, nem qual será a valorização ou depreciação de sua cota, pois isso depende da quantidade de espaços físicos que estão alugados pelo fundo e de sua vacância.

5. Obtenha ganhos maiores com o mercado de ações

Já comentamos que, no mercado de ações, o investidor se torna proprietário de uma fração da empresa. Também falamos que é possível comprar títulos da dívida das empresas, que são as chamadas debêntures. Agora vamos nos aprofundar um pouquinho no mercado de ações propriamente dito.

Há duas formas de aumentar seus ganhos no mercado de ações: a primeira e mais conhecida é com a valorização da empresa e de seus títulos na bolsa; já a segunda é pela distribuição de dividendos.

A distribuição de dividendos é o momento em que a empresa apura qual foi seu lucro líquido e divide uma parte dele, definido em assembléia e conforme estabelecido no estatuto social, para os seus sócios acionistas.

Por isso, no Brasil, as empresas podem emitir dois tipos de ações:

As ações preferenciais (PN)

São aquelas que dão ao seu portador uma prioridade sobre os demais acionistas nos momentos de distribuição de dividendos ou de pagamento pelas ações, em caso de venda ou falência da empresa. Contudo, esse tipo de acionista não pode votar nas Assembleias Gerais da empresa.

As ações ordinárias (ON)

São caracterizadas por dar direito de um voto por ação que o acionistas possuir, nas Assembleias Gerais da empresa. Também garante que no mínimo 80% (esse percentual pode varia de acordo com a classificação da empresa com relação à sua governança corparativa) do valor pago para o controlador da empresa seja dividido entre os acionistas ON em caso de venda do controle da empresa para outra corporação ou grupo de administradores. Ao participar do controle da empresa, por meio do voto, o acionista perde a preferência pelo recebimento dos dividendos, contudo, sempre recebem a parte que lhes cabe em casos de distribuição regular dos lucros líquidos.

Investir no mercado de ações é mais aconselhável para quem já possui um bom patrimônio e que não tenha aversão a riscos.

6. Verifique a necessidade de obter auxílio para investir

O passo extra e que pode ser dado independentemente do momento em que você estiver no entendimento do mercado financeiro é contar com a ajuda de uma consultoria financeira ou de uma assessoria de investimentos para te ajudar a conciliar seus objetivos pessoais com os diversos tipos de investimentos disponíveis.

O principal benefício de contar com esses serviços é ter o apoio profissional com experiência no mercado financeiro para indicar qual a melhor estratégia para a formação de sua carteira de investimentos.

O único cuidado a se tomar é o de identificar bons consultores e assessores, afinal, muita gente ainda considera o gerente do banco como consultor, quando na verdade ele pode estar indicando apenas os produtos que o ajudarão a bater suas metas de vendas. O mesmo também pode ocorrer com assessores de investimentos. Portanto, fique atento.

Como você pode perceber, o mercado financeiro não é nenhum enigma indecifrável, mas alguns cuidados e conhecimentos são necessários para evitar riscos e prejuízos desnecessários.

Um outro caminho é você focar por conta própria em estudo e aprendizado. Pode levar um bom tempo, mas também é um caminho.

Você já deu alguns dos passos mencionados no post para entender melhor o mercado financeiro? Compartilhe conosco suas dúvidas e experiências nos comentários abaixo!

Grande abraço,
André Bona

Autor

André Bona

André Bona possui mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, tendo auxiliado milhares de investidores a investir melhor seus recursos e é o criador do Blog de Valor - site de educação financeira independente.

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Comentários

  1. Ramon Valez    

    Será que essa crise no país vai passar ano que vem?

  2. Dico    

    Bom texto, mas cheio de erros ortográficos. Revisem isso ai!

  3. Rodolfo Aurélio    

    Top! Essas informações ainda são validas em 2017?

  4. Natanael - Profissão Coach    

    As ideias de aplicação são ótimas, porém com o cenário político denegrindo a imagem do país vai ser mais difícil pensar em investimento por aqui. O jeito é procurar investimento fora.

  5. Cursos online    

    Parabéns pelo artigo, como sempre seus conteúdos ajudando muito!!

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